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Preservação social da fertilidade

Preservação social da fertilidade

// Por artfertil

Preservação social da fertilidade é o termo que define o procedimento utilizado para preservar a fertilidade antes do declínio natural que ocorre em virtude do avançar da idade. Prevê o congelamento de gametas (óvulos e espermatozoides) ou de embriões, uma das técnicas complementares à FIV (fertilização in vitro).

A intenção de adiar os planos de gravidez é motivada por diferentes fatores, como o aumento de oportunidade para as mulheres no mercado corporativo e a demora em encontrar um parceiro estável para estabelecer esse projeto familiar.

Nas últimas décadas, com o avanço dos métodos de congelamento, que permitem a criopreservação por mais tempo das células e altas taxas de sucesso, a preservação social da fertilidade se tornou tendência em muitas partes do mundo.

No Brasil, o procedimento pode ser realizado desde 2013, quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) permitiu o acesso às técnicas para pessoas solteiras que desejam engravidar, independentemente de terem ou não problemas de fertilidade.

Este texto explica como é realizada a preservação da fertilidade feminina e masculina na FIV (fertilização in vitro), destacando os possíveis riscos relacionados ao procedimento.

Como a preservação social da fertilidade é realizada?

Na criopreservação de gametas e embriões, são coletados e selecionados os óvulos maduros e espermatozoides de boa motilidade e morfologia para serem congelados. A qualidade morfológica dos embriões formados também é analisada e apenas os bons são congelados para uso posterior.

Embora a preservação social da fertilidade seja mais frequentemente uma opção feminina, na qual a influência da idade é mais linear sobre a produção e qualidade dos óvulos, os homens também sofrem esse declínio na fertilidade masculina, mas de forma mais sutil, tendo em vista que estão sempre produzindo espermatozoides e a mulher já nasce com o número de óvulos determinado e vai perdendo ao longo dos anos. Casais estáveis, mas que desejam adiar o projeto da paternidade e maternidade, podem também congelar embriões para não se sentirem pressionados pelo tempo e idade.

Por muito tempo, a técnica de congelamento lento foi utilizada para esse fim, mas as taxas de sucesso nunca foram expressivas. Hoje, a técnica mais empregada para criopreservação é a vitrificação, um processo bastante diferente do lento. Sendo um método de congelamento ultrarrápido e que utiliza substâncias crioprotetoras, evita a formação de cristais de gelo que podem danificar as células criopreservadas.

Dessa forma, o congelamento pode ser mantido por muitos anos – tempo indeterminado. Isso facilitou e expandiu as indicações, à medida que melhorou a taxa de sobrevida dos gametas e embriões, além da taxa de sucesso.

Diferentes exames são solicitados antes de o tratamento iniciar. Para avaliar a fertilidade feminina, testes de avaliação da reserva ovariana são realizados. Já os homens, como é de costume, realizam o espermograma, que fornece informações fundamentais para a análise da fertilidade.

Tanto o homem como a mulher são avaliados individualmente, que indica os exames que forem necessários para o congelamento.

Procedimento feminino

A preservação da reserva ovariana começa com a estimulação ovariana, uma vez que os ovários naturalmente recrutam apenas um folículo dominante por ciclo, quantidade muito pequena para a preservação da fertilidade.

Na estimulação ovariana, a mulher faz uso de medicamentos hormonais com o objetivo de estimular o desenvolvimento de mais folículos, cujo crescimento é acompanhado por ultrassonografias seriadas (a cada dois ou três dias, a mulher precisa ir à clínica para realizar o exame). O acompanhamento é fundamental para verificar a resposta da mulher aos medicamentos.

Quando os folículos atingem as dimensões esperadas, a mulher recebe uma dose única de hCG, que provoca o amadurecimento final dos folículos e inicia o processo de ovulação.

A ovulação ocorre em cerca de 35 horas e os folículos são extraídos por punção folicular. Os óvulos maduros são coletados dos folículos no laboratório e analisados. Os melhores são congelados.

Procedimento masculino

A preservação da fertilidade masculina inicia diretamente com a coleta do sêmen. O homem vai à clínica e, por masturbação, colhe a amostra necessária ao congelamento. Os espermatozoides com melhor motilidade e morfologia são selecionados e congelados.

O processo de preservação social da fertilidade masculina é mais simples que o da feminina, pois não precisa de hormônios e/ou procedimento invasivo, apesar de a idade influenciar na qualidade do sêmen de forma mais leve, atualmente homens que vão fazer vasectomia e temem se arrepender podem fazer o congelamento antes do procedimento.

Procedimento de preservação dos embriões

Para criopreservar os embriões, opção geralmente feita por casais, os gametas (óvulos e espermatozoides) selecionados são fecundados em laboratório. Os embriões gerados são cultivados até o estágio de D3 ou D5 (blastocisto) e a seguir congelados.

As taxas de gravidez obtida por gametas e embriões congelados são semelhantes às obtidas com material genético fresco. A FIV é a técnica de reprodução assistida que registra os maiores percentuais de sucesso gestacional por ciclo de realização do tratamento.

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