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Estimulação ovariana e indução da ovulação: como são feitas na FIV

Estimulação ovariana e indução da ovulação: como são feitas na FIV

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A estimulação ovariana e a indução da ovulação são processos sequenciais, incluídos na etapa inicial de todas as técnicas de reprodução assistida disponíveis atualmente, justamente por seu potencial em aumentar as taxas de gravidez nesses procedimentos.

Estes são processos complementares e sequenciais cujo objetivo é aumentar a disponibilidade de células reprodutivas femininas, potencializando a fecundação independente dos meios utilizados para se chegar a ela.

Na FIV (fertilização in vitro), no entanto, a estimulação ovariana e a indução da ovulação têm um papel especial na etapa de coleta de gametas.

Isso porque é necessário obter um número maior de células reprodutivas femininas na FIV do que a demanda normal, nas gestações por vias naturais ou utilizando outras técnicas de reprodução assistida.

Entenda melhor o papel da estimulação ovariana e da indução da ovulação na FIV, acompanhando a leitura do texto a seguir.

Aproveite!

O que é fertilização in vitro?

A FIV é uma técnica de reprodução assistida de alta complexidade, especificamente porque o tratamento permite a fecundação em ambiente controlado – laboratorial – e a transferência dos embriões para o útero.

Assim como a FIV, todas as técnicas de reprodução assistida são procedimentos divididos em etapas sequenciais e interdependentes – ou seja, o sucesso de uma etapa depende diretamente do sucesso da etapa anterior e é fundamental para que a etapa seguinte seja igualmente bem sucedida.

No caso da FIV, o tratamento é dividido em cinco etapas: estimulação ovariana, coleta de gametas, fecundação, cultivo embrionário e finalmente a transferência dos embriões para o útero.

A estimulação ovariana e a indução da ovulação são fundamentais para que a aspiração folicular obtenha a quantidade ideal de folículos ovarianos maduros – os folículos são estruturas multicelulares, que envolvem os oócitos individualmente e mediam sua relação com a dinâmica hormonal do ciclo reprodutivo.

Paralelamente à aspiração folicular, realiza-se a coleta de espermatozoides – com uma amostra de sêmen ou por recuperação espermática, nos casos de infertilidade masculina severa –, que serão utilizados para a fertilização do material coletado dos ovários.

Após a fecundação, os embriões obtidos passam pelo período de cultivo embrionário, quando são observados quanto ao seu desenvolvimento morfológico e estabilidade genética.

Os embriões mais aptos são então selecionados e transferidos para o útero – que deve estar devidamente preparado e receptível.

Estimulação ovariana na FIV

A estimulação ovariana é um tratamento hormonal, realizado nas técnicas de reprodução assistida para incentivar o recrutamento e amadurecimento dos folículos ovarianos, potencializando os eventos que antecedem a ovulação.

Formalmente, a etapa de estimulação ovariana inclui a indução da ovulação, embora estes sejam processos diferentes, com objetivos distintos.

O tratamento deve ter início simultâneo ao começo do período menstrual, com a administração oral ou intramuscular de doses diárias de uma medicação hormonal, normalmente à base de análogos do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) e das próprias gonadotrofinas, LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo estimulante).

Nas técnicas de baixa complexidade – IA (inseminação artificial) e RSP (relação sexual programada) –, a estimulação ovariana é feita com protocolos mais baixos dessa medicação hormonal, que estimulam de forma bastante sutil o ciclo reprodutivo.

Isso porque, nestes casos, se prevê que a fecundação aconteça no interior do corpo da mulher e uma estimulação ovariana mais robusta poderia favorecer a gestação múltipla, que é arriscada para a mulher e para o bebê.

Como na FIV, no entanto, a fertilização é realizada em laboratório, é interessante que os protocolos de estimulação ovariana sejam mais robustos, já que a etapa seguinte à estimulação ovariana – a coleta de gametas – demanda a obtenção de uma quantidade maior de células reprodutivas femininas.

Na FIV, diferente do que acontece nas técnicas de baixa complexidade, o risco de gestação múltipla está mais relacionado à quantidade de embriões transferidos para o útero – que é limitado e regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina – do que à intensidade da estimulação ovariana.

Indução da ovulação na FIV

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A indução da ovulação é o procedimento final da etapa de estimulação ovariana, realizada quando o amadurecimento folicular atinge seu auge.

Todo o processo de estimulação ovariana é monitorado por exames de ultrassonografia pélvica sistemáticos, que acompanham o desenvolvimento dos folículos e indicam o momento ideal para a indução da ovulação.

Neste momento, administra-se uma dose única de hCG (gonadotrofina coriônica humana), um hormônio que estimula a produção de progesterona e assim induz o rompimento da estrutura folicular para a liberação do oócito.

Na FIV, a indução da ovulação deve ser seguida obrigatoriamente da coleta de gametas, nos primeiras 36h após o procedimento, quando os folículos são aspirados imediatamente antes do rompimento folicular.

A diferença entre a indução da ovulação na FIV e nas técnicas de baixa complexidade reside principalmente no tempo entre a indução da ovulação e o início da etapa seguinte.

Na RSP e na IA, a relação sexual programada e a inseminação da amostra de sêmen no útero acontecem após a ovulação, induzida pela medicação, enquanto na FIV a aspiração folicular é feita no período entre a indução da ovulação e o rompimento dos folículos.

Entenda a importância da estimulação ovariana e indução da ovulação

A estimulação ovariana e a indução da ovulação são etapas iniciais de todas as técnicas de reprodução assistida, incluindo a FIV, justamente porque têm por objetivo potencializar a disponibilidade de gametas femininos para a fecundação, seja ela feita em laboratório ou no interior do corpo da mulher.

Para a FIV em especial, a estimulação ovariana e a indução à ovulação são importantes para uma coleta de gametas bem sucedida, o que consiste em conseguir um número maior de células reprodutivas femininas, do que o que ocorreria nos processos que preveem a fecundação nas tubas uterinas.

Leia mais sobre a FIV tocando neste link.

 

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