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Doação de sêmen, infertilidade e reprodução assistida

Doação de sêmen, infertilidade e reprodução assistida

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O diagnóstico de infertilidade masculina pode ser um obstáculo inicial para os casais que estão tentando engravidar. Os problemas relacionados à fertilidade dos homens são diversos, mas normalmente se refletem em alterações espermáticas, identificadas pelo espermograma.

Em alguns casos, é possível intervir nas causas primárias da infertilidade masculina e reverter o quadro que dificulta a gravidez, porém, existem algumas situações mais graves em que somente a reprodução assistida pode ajudar os casais com infertilidade masculina.

A azoospermia não obstrutiva está entre as principais causas de infertilidade masculina severa e, dependendo dos motivos pelos quais o homem apresenta esse quadro, a condição pode ser permanente ou temporária.

Contudo, mesmo para os casos de infertilidade permanente a reprodução assistida pode contar com recursos como a doação de sêmen para auxiliar o casal a ter filhos.

Neste texto você encontra informações que explicam a relação entre a infertilidade masculina e a reprodução assistida com doação de sêmen, especialmente como essa possibilidade pode ser a única saída para alguns dos casos mais graves. Boa leitura!

A importância do sêmen para a fertilidade conjugal

Assim como as células reprodutivas femininas e a integridade do aparelho reprodutivo das mulheres são aspectos fundamentais para que um casal possa ter filhos, essa possibilidade também depende da qualidade do sêmen e da integridade dos ductos que conduzem os espermatozoides e líquidos glandulares durante a ejaculação.

O sêmen é um composto formado por diversas substâncias líquidas e viscosas que embebem os espermatozoides, as células reprodutivas masculinas propriamente ditas, e exercem papéis de proteção e nutrição dessas células, especialmente após a ejaculação.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos com auxílio de dois tipos celulares, as células de Leydig e as células de Sertoli, que mediam a atividade da testosterona nesse processo. Ao chegarem nos epidídimos, os espermatozoides completam sua formação, desenvolvendo a cauda e adquirindo motilidade.

Dos epidídimos, seguem para os ductos deferentes, que recebem as secreções das glândulas anexas, próstata, glândulas bulbouretrais e vesículas seminais, para a formação do sêmen.

O sêmen é, portanto, a combinação desses líquidos embebendo os espermatozoides. Uma boa concentração de espermatozoides saudáveis no sêmen, bem como a manutenção dessas células pelo equilíbrio dos líquidos glandulares são aspectos essenciais para a fertilidade do casal.

Azoospermia não obstrutiva: uma forma grave de infertilidade masculina

Algumas doenças, como a varicocele, ou condições genéticas como o hipogonadismo hipogonadotrófico podem prejudicar severamente a atividade testicular, afetando principalmente a espermatogênese, processo de formação dos espermatozoides.

Em casos em que o homem apresente alguma dessas condições, existe chance de o espermograma revelar um sêmen desprovido de espermatozoides, o que inviabiliza a fecundação por vias naturais e nos tratamentos tradicionais com a reprodução assistida.

Para que o casal consiga engravidar, nesses casos, indica-se normalmente a reprodução assistida com doação de sêmen. Vamos entender melhor como isso é feito.

O que é a doação de sêmen?

A medicina reprodutiva pode recorrer a bancos de células reprodutivas, como o de doação de sêmen, que podem ajudar os casos mais graves de infertilidade conjugal se o homem não puder contar com seus próprios espermatozoides para a fecundação.

A doação de sêmen, assim como todas as práticas em reprodução assistida no Brasil, é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que determina os parâmetros que permitem tanto a doação de sêmen, como a recepção desse material pelos casais inférteis em tratamento com a reprodução assistida.

O CFM proíbe que a doação de células reprodutivas e embriões, incluindo a doação de sêmen, tenha qualquer caráter comercial e lucrativo, além de determinar a obrigatoriedade de sigilo absoluto sobre as identidades do doador e do casal receptor, exceto nos casos de doação de gametas para parentesco de até 4° grau, desde que não incorra em consanguinidade.

Quem pode doar e receber sêmen?

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A doação de sêmen para os bancos de sêmen somente pode ser feita por homens que preenchem alguns critérios básicos determinados pelo CFM:

Para averiguar esses critérios, o banco de doação de sêmen realiza algumas entrevistas com o doador, além de um espermograma para analisar a qualidade do sêmen.

Se aprovado para a doação, coleta o sêmen por masturbação no próprio banco de doação de sêmen e esse material é encaminhado para criopreservação, sendo armazenado junto às características físicas e biológicas do doador.

Esses dados físicos e biológicos são fundamentais para a escolha e recepção pelo casal infértil. Nesses casos, a própria clínica e o banco de doação de sêmen cruzam informações entre o doador e o casal receptor em busca de doadores com semelhanças físicas e compatibilidade imunológica com o casal.

Além dos casais com infertilidade masculina grave, os casais homoafetivos femininos também podem contar com a doação de sêmen para ter filhos biológicos.

Entenda a doação de sêmen no contexto da reprodução assistida

A reprodução assistida que utiliza doação de sêmen pode ser feita somente com duas técnicas específicas, a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro), os únicos procedimentos que permitem a manipulação e seleção dos espermatozoides antes da fecundação.

Após a escolha do doador e obtenção do sêmen para a fecundação, esse material é descongelado e encaminhado para o preparo seminal, que obtém amostras com uma concentração maior de espermatozoides saudáveis.

Se o casal está em tratamento com a IA, esse sêmen é depositado diretamente no útero após a estimulação ovariana e indução da ovulação.

Nos tratamentos com a FIV, o sêmen do doador também passa pelo preparo seminal, porém a fecundação é feita em laboratório com a coleta prévia de gametas femininos após a estimulação ovariana e indução da ovulação. Os embriões obtidos são cultivados por 3 a 6 dias e transferidos para o útero.

Os casais homoafetivos femininos podem engravidar tanto pela IA como pela FIV, com a diferença que na FIV é possível fazer a gestação compartilhada, em que uma das mulheres do casal fornece os óvulos e, após a fecundação, os embriões são depositados no útero de sua companheira, que passa pela gestação.

Leia mais sobre a FIV tocando neste link.

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