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TESE e Micro-TESE

TESE e Micro-TESE

// Por artfertil

A ausência de espermatozoides no sêmen, condição conhecida como azoospermia. Pode ser obstrutiva e não obstrutiva.

TESE e Micro-TESE são técnicas cirúrgicas utilizadas para recuperar os espermatozoides diretamente dos testículos, local em que são produzidos, nos casos em que a azoospermia é diagnosticada como não obstrutiva, ou seja, quando a ausência de espermatozoides no sêmen é provocada pela diminuição ou interrupção da produção. É classificada em dois tipos: pré-testicular e testicular.

As técnicas são utilizadas na FIV (fertilização in vitro) com injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI). Após a recuperação, são selecionados os espermatozoides de melhor qualidade para fecundar os óvulos durante o tratamento.

Este texto explica o funcionamento de TESE e Micro-TESE na FIV, destacando as causas que provocam a azoospermia não obstrutiva.

O que provoca a azoospermia não obstrutiva?

O que provoca a azoospermia não obstrutiva

O processo para formação dos gametas masculinos é chamado gametogênese e ocorre nos túbulos seminíferos, localizados nos testículos. A alteração na produção pode resultar de diferentes causas, de acordo com o tipo de azoospermia não obstrutiva: pré-testicular ou testicular.

Na azoospermia pré-testicular, os testículos são normais, porém não produzem espermatozoides. A ausência de produção surge como consequência da deficiência de hormônios sexuais, provocada por distúrbios genéticos ou pelo uso de medicamentos para o tratamento de câncer.

A azoospermia testicular, por outro lado, resulta de danos testiculares, causados por lesões ou por inflamações que afetam o sistema reprodutor, como orquite, epididimite e prostatite, causadas geralmente por bactérias, incluindo as sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae.

Doenças como diabetes, cirrose, insuficiência renal ou caxumba e condições como a varicocele, quando há formação de varizes no cordão espermático, que sustenta os testículos, também podem comprometer a produção dos gametas masculinos.

Recuperação de espermatozoides por TESE e Micro-TESE

O tratamento por FIV inicia com a estimulação ovariana da parceira, procedimento realizado por medicamentos específicos que têm como propósito estimular o desenvolvimento de muitos mais folículos para obter mais óvulos maduros.

Medicamentos hormonais também induzem a maturação final dos folículos e antes da ovulação é feita a coleta dos óvulos maduros por punção.

Durante a punção, os espermatozoides são extraídos dos testículos por TESE ou Micro-TESE. A técnica mais adequada para cada caso é indicada de acordo com as caraterísticas seminais do homem.

A TESE, extração de espermatozoides dos testículos, é um método cirúrgico aberto, realizado sem o auxílio de microscópio, que extrai os gametas masculinos a partir de uma biópsia do tecido testicular. Prevê o uso de anestesia local e geralmente é realizado na própria clínica de reprodução assistida.

Para realizar a recuperação, é feita uma incisão na bolsa testicular, expondo os testículos. Diversos fragmentos dos túbulos seminíferos, local em que são produzidos, são então coletados e analisados em laboratório ainda durante o procedimento. O processo pode ser repetido no mesmo testículo ou no outro, até que uma quantidade suficiente de espermatozoides seja recuperada para a fecundação.

Após a coleta, os testículos são recolados na bolsa, e as incisões, suturadas.

A Micro-TESE, extração de espermatozoides testicular microcirúrgica, é semelhante à TESE. Os procedimentos se diferenciam apenas pelo uso de um microscópio potente, que proporciona a ampliação dos túbulos seminíferos e a detecção dos que contêm mais espermatozoides para serem extraídos seletivamente.

Apesar de ser considerada uma abordagem minimamente invasiva, geralmente é realizada com o uso de anestesia geral, em ambiente hospitalar.

A Micro-TESE, no entanto, proporciona a coleta de uma maior quantidade de espermatozoides, quando comparada com a TESE, assim como os danos testiculares são praticamente inexpressivos. Por isso, geralmente é a técnica mais indicada para recuperação de espermatozoides em homens com azoospermia não obstrutiva.

Após serem extraídos, os espermatozoides com melhor morfologia e motilidade são selecionados pelo preparo seminal, técnica fundamental para a melhoria da fertilidade masculina. Os espermatozoides capacitados oferecem mais chances de fecundação e implantação do embrião, uma vez que aumenta as chances de obter embriões de boa qualidade.

Óvulos e espermatozoides são fecundados em laboratório pela FIV com ICSI. Nesse caso, ante a pequena quantidade de espermatozoides, a ICSI tem indicação absoluta. Não é possível realizar a fecundação do óvulo com poucos espermatozoides utilizando o método clássico, já praticamente não utilizado.

Na ICSI, os óvulos são fecundados individualmente com cada um dos espermatozoides selecionados. Para isso, é utilizado um microscópio de alta resolução e uma agulha extremamente fina, com diâmetro menor que o do óvulo. O espermatozoide é depositado diretamente no citoplasma do óvulo (ICSI).

Os embriões formados são cultivados em laboratório e depois transferidos ao útero, como ocorre normalmente na FIV.

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