Art Fértil
Relação sexual programada

Relação sexual programada

Problemas de ovulação são uma causa comum de infertilidade feminina. No entanto, eles podem ser tratados pelas técnicas de reprodução assistida. Por se considerada a mais simples, da mesma forma que possui um custo mais acessível, a relação sexual programada (RSP) pode ser a primeira e mais adequada indicação.

A RSP é uma técnica de baixa complexidade em que a fecundação do óvulo ocorre naturalmente. É indicada para mulheres com até 37 anos, que possuam as tubas uterinas saudáveis, com problemas de ovulação, endometriose apenas em estágios iniciais ou diagnosticadas com infertilidade sem causa aparente (ISCA). Casos mais graves ou com tubas uterinas obstruídas recebem indicação de FIV (fertilização in vitro).

Como a fecundação ocorre naturalmente, os espermatozoides do homem também devem estar dentro dos padrões de normalidade, que podem ser confirmados pelo espermograma, teste padrão para avaliar a fertilidade masculina.

Este texto explica o funcionamento da relação sexual programada, destacando as causas que provocam alterações na ovulação e os possíveis riscos relacionados ao procedimento.

Como funciona o tratamento por relação sexual programada?

Os problemas de ovulação são caracterizados pela dificuldade de desenvolvimento e amadurecimento dos folículos e pela falha em liberar o óvulo, condição conhecida como disovulia (distúrbio na ovulação) até a ausência da ovulação denominada de anovulação.

Esses problemas resultam de irregularidades menstruais, manifestadas por ciclos mais longos ou curtos do que o normal, com maior ou menor quantidade de fluxo menstrual, que por sua vez são causadas por distúrbios hormonais, provocados por diferentes condições, entre elas a síndrome dos ovários policísticos (SOP), alterações na produção dos hormônios tireoidianos, endometriose.

O objetivo do tratamento é estimular o desenvolvimento de mais folículos e programar a relação sexual no momento da ovulação, aumentando, assim, as chances de fecundação.

A RSP inicia com a estimulação ovariana, realizada com medicamentos que têm hormônios sintéticos cujas funções são as mesmas que os produzidos pelo organismo da mulher. Esses medicamentos são administrados desde o início do ciclo menstrual, quando ocorre a menstruação.

Assim como os hormônios naturais, eles estimulam o crescimento e desenvolvimento folicular. No entanto, no ciclo normal, apenas um se desenvolve e ovula, enquanto na RSP o protocolo busca o crescimento de até 3 óvulos para aumentar as chances de sucesso.

Para a maturação final dos folículos e rompimento deles, também são utilizados medicamentos hormonais, administrados, nesse caso, a partir do momento que a ultrassonografia identifica que os folículos estão do tamanho adequado.

Realizadas periodicamente, elas acompanham o desenvolvimento folicular, permitindo a identificação do momento ideal para que sejam induzidos à ovulação, que ocorre em cerca de 35 horas.

Da mesma forma, permitem indicar o período da ovulação para programar a relação sexual. Como na gestação natural, considera o tempo de sobrevida do espermatozoide no organismo feminino, cerca de 3 dias, e do óvulo, 24 horas.

Após mais ou menos 15 dias, a gravidez pode ser confirmada, quando a concentração de beta-hCG, conhecido como o hormônio da gravidez, que começa a ser produzido quando o embrião implanta, já está mais alta. Pode ser feita por testes de urina facilmente encontrados em farmácias ou por exames de sangue.

No entanto, o exame de sangue beta-hCG quantitativo é o mais indicado, uma vez que ele proporciona a determinação, inclusive, do tempo de gravidez.

A RSP pode ser realizada por até seis ciclos consecutivos, embora, na maioria dos casos, a gravidez ocorra antes, quando bem indicada.

Quais são os riscos provocados pela relação sexual programada?

O principal risco está associado ao uso dos medicamentos hormonais. Ao estimularem o desenvolvimento de mais folículos, eles podem levar à gestação múltipla, que apresenta mais riscos tanto para a mulher como para a gestação em si.

Os medicamentos hormonais também estimulam os ovários a produzir mais hormônios, aumentando o risco para o desenvolvimento de uma condição conhecida como síndrome da hiperestimulação ovariana (SHO), embora seja bastante rara, principalmente nesse tipo de tratamento que a dose dos medicamentos são bem mais leves quando comparada à FIV.

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