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Avaliação da reserva ovariana: como é feita?

Avaliação da reserva ovariana: como é feita?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Quando um casal planeja ter filhos, muitos são os fatores que devem ser levados em consideração nessa tomada de decisão, sendo a idade da mulher um dos mais importantes, uma vez que com o tempo sua fertilidade diminui.

A partir dos 35 anos de idade, os gametas femininos (óvulos) passam a perder qualidade e diminuir em quantidade de forma mais intensa, processo que acontece de forma progressiva com o avanço da idade.

A quantidade de folículos ovarianos é chamada reserva ovariana e diminui de forma natural durante toda a vida, inclusive antes da primeira menstruação.

Mesmo com o uso de anticoncepcionais que inibem a ovulação, a cada ciclo menstrual são perdidos cerca de mil óvulos. A perda da reserva ovariana não pode ser evitada. No entanto, podemos avaliá-la com exames, que ajudam na avaliação da fertilidade da mulher.

Quer saber como essa avaliação é feita? Acompanhe o texto!

O que é reserva ovariana?

Reserva ovariana é a quantidade de folículos disponíveis para amadurecimento e ovulação, chamados folículos antrais. A quantidade de gametas femininos disponível para toda a vida da mulher está presente já no período intrauterino e não aumenta durante a vida.

Na vida intrauterina, por volta da 20ª semana de gestação, a reserva ovariana conta com cerca de 7.000.000 de oócitos, que ao nascimento já são cerca de 2.000.000 e na puberdade chegam a 200.000 a 300.000. Na menopausa, a reserva ovariana acaba, impossibilitando a gestação.

A diminuição da reserva ovariana é gradativa a partir da puberdade, acentuando-se aos 35 anos e ainda mais depois dos 40 anos.

Avaliação da reserva ovariana

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A avaliação da fertilidade feminina, assim como da masculina, é individualizada. Inicia-se na anamnese com avaliação do histórico familiar e individual da mulher ou do casal, em que são analisados fatores como qualidade de vida, idade, gestações ou partos precedentes, bem como a possibilidade de distúrbios que possam trazer complicações para a gestação. Dependendo desse histórico inicial, a avaliação é encaminhada.

O principal objetivo dessa investigação da infertilidade é indicar a técnica de reprodução assistida mais adequada para cada caso, sendo a avaliação da reserva ovariana uma etapa importante.

Existem dois procedimentos para estimar a reserva ovariana de uma mulher: dosagem das concentrações séricas dos hormônios FSH (folículo-estimulante) associado à dosagem do estradiol e HAM (hormônio antimülleriano) e ultrassom transvaginal para contagem de folículos antrais (que têm o potencial de amadurecer e ovular).

Espera-se que mulheres com 35 anos ou mais já tenham uma reserva ovariana reduzida, enquanto as mais jovens apresentem reserva preservada.

O que podem indicar os resultados?

Os resultados não são uma sentença. Eles se somam aos resultados de outros exames para que seja tomada a melhor decisão. Ainda existem muitos estudos relacionados aos exames que avaliam a reserva ovariana.

Resultados que mostram altas concentrações de FSH e baixas concentrações de HAM podem indicar que está havendo uma perda da reserva ovariana, assim como quando o resultado da contagem de folículos é baixa.

Os exames de reserva ovariana sugerem FOP (falência prematura ovariana) quando há um comprometimento severo da reserva antes dos 40 anos, mas seus resultados também são úteis na avaliação do potencial de fertilidade de mulheres mais velhas que desejam engravidar.

Infertilidade e reprodução assistida

Como fica simples concluir, a diminuição da reserva ovariana é um indicador para urgência reprodutiva, dando o diagnóstico de diminuição da fertilidade feminina.

Quando uma baixa reserva ovariana é diagnosticada, as técnicas de reprodução assistida podem ser indicadas para que o casal possa ter filhos. Pode ser indicada a RSP (reprodução sexual assistida) e/ou IIU (inseminação intrauterina), se a mulher tiver até 35 anos com as tubas uterinas preservadas e parceiro com espermograma normal, ou a fertilização in vitro (FIV), principalmente quando há outros fatores associados.

Em ambas as técnicas é feita a estimulação ovariana, tratamento que estimula o crescimento de um número maior de folículos e a ovulação. Dependendo do comprometimento da reserva ovariana, a resposta à estimulação não é satisfatória, por isso é importante estudar cada caso individualmente.

Na RSP e/ou IIU, o objetivo é estimular o crescimento de 1 a 3 folículos. Um número maior de folículos aumenta o risco de gestação gemelar, portanto o tratamento é cancelado nesse caso. Depois da estimulação, orientamos o casal sobre qual é o melhor momento para ter as relações sexuais ou fazer a IIU.

Na FIV, a estimulação ovariana é feita de outra forma. Um número maior de folículos é estimulado a amadurecer, uma vez que não há risco de gestação gemelar nessa etapa. Quando, durante o controle ultrassonográfico do desenvolvimento dos folículos, identificamos que eles estão maduros, induzimos a ovulação com medicamentos hormonais.

Pouco antes da ovulação, o líquido folicular é aspirado e enviado ao laboratório, que separa os óvulos para fecundação. Ao mesmo tempo é feita a coleta e o preparo do sêmen. Óvulos e espermatozoides são colocados em uma placa de cultivo e são fecundados. Os espermatozoides são injetados dentro dos óvulos. As chances de fecundação são muito altas.

Os embriões formados são cultivados em laboratório por alguns dias. A etapa final é a transferência dos embriões ao útero. Alguns dias depois, o casal já pode fazer o tão esperado teste de gravidez. Cerca de 20% a 60% dos casos são bem-sucedidos.

Essas taxas de sucesso variam muito, a depender, principalmente, de se obter bons embriões para transferir ao útero, sendo sensivelmente afetadas quando a reserva ovariana está comprometida. Quando a notícia não é positiva na primeira vez, o casal pode tentar novamente quantas vezes forem necessárias.

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