Art Fértil
Adenomiose

Adenomiose

A adenomiose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o útero, cresce na camada muscular (miométrio). O tecido ectópico também reage à ação do estrogênio, hormônio responsável pelo espessamento do endométrio em cada ciclo menstrual, aumentando, dessa forma, o fluxo e a manifestação de cólicas severas.

Por ser dependente de estrogênio, por outro lado, assim como outras patologias uterinas, tende a diminuir na menopausa, quando os níveis dos hormônios são mais baixos. Além disso, a adenomiose é benigna e raramente afeta a fertilidade feminina.

Embora a etiologia da adenomiose ainda seja desconhecida, diferentes teorias explicam o crescimento do tecido ectópico.

Este texto aborda a adenomiose. Destaca as teorias que explicam o crescimento do tecido endometrial ectópico, os sintomas que indicam a necessidade de procurar auxílio médico, os métodos diagnósticos e os tratamentos indicados.

O que pode provocar adenomiose?

O crescimento do tecido ectópico no miométrio causa a formação de pequenas bolsas e é explicado por diferentes teorias. Elas sugerem que as células do endométrio podem ter sido depositadas no miométrio ainda durante o desenvolvimento fetal ou surgir como consequência de inflamações que afetam o miométrio ou de cirurgias.

Outra teoria mais recente aborda a possibilidade de o miométrio ser invadido por células-tronco da medula óssea, causando adenomiose.

A adenomiose é mais frequentemente registrada em mulheres acima dos 40 anos que tiveram filhos, critério considerado, inclusive, um dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Porém, pode ocorrer em qualquer idade. Quando se desenvolve na fase fértil, ainda que raramente, há o risco de afetar a fertilidade.

Apesar de existirem poucas evidências científicas, a alteração na fertilidade é justificada por alguns estudos. Eles explicam que as bolsas que se formam no miométrio tendem a causar hipermobilidade uterina irregular, inibindo o transporte de espermatozoides até as tubas uterinas, dificultando a fecundação, ou mesmo a mobilidade do embrião formado e a sua capacidade de implantação, assim como pode interferir na formação da placenta.

Além disso, o tecido ectópico pode causar uma disfunção da zona funcional, limite entre o miométrio e o endométrio, resultando em irregularidades na menstruação ou falhas na implantação do embrião, inclusive nos tratamentos por fertilização in vitro (FIV).

Quais são os sintomas de adenomiose?

Os principais sintomas relacionados à adenomiose são o aumento do fluxo menstrual e cólicas severas, que surgem como consequência das bolsas formadas no miométrio.

O sangramento pode ocorrer ainda durante os períodos menstruais ou mesmo ser prolongado em alguns casos. Em estágios mais avançados da doença, pode haver a manifestação de dor durante as relações sexuais, condição conhecida como dispareunia, inchaço ou pressão abdominal.

Um especialista deve ser consultado se houver o aumento de fluxo menstrual por mais de dois meses consecutivos. Mesmo sendo uma doença crônica, quando é diagnosticada precocemente, há maiores chances de os sintomas serem interrompidos com o tratamento.

Como a adenomiose é diagnosticada?

Como os sintomas manifestados pela adenomiose também são característicos de outras condições dependentes de estrogênio, entre elas endometriose, miomas uterinos e pólipos endometriais, o diagnóstico é feito por exclusão, a partir da realização de exames de imagem, que confirmam a presença do tecido ectópico no miométrio.

A ultrassonografia transvaginal geralmente é o primeiro exame realizado. No entanto, embora possibilite a detecção de pólipos endometriais, miomas localizados no útero e das bolsas que se formaram no miométrio, nem sempre diferencia com precisão essas três patologias.

Por isso, são realizados outros exames complementares, entre eles a ressonância magnética (RM) e a videohisteroscopia ambulatorial, que proporcionam uma análise mais detalhada da cavidade uterina e, consequentemente, melhor percepção das bolsas e ao mesmo tempo a detecção de endometriose e de todos os tipos de miomas.

As células do miométrio podem ainda ser coletadas durante a videohisteroscopia para análise por biópsia. O diagnóstico definitivo, entretanto, só é possível quando há remoção do útero, quando uma análise mais criteriosa pode ser realizada.

Quais tratamentos são indicados para adenomiose?

O tratamento para adenomiose pode ser farmacológico ou realizado por procedimentos não cirúrgicos e cirúrgicos.

São prescritos analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para aliviar dor e inflamação características do tecido ectópico e medicamentos hormonais para sintomas como aumento do fluxo menstrual e cólicas severas, que reequilibram os níveis hormonais, resultando em diminuição das bolsas e, consequentemente, dos sintomas.

O procedimento não cirúrgico geralmente adotado é a embolização da artéria uterina (EAU). Ele prevê a injeção de uma substância para obstruir o fluxo sanguíneo e interromper o corte de suprimento para que as bolsas naturalmente diminuam.

O tratamento cirúrgico, por outro lado, é recomendado apenas quando os sintomas, além de maior severidade, interferem na qualidade de vida das mulheres. Porém, é eficaz apenas quando a adenomiose não penetrou o miométrio mais profundamente.

Prevê a eliminação ou destruição do tecido ectópico por ablação endometrial e geralmente é realizado por videohisteroscopia cirúrgica, em muitos casos ainda durante o procedimento diagnóstico.

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