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Aspiração folicular na FIV: como é feita?

Aspiração folicular na FIV: como é feita?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Principal e mais complexa técnica de reprodução assistida existente hoje, a fertilização in vitro (FIV) tem ótimas taxas de sucesso. De acordo com a Sociedade de Tecnologia de Reprodução Assistida dos Estados Unidos (SART), o índice de nascimentos após esse tipo de tratamento hoje ultrapassa os 30%.

A principal característica da FIV é o fato de a fertilização ser feita em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher. Para que isso ocorra, evidentemente, é necessário que os gametas femininos e masculinos (óvulos e espermatozoides, respectivamente) estejam disponíveis no ambiente laboratorial.

No caso dos espermatozoides, a coleta é simples: ocorre normalmente por meio da masturbação ou, em alguns casos, usando técnicas específicas.

Mas e os óvulos: você sabe como eles são retirados dos ovários da mulher? Para isso existe um procedimento chamado de aspiração folicular, em que os gametas femininos são “sugados” para fora do corpo.

Apesar de parecer complexo, o procedimento é bastante simples e rápido. Neste artigo vamos explicar como ocorre a aspiração folicular e o que você deve esperar caso esteja se preparando para ele. Confira.

Como é realizada a FIV

A FIV é considerada a técnica de reprodução assistida mais complexa – e a mais eficaz – existente hoje. Isso porque parte dos seus processos, incluindo a própria fertilização do óvulo pelo espermatozoide, é realizada em laboratório, fora do corpo feminino.

Essa técnica de reprodução assistida, que vem se popularizando cada vez mais, é composta de cinco etapas: estimulação ovariana e indução da ovulação, aspiração folicular e coleta dos espermatozoides, fertilização, cultivo embrionário e transferência dos embriões. Entenda o passo a passo:

Estimulação ovariana e indução da ovulação

Para maximizar as chances de sucesso da FIV, é necessário ter o maior número possível de óvulos. Dessa forma, é mais provável que haja gametas de boa qualidade, capazes de gerar bons embriões. Por isso, o tratamento começa com um processo de estimulação ovariana, em que a mulher administra hormônios injetáveis para produzir mais de um óvulo naquele ciclo.

Durante esse período, o médico faz um acompanhamento por meio de ultrassonografias, avaliando o crescimento dos folículos. Não há um limite para o número de óvulos produzidos, pois os que não forem utilizados podem ser congelados para futuras tentativas ou para doação.

Uma vez que os folículos ovarianos chegam ao tamanho ideal, a paciente será orientada a aplicar outro tipo de hormônio a gonadotrofina coriônica humana (hCG), responsável por desencadear a ovulação.

Nos casos em que as pacientes não irão transferir os embriões de imediato (a fresco) e/ou tenham tido uma resposta excessiva, com grande quantidade de folículos e consequentemente risco de ter uma complicação da hiperestimulação ovariana controlada, que se chama síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), administra-se um análogo de GnRH em vez do hCG para induzir a ovulação, uma vez que ele diminui o risco da SHO para menos de 1%.

Aspiração folicular e coleta dos espermatozoides

Aproximadamente 36 horas depois da administração do hCG, deve ser feito o procedimento de punção ou aspiração folicular, para retirada dos óvulos maduros.

No mesmo dia, o parceiro vai até a clínica para realizar a coleta dos espermatozoides, geralmente por meio da masturbação. Em alguns casos, como quando o homem tem baixa concentração de espermatozoides, é possível utilizar as chamadas técnicas de recuperação espermática, nas quais os espermatozoides são retirados a partir dos testículos ou epidídimos.

Fertilização

Depois de coletados os gametas do casal, o sêmen passa por um preparo em laboratório e são colocados junto dos óvulos, para que ocorra a fertilização. Nessa etapa, pode ser utilizada também a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), em que um espermatozoide é introduzido dentro de um óvulo. Atualmente, essa técnica é feita de rotina, mesmo quando o sêmen está bom, visando aumentar as taxas de fertilização dos óvulos

Cultivo embrionário

Os embriões ficam então em cultivo, também em laboratório. Esse período pode ser de dois a cinco dias, de acordo com a estratégia médica definida.

Transferência embrionária

Depois do cultivo in vitro, os embriões estarão prontos para serem transferidos para o útero da mulher, na esperança de que se implantem na parede do útero para iniciar uma gravidez.

O que esperar da aspiração folicular

A aspiração folicular consiste em um procedimento simples, realizado em ambiente ambulatorial, no qual os óvulos são retirados dos ovários para que seja realizada a fertilização em laboratório. A paciente será orientada a ficar em jejum por oito horas antes do procedimento, uma vez que ele é realizado sob sedação para evitar qualquer dor ou desconforto.

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Para que seja feita a aspiração folicular, a paciente fica em uma mesa ginecológica e é então sedada para que seja introduzida, via vaginal, uma sonda com uma agulha extremamente fina. É por meio dessa agulha que serão aspirados os óvulos que estiverem dentro dos folículos ovarianos, mas apenas os óvulos maduros estão aptos a serem fecundados.

Para poder se guiar durante a aspiração folicular, o médico conta com um aparelho de ultrassom. Após se recuperar da sedação, que leva aproximadamente 30 minutos, a paciente é liberada e pode ir para casa. Nesse dia, a mulher deve ficar de repouso e poderá sentir um pouco de cólica e/ou ter sangramento leve.

A aspiração folicular, portanto, é uma etapa fundamental de uma FIV, uma vez que é nesse momento que são coletados os gametas femininos para viabilizar a fecundação e gerar os embriões. Ela é um procedimento simples, rápido, e a paciente tem alta no mesmo dia. Para saber mais sobre a FIV, suas etapas, indicações e técnicas complementares, toque aqui e confira este outro conteúdo do nosso site.

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