Art Fértil | WhatsApp
Art Fértil
Histerossalpingografia dói?

Histerossalpingografia dói?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A histerossalpingografia é um dos exames de imagem que permitem a visualização de aspectos, especialmente os morfológicos, do útero e das tubas uterinas. Por isso, é muito utilizado na investigação da infertilidade feminina por fatores que afetam precisamente essas estruturas.

O útero e as tubas uterinas são formados durante o desenvolvimento embrionário dos bebês de sexo biológico feminino, com a fusão parcial dos ductos de Müller, estruturas paralelas presentes no embrião nas primeiras 9 semanas de gestação. O trecho dos ductos de Müller que se funde forma o útero, enquanto as extremidades desses ductos que permanecem independentes formam as tubas.

Por ser um órgão oco, o útero é formado basicamente pelos tecidos que compõem a parede uterina: endométrio, miométrio e perimétrio, com funções específicas sobre a fertilidade e a gestação. As tubas uterinas, por sua conexão com o útero, realizam a comunicação entre o órgão e os ovários, o que é imprescindível para a fecundação.

Alguns problemas podem afetar a estrutura morfológica e anatômica do útero e das tubas, provocando danos à receptividade endometrial e obstrução tubária, além de outros sintomas. Essas condições normalmente são investigadas por exames de imagem, como a histerossalpingografia.

Embora muito praticada, a histerossalpingografia é um exame relativamente desconhecido das pessoas em geral, o que favorece certos mitos em torno do procedimento, como a afirmação de que ele provoca dor.

Continue com a leitura do texto para entender melhor se a histerossalpingografia dói ou causa qualquer incômodo, além de compreender melhor o que esse exame pode identificar. Boa leitura!

O que pode afetar o útero e as tubas uterinas?

De forma geral, podemos classificar as doenças e condições que afetam o funcionamento do útero e das tubas uterinas, segundo sua origem, em problemas adquiridos ao longo da vida e doenças congênitas de predisposição genética ou não.

Algumas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), como a clamídia, podem atingir o útero e as tubas provocando endometrite e salpingite, respectivamente a inflamação e infecção do endométrio e das tubas.

É comum que a demora em realizar o tratamento para essas doenças resulte em cicatrizes no endométrio e no interior das tubas uterinas, em forma de aderências, que continuam prejudicando a função dessas estruturas.

O útero pode ainda ser afetado por malformações congênitas como útero didelfo e septado, em que problemas na fusão parcial dos ductos de Müller provocam alterações anatômicas. Em alguns casos, as malformações uterinas também podem interferir na função tubária, como no caso de útero unicorno, em que se observa a presença de apenas uma das tubas.

Doenças predispostas geneticamente e que produzem massas celulares anormais, como miomas uterinos, pólipos endometriais e a endometriose tubária, também podem afetar a função do útero e das tubas, provocando infertilidade e outros sintomas, como dor e alteração na rotina menstrual.

A histerossalpingografia pode ser indicada para a investigação dessas doenças e condições, dependendo das especificidades de cada caso e de cada processo diagnóstico.

Entenda o que é histerossalpingografia

blank

A histerossalpingografia é um exame de radiografia específico para a região pélvica, que utiliza um contraste à base de iodo, injetado na cavidade uterina por via transvaginal, para melhorar a visualização do útero e das tubas uterinas nas imagens estáticas obtidas pelo procedimento.

O contraste da histerossalpingografia se difunde no interior do útero, penetrando também nas tubas, especialmente no trecho inicial dessas estruturas. Essa substância interage com as células endometriais e com a camada mucosa das tubas, marcando essas estruturas com mais nitidez quando o raio-X é emitido em direção à pélvis.

A histerossalpingografia dói?

Embora o exame possa ser conhecido por causar dor, esse é um mito sobre a histerossalpingografia.

Algumas mulheres relatam somente algum desconforto com a colocação do contraste, que pode ser controlado facilmente com a administração preventiva de analgésicos antes do procedimento. A maior parte dos exames de histerossalpingografia, no entanto, não gera relatos de dor ou qualquer tipo de incômodo.

Para realizar a histerossalpingografia a mulher não pode estar menstruando, com infecções uterinas e tubárias ativas e não pode estar grávida, já que a interação entre o contraste e o endométrio podem levar à perda gestacional.

Para a inseminação do contraste a mulher deve sentar-se em posição ginecológica e, com auxílio de um espéculo, o colo do útero é anestesiado e um fino cateter é inserido pelo canal vaginal, conduzindo o contraste ao interior da cavidade uterina. Aproximadamente 30 minutos depois as imagens de raio-X são obtidas com o equipamento emissor posicionado em frente à pélvis.

Após a histerossalpingografia, a mulher também pode sentir cólicas e incômodos abdominais leves, igualmente controláveis com analgésicos e que tendem a desaparecer em até 24h.

A histerossalpingografia na investigação da infertilidade feminina

A histerossalpingografia é um exame de imagem importante para os processos de investigação das causas da infertilidade feminina, principalmente quando se suspeita de fatores uterinos e tubários.

A infusão do contraste permite que toda a morfologia e anatomia do útero sejam evidenciadas nas imagens, revelando a presença de massas celulares e deformações. Se o contraste não consegue infiltrar-se nas tubas uterinas, pode ser sinal de que essas estruturas estão obstruídas.

A deformação do útero pode favorecer quadros de aborto de repetição, assim como as alterações uterinas, principalmente no endométrio, como miomas, pólipos e endometrite, ao passo que a obstrução tubária pode impedir a fecundação, inclusive de forma silenciosa, sem a manifestação de outros sintomas, além da infertilidade.

Nesse sentido, a histerossalpingografia é um exame recorrente entre as mulheres que buscam atendimento médico quando encontram dificuldades para engravidar.

Quais técnicas de reprodução assistida são indicadas para os casos diagnosticados pela histerossalpingografia?

Embora a reprodução assistida conte com algumas técnicas para auxiliar as mais diversas demandas reprodutivas, os casos específicos de infertilidade por fator tubário e uterino podem ser melhor abordados pela FIV (fertilização in vitro), enquanto as técnicas de baixa complexidade não são indicadas.

Isso porque na FIV a fecundação é feita fora do corpo da mulher, com gametas previamente coletados, e os embriões selecionados são depositados diretamente no útero, contornando problemas relacionados à obstrução tubária.

Leia mais sobre a histerossalpingografia tocando neste link.

Compartilhar: Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado.

blank blank