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Miomas uterinos

Miomas uterinos

Miomas uterinos são tumores não cancerosos que se desenvolvem frequentemente durante a idade reprodutiva. Também chamados leiomiomas ou fibromas, não estão associados a risco aumentado de neoplasias uterinas e raramente evoluem para malignidade.

De diferentes tamanhos, eles variam de poucos milímetros a massas mais volumosas, que podem causar alterações no útero ou aumentar o volume uterino. Na maioria das vezes são assintomáticos, descobertos durante o exame de rotina e tendem a retroceder naturalmente.

No entanto, quando se desenvolvem durante a fase reprodutiva, podem manifestar sintomas que impactam a qualidade de vida das mulheres portadoras, como sangramento abundante e cólicas severas. Os diferentes tipos de miomas são classificados de acordo com o local de desenvolvimento, o que também interfere nos sintomas.

Além disso, de acordo com o local de crescimento, podem afetar a fertilidade. Miomas que crescem dentro da cavidade uterina, por exemplo, tendem a causar infertilidade, abortos espontâneos ou partos prematuros.

Este texto explica os miomas uterinos, destacando os tipos, a classificação, os fatores de risco, diagnóstico e tratamento.

Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de miomas?

Ainda que a etiologia dos miomas permaneça desconhecida, sabe-se que eles são formados a partir de uma única célula do miométrio, que se multiplica e cresce, originando-os. Estudos sugerem que esse crescimento pode ser estimulado por vários fatores, entre eles estão a genética, a diferença racial, a obesidade ou mesmo o estilo de vida. Veja os principais:

Genética: mulheres que têm parentes de primeiro grau com miomas têm mais chances de desenvolvê-los;

Diferença racial: mulheres negras têm uma propensão até três vezes maior, quando comparadas a mulheres brancas;

Obesidade e envelhecimento: a prevalência de miomas registrada em mulheres obesas também é bastante alta, assim como em mulheres acima dos 40 anos;

Hormônios: miomas estão entre as patologias femininas dependentes de estrogênio, por isso, ao mesmo tempo que podem ser estimulados pela ação do hormônio, tendem a retroceder na menopausa, fase em que os níveis diminuem;

Menarca precoce: o risco também é maior para mulheres que menstruam precocemente;

Estilo de vida: hábitos como o consumo excessivo de álcool, de cafeína e de alimentos como carne vermelha são também associados ao desenvolvimento de miomas.

Quais são os tipos e sintomas de miomas uterinos?

Os miomas são classificados em três tipos, de acordo com a localização, critério que interfere, da mesma forma, nos sintomas manifestados por eles e na fertilidade.

Miomas submucosos

Crescem na parte mais próxima da cavidade uterina, podendo invadi-la (intracavitários). O principal sintoma manifestado por esse tipo de mioma é sangramento abundante com cólicas severas entre os períodos menstruais.

Os miomas submucosos podem dificultar a implantação do embrião, levando a falhas e, consequentemente, ao abortamento espontâneo. Da mesma forma, são associados a complicações na gravidez, entre elas descolamento da placenta, parto prematuro e hemorragia pós-parto.

Miomas intramurais

Crescem na parede do útero, no próprio miométrio, e têm tamanhos variados, desde poucos milímetros a vários centímetros. Os sintomas se manifestam nos casos em que eles atingem dimensões maiores e são semelhantes aos dos submucosos: sangramento abundante com cólicas severas. Em alguns casos, também podem interferir no processo de implantação ou causar complicações na gravidez.

Miomas subserosos

Crescem na parte mais externa do miométrio, próximos à cavidade abdominal. Como possuem menor limitação de espaço, podem atingir grandes dimensões. Nesse caso, tendem a causar a compressão de órgãos como bexiga e intestinos, manifestando a vontade frequente de urinar e constipação, ao mesmo tempo que causam inchaço.

Alguns miomas podem crescer na superfície externa do útero e desenvolvem uma haste para suportá-los, geralmente com maior mobilidade. Por isso, quando retorcem, causam dor severa.

No entanto, assim como na maioria das vezes os miomas são assintomáticos, nem todos eles causam problemas na gestação.

Como os miomas uterinos são diagnosticados?

O diagnóstico de miomas geralmente é feito a partir da realização de exames de imagem, que possibilitam confirmar a localização e determinar o tamanho, critérios importantes para a definição do tratamento.

Nos casos em que eles provocam sangramento anormal, podem ser realizados exames de sangue para confirmar se ele resultou em anemia ou se há distúrbios hemorrágicos, ou testes hormonais, que possibilitam analisar os níveis dos hormônios reprodutivos. Alterações nos níveis também manifestam sintomas como sangramento anormal e, da mesma forma, são indicativos de outras condições que afetam a fertilidade.

Os principais exames de imagem realizados são a ultrassonografia transvaginal, que possibilita identificar os miomas localizados no útero, e a histerossonografia, uma variação da ultrassonografia realizada com soro fisiológico para expandir a cavidade uterina, que, além dos miomas submucosos, proporciona a visualização de miomas intramurais.

A histerossalpingografia, um exame de Raio-X com contraste iodado para realçar a cavidade uterina, é recomendado principalmente se houver problemas de fertilidade.

Outros dois exames também possibilitam uma visualização mais detalhada da cavidade uterina e a identificação de diferentes tipos de miomas: a ressonância magnética (RM) e a videohisteroscopia ambulatorial.

A videohisteroscopia, entretanto, ao mesmo tempo que é um método minimamente invasivo, utiliza um histeroscópio com uma câmera acoplada que proporciona a transmissão em tempo real por um monitor, permitindo a avaliação mais precisa da cavidade uterina, sendo o padrão-ouro para definir se o mioma é totalmente intramural ou se estaria entrando na cavidade uterina, tendo um componente submucoso.

Os resultados diagnósticos orientam a abordagem de tratamento mais adequada para cada caso.

Como o tratamento para miomas uterinos é realizado?

Para definição do tratamento mais adequado, além de critérios como localização e tamanho, o grau de severidade dos sintomas também é considerado. Em mulheres assintomáticas, por outro lado, normalmente são apenas regularmente observados.

A terapia hormonal é indicada para a redução do tamanho dos miomas e controle dos sintomas. É importante para mulheres que ainda pretendem engravidar. No entanto, após ser descontinuada, os miomas tendem a retornar ao tamanho original.

A ultrassonografia focada guiada por MRI, um método em que as ondas de ultrassom provocam uma necrose coagulante nos miomas, pode ser utilizada se houver sangramento e cólicas severas.

Outro procedimento não cirúrgico, a embolização da artéria uterina também é uma alternativa importante. Ele prevê a injeção de substâncias que obstruem o fluxo sanguíneo que alimenta os miomas, causando a redução deles.

O tratamento cirúrgico é recomendado apenas se os miomas causarem anormalidades uterinas ou quando os sintomas são mais severos. O procedimento, conhecido como miomectomia, é atualmente realizado por videohisteroscopia cirúrgica ou laparoscopia, a depender se o mioma é submucoso (dentro da cavidade uterina) ou intramural/subseroso (na parede uterina ou crescendo para fora do útero), respectivamente.

Na maioria dos casos, os miomas são extraídos ainda durante o diagnóstico. A prática é conhecida pela medicina como see and treat (ver e tratar).

Para mulheres com sintomas mais graves que não desejam engravidar, a histerectomia, cirurgia em que o útero é parcialmente ou totalmente removido, pode ser uma opção.

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