Art Fértil
3 mitos sobre infertilidade masculina

3 mitos sobre infertilidade masculina

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Durante bastante tempo, a ciência e a própria sociedade encararam a infertilidade como um problema exclusivo das mulheres, talvez porque o papel feminino nos processos de procriação fosse mais explícito, afinal, a gestação acontece no interior de seu corpo.

Atualmente, não existem dúvidas sobre a existência de problemas relacionados à função reprodutiva masculina, que oferecerem riscos à fertilidade conjugal e podem inviabilizar o planejamento familiar. Inclusive considera-se que os casos de infertilidade masculina são ligeiramente mais frequentes que aqueles devidos à infertilidade feminina.

Neste contexto, os estudos sobre a fertilidade dos homens sofreram relativos atrasos em relação aos estudos sobre a saúde reprodutiva das mulheres, sendo mais expressivos nos tempos atuais – o que provocou o aparecimento de alguns mitos sobre a fertilidade dos homens.

Este texto trouxe três dos principais mitos – ou questionamentos – que circulam entre não especialistas, sobre infertilidade masculina, suas causas e consequências. Aproveite a leitura!

“Disfunção erétil é sinal de infertilidade”

Para compreender por que a disfunção erétil não é sinal de infertilidade, é preciso entender melhor o que configura a infertilidade masculina.

A infertilidade masculina é uma condição provocada por alterações no líquido ejaculado, sejam elas decorrentes de falhas na espermatogênese – que é o processo de formação dos espermatozoides – ou de obstruções no trajeto do sêmen, durante a ejaculação.

Entre os principais problemas relacionados à espermatogênese, os mais comuns são a azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen), oligozoospermia (baixa concentração de espermatozoides no sêmen), a astenozoospermia (quando os espermatozoides apresentam problemas de motilidade) e a teratozoospermia (uma maioria de espermatozoides com anomalias morfológicas).

A azoospermia é uma das principais causas de infertilidade masculina, e esta condição pode ser causada também por obstruções no cordão espermático, inviabilizando a chegada dos espermatozoides ao trecho do sistema reprodutivo onde encontram os líquidos glandulares, que também compõem o sêmen.

A varicocele é uma das doenças mais conhecidas, entre aquelas que provocam azoospermia, neste caso, decorrentes de alterações na rede venosa que irriga o cordão espermático, interferindo na produção dos espermatozoides.

Já a ereção é um processo que envolve principalmente o sistema circulatório, já que o pênis adquire um aspecto intumescido pela entrada massiva de sangue no interior do corpo cavernoso – que é um conjunto de galerias, localizadas no corpo do pênis.

A maior parte dos casos de disfunção erétil está relacionada a questões emocionais, ou relativas à idade do homem e à saúde do sistema circulatório, e pode representar uma dificuldade para realizar a relação sexual – motivo pelo qual as pessoas confundem esse problema com a própria infertilidade.

No entanto, a capacidade reprodutiva pode ser restaurada com tratamentos que abordem os aspectos que resultaram na disfunção erétil – e nos casos mais extremos, a reprodução assistida também pode ajudar os casais em que o homem apresenta essa comorbidade a ter filhos.

“Ter filhos indica que o homem poderá ter outro filho sem dificuldades”

Como a infertilidade não é necessariamente um problema congênito – ainda que possa ser decorrente de doenças genéticas hereditárias –, é possível que mesmo após a experiência de uma gestação anterior, o homem possa desenvolver problemas ao longo de sua vida reprodutiva, que prejudiquem a função reprodutiva.

A idade pode ser um fator importante, nesse sentido, ainda que entre as mulheres essa relação seja mais evidente. Nesses casos, a infertilidade não seria decorrente da ausência ou da baixa concentração de espermatozoides no sêmen, mas sim de problemas relacionados à sua estabilidade genética – um fator que se mostra alterado naturalmente, em função do próprio envelhecimento.

Outro aspecto importante, para os casos de infertilidade secundária – quando a condição se manifesta mesmo quando o homem já teve filhos biológicos – é a contaminação por DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).

Nestes casos, as infecções podem tanto trazer prejuízos temporários à função reprodutiva, por desencadear quadros como uretrite, orquite e epididimite, quanto deixar cicatrizes nas áreas em que a infecção ocorreu, mesmo após o tratamento. Quando essas cicatrizes se localizam no cordão espermático, podem obliterar esse ductos e provocar azoospermia obstrutiva.

“Homem infértil não pode ter filhos”

Atualmente, a medicina oferece tratamento para praticamente todas as demandas reprodutivas, através das técnicas de reprodução assistida – o que inclui essencialmente todas as formas de infertilidade masculina.

Quando a infertilidade conjugal é causada por problemas no sistema reprodutivo masculino, as técnicas mais indicadas são a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro).

Nesse sentido, a IA deve ser considerada para os casos mais leves, como oligozoospermia, astenozoospermia e teratozoospermia, contornáveis principalmente pela possibilidade de preparo seminal, enquanto a FIV é indicada para os casos mais complexos, principalmente envolvendo azoospermia, obstrutiva ou não, ou quando fatores femininos também compõem o quadro geral de infertilidade.

Assim, mesmo quando após a investigação para as causas da infertilidade conjugal, é constatado que o homem é infértil, ainda é possível ter filhos biológicos com a reprodução assistida, fazendo dessa afirmação um verdadeiro mito.

A importância de buscar auxílio médico

É fundamental que os homens compreendam a importância de buscar auxílio médico, caso desconfiem de infertilidade masculina. O tratamento de algumas doenças que provocam essa condição pode ter melhores prognósticos quando iniciados de forma precoce – especialmente a contaminação por DSTs e doenças progressivas como a varicocele.

A atitude preventiva de cuidado da saúde – não somente da saúde reprodutiva, mas do corpo inteiro e da qualidade de vida do homem – é o diferencial para evitar complicações que podem prejudicar o planejamento familiar e a realização do sonho de uma paternidade plena.

Leia mais sobre infertilidade masculina tocando neste link.

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