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Histeroscopia para o tratamento de miomas

Histeroscopia para o tratamento de miomas

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Embora mulheres em idade fértil tenham grande potencial para desenvolver miomas, a busca por um diagnóstico preciso pode ser prejudicada pelo fato de que, na maior parte dos casos, a doença não causa qualquer sintoma identificável.

Quando apresentam sintomas, costumam causar muita dor, sangramento uterino anormal, podendo também levar à dificuldade de engravidar e abortos de repetição, num quadro amplo de infertilidade feminina.

Contudo, esses sintomas são comuns também à maior parte das doenças estrogênio-dependentes, como no caso de pólipos endometriais e endometriose, já que são resultado das reações inflamatórias decorrentes da ação desse hormônio, outro fator que pode atrasar o diagnóstico.

Por isso, o diagnóstico preciso dos miomas pode ter como base o resultado de exames de imagem, como a histeroscopia, um procedimento que também pode ser utilizado para o tratamento da doença, como veremos no texto a seguir.

Boa leitura!

O que são miomas uterinos?

Miomas uterinos são massas tumorais benignas compostas por um tecido semelhante ao encontrado no miométrio, embora mais fibroso, que podem estar localizadas em qualquer das três camadas que compõem a parede uterina – endométrio, miométrio e perimétrio.

Por ser uma doença estrogênio-dependente, o crescimento e os sintomas decorrentes de sua presença no útero estão diretamente relacionados com a ação do hormônio sobre as células que compõem o mioma.

Nos momentos do ciclo reprodutivo em que a concentração de estrogênios está naturalmente mais alta, os miomas respondem disparando um processo inflamatório local, que desencadeia os sintomas típicos da doença.

Esse processo inflamatório aumenta a sensibilidade local, o que gera as dores características da enfermidade. Além disso, está também relacionado à alteração da vascularização e disposição anatômica local, que resulta em sangramentos anormais, principalmente no período menstrual.

Tipos de miomas

Os miomas uterinos são classificados de acordo com os locais em que se desenvolvem, em submucosos, subserosos e intramurais.

Os miomas subserosos são aqueles que se desenvolvem na camada serosa do útero, o perimétrio. Normalmente, esse tipo de mioma não costuma apresentar sintomas relevantes, porém, quando muito desenvolvidos, podem causar compressão nos órgãos próximos, dor pélvica e alterações urinárias e intestinais, caso mantenham contato com a bexiga e intestinos.

Localizados no miométrio, os miomas intramurais também podem não apresentar sintomas. Quando sintomáticos, em geral causam dores abdominais, aumento no fluxo menstrual e podem levar à infertilidade.

Considerada a forma mais sintomática e de maior repercussão na capacidade reprodutiva, os miomas submucosos são aqueles que se localizam na lâmina basal do endométrio e podem se projetar em direção à cavidade uterina, ocupando o espaço destinado ao crescimento do bebê.

Nesses casos, que são sintomáticos em sua maioria, o processo inflamatório desencadeado pela ação estrogênica leva à dor pélvica intensa, dismenorreia, sangramento uterino anormal, além de abortos de repetição e infertilidade.

Em quais situações os miomas podem provocar infertilidade?

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Para que uma gestação ocorra com sucesso, o endométrio precisa estar preparado e receptivo para que o embrião consiga se fixar em sua parede. A ação estrogênica sobre um endométrio saudável leva ao espessamento desse tecido, enquanto a da progesterona, produzida após a ovulação, interrompe esse processo e complexifica o tecido de revestimento da cavidade uterina, concluindo o que chamamos preparo endometrial.

Nesse sentido, a ação estrogênica sobre os miomas submucosos e a reação inflamatória resultante deles altera a composição do endométrio, prejudicando principalmente a implantação embrionária.

Assim, quando o embrião chega ao útero para se fixar, pode ser reconhecido pelo sistema imunológico como invasor, sendo eliminado por isso, fazendo com que a gestação não aconteça.

Além disso, embora de forma menos frequente, nos casos mais severos de miomas intramurais a infertilidade também pode ser uma consequência da presença desses tumores no miométrio.

Isso porque o desenvolvimento dos nódulos e a inflamação decorrente da ação estrogênica podem comprometer a elasticidade e contratilidade do útero, levando à abortos de repetição, perdas gestacionais, partos prematuros, além de partos de risco.

O que é histeroscopia cirúrgica?

A histeroscopia cirúrgica é um procedimento ginecológico minimamente invasivo, realizado com o auxílio de uma microcâmera acoplada a uma fonte de luz, que acompanha instrumentos para a ressecção de massas celulares, como os miomas uterinos.

Esses instrumentos são introduzidos pelo canal vaginal até o útero da mulher, que normalmente está anestesiada, permitindo a visualização e a manipulação das estruturas de forma mais acurada.

A histeroscopia também pode ser feita de forma diagnóstica – histeroscopia ambulatorial –, em um processo bastante semelhante, porém sem anestesia e sem a possibilidade de manipulação dos tecidos e de eventuais massas tumorais.

Por meio da histeroscopia cirúrgica é possível remover pólipos uterinos, miomas submucosos, corrigir alterações da cavidade do útero e remover aderências.

A histeroscopia cirúrgica é indicada para a realização de diversos diagnósticos e tratamentos, como:

Ela pode ser utilizada para remover miomas pouco numerosos, e somente quando se encontram no endométrio, para outros casos, pode-se utilizar a videolaparoscopia, procedimento que, apesar de ser minimamente invasivo, prevê pequenos cortes, o que não ocorre na histeroscopia.

A histeroscopia cirúrgica também permite a coleta de material biológico para a realização de biopsia endometrial quando necessária, indicando se há chance de malignização.

Histeroscopia cirúrgica no tratamento dos miomas submucosos

Os miomas submucosos são especificamente complexos, especialmente por estarem localizados em um tecido delicado, no qual procedimentos cirúrgicos podem inclusive oferecer riscos de danos, além da própria doença.

Por isso, a indicação da histeroscopia cirúrgica deve ser feita levando-se em consideração as especificidades de cada caso, embora mesmo aos casais que recebem indicação para reprodução assistida, seja recomendada a remoção dos miomas submucosos, já que interferem na receptividade endometrial.

Entre as técnicas de reprodução assistida disponíveis atualmente, a FIV (fertilização in vitro) pode ser indicada às mulheres com infertilidade decorrente de miomas submucosos, especialmente por permitir um acompanhamento do preparo endometrial, o que possibilita realizar a transferência dos embriões somente no momento mais adequado.

Para saber mais sobre a histeroscopia cirúrgica, toque neste link.

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