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Hiperandrogenismo e SOP: qual a relação e quais são as consequências?

Hiperandrogenismo e SOP: qual a relação e quais são as consequências?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O hiperandrogenismo é um distúrbio hormonal relativamente comum, que atinge mulheres em idade reprodutiva e tem como característica principal o aumento excessivo na concentração de hormônios andrógenos, como a testosterona, principal hormônio sexual masculino.

Esse distúrbio está relacionado à SOP (síndrome dos ovários policísticos) e pode resultar em infertilidade feminina. As alterações na produção de hormônios andrógenos afetam diretamente o amadurecimento dos folículos, podendo levar à oligovulação e anovulação, que é a ausência de ciclos ovulatórios.

Outros sintomas comuns são o surgimento de traços masculinos, que podem causar problemas de autoestima, como:

Embora os casos mais leves de SOP ainda permitam a gravidez por vias naturais, as mulheres portadoras da síndrome têm mais riscos de complicações durante a gravidez e abortamentos.

É comum que as mulheres que apresentam hiperandrogenismo tenham também resistência à insulina, hipertensão e obesidade.

Acompanhe a leitura do texto a seguir e conheça melhor a relação entre o hiperandrogenismo e a SOP, incluindo consequências como infertilidade feminina.

O que é SOP?

Durante um ciclo menstrual natural diversos folículos são recrutados para o amadurecimento, contudo apenas um conclui esse processo, atingindo a fase de ovulação.

Para isso, a hipófise, estimulada pelo hipotálamo, produz as gonadotrofinas LH (hormônio luteinizante) e FSH (hormônio folículo-estimulante), que atuam diretamente nos ovários, levando à produção de testosterona e sua conversão em estrogênio. O pico de gonadotrofinas e estrogênio é responsável por disparar a ovulação.

Na SOP, a mulher apresenta alterações na produção de gonadotrofinas, que resultam em um acumulo da testosterona, que não é convertida em estrogênio, provocando também um rebaixamento desse hormônio.

O aumento da testosterona, associado à diminuição dos estrogênios pode impedir os folículos de desenvolver e amadurecer da forma correta e inibir a ovulação.

Os cistos, típicos da doença, são na realidade folículos que não se romperam e permanecem aderidos aos ovários, dando nome à síndrome.

Uma das hipóteses sobre as causas da SOP é a hereditariedade, já que mulheres diagnosticadas muitas vezes têm parentes de primeiro grau com a mesma enfermidade. A relação genética sugerida é poligênica, ou seja, além de controlar a produção de hormônios androgênios também está associado a outras alterações.

A relação da SOP com o hiperandrogenismo e a infertilidade feminina

O diagnóstico de SOP é um dos mais frequentes nas mulheres em idade reprodutiva, atingindo um percentual expressivo da população e os principais sintomas são a anovulação e amenorreia, presente em um percentual menor de mulheres e o hiperandrogenismo, que se manifesta na maioria.

Nos casos mais leves a ausência de ovulação pode acontecer em alguns ciclos menstruais e em outros não. Por essa razão, mesmo as mulheres que desenvolvem um quadro de hiperandrogenismo conseguem, ocasionalmente, engravidar.

Entre os diversos fatores que podem explicar a associação entre a infertilidade e o hiperandrogenismo, além das alterações nas gonadotrofinas, está a diminuição da produção hepática de uma proteína responsável pela ligação de esteroides sexuais, chamada SHBG.

Essa redução potencializa a circulação de testosterona livre (não ligada à proteína), que é mais ativa e aumenta as dificuldades na ovulação e hiperandrogenismo.

Como é feito o diagnóstico?

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O hiperandrogenismo é um sintoma que deve ser observado para o diagnóstico da SOP, pois está incluso nos critérios de Roterdã, um documento que estabelece como o diagnóstico dessa síndrome deve ser feito.

Segundo este documento, a SOP é diagnosticada na presença de ao menos dois dos seguintes sintomas:

Para verificar a quantidade e tamanho dos cistos e volume dos ovários, os exames mais comuns são: ultrassonografia pélvica transvaginal e ressonância magnética (RM), pois fornecem imagens mais detalhadas da situação ovariana, também excluindo outras condições com sintomas similares.

Os exames de imagem podem ser feitos em conjunto com os de sangue, para verificação das taxas hormonais. Com os resultados é possível definir o melhor tratamento, especialmente considerando as mulheres que desejam engravidar, para as quais normalmente é indicada a reprodução assistida.

A SOP não tem cura, o tratamento é individualizado e o seu objetivo é proporcionar uma melhor qualidade de vida para a mulher portadora, seja no controle dos sintomas do hiperandrogenismo, seja na reversão do quadro de infertilidade.

Um dos tratamentos mais recomendados para a diminuição dos sintomas hiperandrogênicos é o uso do anticoncepcional via oral.

Caso a mulher procure tratamento para a SOP em função da infertilidade, pois deseja engravidar naquele momento, algumas técnicas de reprodução assistida de baixa complexidade podem ser indicadas, como a RSP (relação sexual programada) e a IA (inseminação artificial).

Em casos mais complexos de SOP, ou de insucesso nas tentativas com essas técnicas, a FIV (fertilização in vitro) pode ser uma possibilidade eficiente e que conta com altas taxas de sucesso.

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