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Adenomiose: saiba mais sobre o diagnóstico

Adenomiose: saiba mais sobre o diagnóstico

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O sistema reprodutivo feminino é complexo, sendo composto por diversos órgãos. Um dos mais importantes é o útero, formado por três camadas, o endométrio, o miométrio e o perimétrio.

O endométrio é a camada que reveste a parede interna do útero. Essa camada é fundamental para a reprodução, já que participa diretamente da gestação, respondendo à influência dos hormônios, estrogênio e progesterona, durante os ciclos menstruais da mulher.

Sob ação do estrogênio, o endométrio modifica sua estrutura, apresentando um espessamento fundamental para que o embrião consiga se fixar e iniciar a gestação. Já a progesterona, que age após a ovulação, faz com que o espessamento estacione, estratificando o endométrio para que esteja finalmente receptivo à implantação embrionária.

O miométrio é a camada intermediária do útero, que se localiza entre o endométrio e o perimétrio e é responsável pelas capacidades de elasticidade e contratilidade do órgão. A fronteira entre o endométrio e o miométrio é composta por tipos celulares dos dois tecidos e é chamada zona juncional.

Na adenomiose observamos um espessamento da zona juncional entre endométrio e miométrio, com a invasão de células endometriais que respondem à atividade hormonal e tornam-se inflamadas.

Nesse sentido, podemos dizer que a adenomiose é a inflamação do miométrio, e é sobre essa doença especificamente que iremos abordar neste texto. Boa leitura!

O que é adenomiose e como ela costuma se manifestar?

A adenomiose é uma doença estrogênio-dependente, assim como os miomas uterinos e a endometriose, ou seja, seu desenvolvimento, bem como o aumento dos sintomas, estão diretamente ligados relacionados à presença desse hormônio no corpo da mulher.

Essa inflamação é causada pela infiltração de células do endométrio dentro do miométrio, invadindo a zona juncional. Isso costuma acontecer quando, por fatores diversos, a zona juncional não está formada de maneira adequada e não mantém o isolamento entre os tecidos, permitindo que parte do endométrio consiga penetrar no miométrio.

As células do endométrio, quando invadem o miométrio respondem à ação dos estrogênios se multiplicando e aumentando de tamanho, o que provoca uma reação inflamatória local envolvendo boa parte do útero.

Os sintomas da adenomiose costumam aparecer mais frequentemente após o parto e intervenções cirúrgicas no endométrio e são causados pelo processo inflamatório desencadeado pela doença. Os principais são:

Como é feito o diagnóstico de adenomiose?

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O diagnóstico da adenomiose é realizado inicialmente com a observação dos sintomas que são apresentados durante a primeira consulta, como dores e sangramentos intensos, além da dificuldade em conseguir uma gravidez. A partir disso, são realizados outros exames para obter um diagnóstico mais específico, que confirme a adenomiose.

Geralmente, utiliza-se exames de imagem para identificar a adenomiose e, entre eles a ultrassonografia pélvica transvaginal, a histerossonografia e a ressonância magnética.

A histerossonografia é um exame semelhante à ultrassonografia transvaginal comum, com a diferença de que uma quantidade específica de soro é inserida na cavidade uterina, preenchendo esse espaço para que a visualização seja mais clara.

Como a ressonância magnética é um exame mais caro e complexo, costuma ser utilizado para a confirmação diagnóstica, quando os procedimentos envolvendo as modalidades de ultrassom mencionadas apontam a possibilidade de adenomiose.

Como é feito o tratamento da adenomiose?

Inicialmente a adenomiose costuma ser tratada com medicamentos anti-inflamatórios para amenizar os sintomas. Além disso, como essa é uma doença estrogênio-dependente, medicamentos hormonais costumam ser utilizados para melhorar a qualidade de vida da mulher. Esse tratamento, porém, tem um efeito anticoncepcional e ela não pode engravidar enquanto estiver sendo tratada.

A adenomiose não tem cura e o tratamento definitivo para a doença é a retirada total do útero. Essa opção normalmente é feita levando em consideração a idade da mulher e quando os medicamentos anti-inflamatórios e hormonais não estão mais conseguindo controlar os sintomas e o avanço da doença.

A retirada do útero, porém, deixa a mulher infértil de maneira permanente. Nesses casos, se a mulher está em idade fértil e ainda deseja ter filhos, pode receber indicação para reprodução assistida, especialmente para FIV (fertilização in vitro) com a cessão temporária de útero.

Por ser uma técnica bastante avançada e que possui tecnologias complementares que ampliam sua abrangência, permite que os gametas do casal sejam coletados e fecundados em laboratório. Na cessão temporária de útero, os embriões obtidos são transferidos diretamente para o útero da mulher que irá gestar o bebê.

É importante lembrar que a escolha da mulher que passa pela gestação, na cessão temporária de útero, precisa seguir uma série de critérios determinados pelo Conselho Federal de Medicina (CFM),o órgão responsável pela regulação das diversas técnicas de reprodução assistida no Brasil.

Se você ainda deseja saber mais sobre a adenomiose basta tocar neste link e acessar outro conteúdo sobre o assunto.

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