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Endometriose superficial: saiba mais sobre a doença e sua relação com a infertilidade

Endometriose superficial: saiba mais sobre a doença e sua relação com a infertilidade

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Um percentual bastante expressivo da população mundial sofre de infertilidade conjugal, o que faz dessa condição um problema de saúde global. Os números no Brasil também são altos.

Os fatores de infertilidade feminina são responsáveis por 50% dos problemas de fertilidade de um casal, sendo que os masculinos correspondem a cerca de 40%.

Além disso, em alguns casos a infertilidade se manifesta sem um motivo evidente e o diagnóstico é de ISCA (infertilidade sem causa aparente), quando mesmo após diversos exames, não se compreende o motivo pelo qual o casal não consegue ter filhos.

A endometriose, nas diversas formas em que pode se apresentar, é uma das principais causas de infertilidade feminina.

Existem três tipos de endometriose, classificadas de acordo com o local onde estão os implantes endometrióticos, bem como sua quantidade e profundidade de implantação no tecido em que estão aderidos. Essa classificação é necessária, pois são doenças distintas, que requerem tratamentos específicos.

Os tipos de endometriose são:

  1. Endometriose ovariana: quando o tecido e as glândulas endometriais, que deveriam estar na cavidade uterina, também se manifestam nos ovários, formando cistos preenchidos por um líquido escuro, os endometriomas ovarianos;
  2. Endometriose superficial peritoneal: nessa forma da doença, o tecido endometrial pode penetrar até em 5 milímetros o tecido em que está aderido;
  3. Endometriose infiltrativa profunda: manifesta implantes endometrióticos em profundidade maior que 5 milímetros e, por isso, é a forma mais grave da doença.

Neste texto vamos abordar a endometriose superficial e sua relação com a infertilidade.

Aproveite a leitura!

O que é endometriose superficial?

A endometriose superficial recebe esse nome por apresentar lesões pequenas e rasas, que possuem em geral entre 1mm e 3mm de profundidade, e não provocam alterações anatômicas no ovário, útero ou tubas uterinas.

Nesse tipo de endometriose os focos da doença costumam estar implantados principalmente no peritônio – camada que reveste internamente todo o abdômen -, em sua maior parte na região pélvica, próxima ao útero.

Como no caso de outras doenças que atingem as mulheres causando infertilidade, incluindo miomas uterinos e pólipos endometriais, a endometriose superficial é estrogênio-dependente, o que significa que seu desenvolvimento, crescimento e sintomas estão diretamente ligados à ação do estrogênio.

Como foi mencionado anteriormente, a endometriose infiltrativa profunda se caracteriza por lesões com uma profundidade maior que 5mm, podendo atingir o peritônio, a região retrocervical, vagina, região retovaginal, intestinos, bexiga e ureteres.

Na endometriose ovariana os ovários apresentam endometriomas, que podem ser de diferentes tamanhos, dependendo do estágio de desenvolvimento da doença, embora geralmente não ultrapassem 10 cm de diâmetro, o que somente acontece em situações muito raras.

Como identificar a endometriose superficial?

O diagnóstico de endometriose superficial é feito com base nos relatos dos sintomas apresentados pela mulher, durante a primeira consulta, e posteriormente confirmado por exames de imagem.

A endometriose peritoneal superficial é uma doença de difícil diagnóstico, já que seus sintomas se assemelham, em geral, com outras doenças estrogênio-dependentes.

Os diferentes sintomas que a endometriose peritoneal superficial pode apresentar são:

A ultrassonografia pélvica transvaginal com esvaziamento intestinal é o exame utilizado para o diagnóstico de todas as formas de endometriose. No entanto, se o exame não for conclusivo, é indicada a ressonância magnética, que possibilita uma avaliação mais detalhada da cavidade pélvica.

Endometriose superficial pode provocar infertilidade?

A endometriose superficial pode sim provocar infertilidade. Inclusive, esse tipo de endometriose, muitas vezes manifesta apenas a infertilidade enquanto sintoma, na maioria dos casos é assintomática, enquanto a endometriose infiltrativa profunda está mais relacionada com sintomas dolorosos.

Os focos endometrióticos nesse tipo de endometriose mesmo quando numerosos são pequenos e rasos, diferente do que ocorre na endometriose infiltrativa profunda e, por isso, podem muitas vezes dificultar o diagnóstico, demora que pode levar ao agravamento do quadro clínico da mulher.

A endometriose ovariana é outra forma da doença que pode resultar em infertilidade, além de provocar danos à reserva ovariana, principalmente nos casos mais graves da doença, em que os endometriomas se desenvolvem de maneira acentuada, a presença dos endometriomas interfere na função ovariana da mulher, alterando o desenvolvimento e amadurecimento de folículos e óvulos, o que resulta em um quadro de anovulação.

A localização dos focos endometrióticos tem grande influência na possibilidade de provocar infertilidade. Focos localizados nas tubas uterinas, por exemplo, podem causar aderências, que acabam obstruindo a passagem dos espermatozoides até o óvulo, impedindo a fecundação.

Em casos mais graves, levando à gestação ectópica, com risco de infertilidade permanente.

Como posso engravidar com endometriose superficial?

O tratamento cirúrgico, feito por videolaparoscopia, é uma alternativa para a endometriose superficial peritoneal e profunda, quando a abordagem medicamentosa não é bem-sucedida. É importante considerar a quantidade e o tamanho dos focos, e avaliar a real necessidade da realização do procedimento, pois, em alguns casos, a cirurgia poderá causar mais danos à fertilidade do que a doença em si.

Mulheres que não desejam engravidar, mas possuem sintomas dolorosos decorrentes da endometriose, podem ser ratadas com medicação hormonal para a aliviá-los.

Já para as que possuem endometriose superficial e desejam engravidar, é mais indicado buscar auxílio na reprodução assistida.

Todas as diferentes técnicas de reprodução – RSP (relação sexual programada), IA (inseminação artificial) e FIV (fertilização in vitro) – podem ser indicadas para mulheres com endometriose peritoneal superficial.

Por serem procedimentos de baixa complexidade, a RSP e a IA, serão indicadas para os casos mais leves da doença, e quando não há obstrução tubária.

A FIV é possibilidade para todos os casos de endometriose. A técnica proporciona a realização da fecundação e cultivo do embrião em ambiente laboratorial, além de possibilitar o freeze-all, congelamento de todos os embriões para que sejam utilizados em um ciclo seguinte, ou no futuro.

Após o cultivo embrionário, os embriões são transferidos diretamente para o útero materno, no momento em que o endométrio se mostra mais receptivo.

Para saber mais sobre endometriose toque neste link.

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