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Implantação embrionária: o que é?

Implantação embrionária: o que é?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Para que a gravidez ocorra são necessárias diferentes etapas, assim como os sistemas reprodutores feminino e masculino devem estar saudáveis. A implantação embrionária é uma delas e é fundamental para o sucesso da gravidez, inclusive nos tratamentos de reprodução assistida.

Desde a puberdade, a cada ciclo menstrual a mulher libera um óvulo durante o período fértil, na fase conhecida como ovulação. O óvulo é capturado pelas tubas uterinas, nas quais a fecundação, ou encontro com o espermatozoide, acontece. Embora milhares de espermatozoide sejam ejaculados, apenas um vence a corrida para fecundar o óvulo.

Os pronúcleos do óvulo e do espermatozoide, que contêm os genes maternos e paternos, se fundem durante a fecundação, originando o embrião, que deve implantar no útero para que a gravidez ocorra. Continue a leitura até o final e saiba o que o é implantação embrionária, como acontece e qual a sua importância para o sucesso da gravidez.

O que é implantação embrionária?

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Depois de fecundado, o óvulo se transforma em célula-ovo, chamada zigoto, que passa por sucessivas divisões celulares até se transformar em embrião.

Esse processo ocorre nas tubas uterinas e, no quinto dia de desenvolvimento, fase do embrião conhecida como blastocisto, ele é transportando para o útero, local em que se implanta no endométrio, camada que reveste o órgão internamente, que o abriga e nutre até a placenta ser formada.

Após a implantação, as células embrionárias passam a se diferenciar das células trofoblásticas, que vão originar os anexos embrionários: placenta, cordão umbilical e líquido amniótico.

A placenta é um órgão temporário, responsável por fornecer oxigênio e pelo transporte de nutrientes da mãe para o feto. O que é feito pelo cordão umbilical, que a conecta ao feto, possibilitando a troca de nutrientes.

Enquanto o líquido amniótico protege o feto de traumas externos, impede a compressão do cordão umbilical e permite o desenvolvimento dos sistemas musculoesquelético e respiratório.

Assim, é o processo de implantação, também chamado nidação, quando o embrião se fixa no endométrio, que marca o início da gestação. Se a implantação não for bem-sucedida, portanto, ocorrem falhas.

Quais condições são necessárias para a implantação acontecer?

O ciclo menstrual é dividido em três fases: folicular, ovulatória e lútea, cujo funcionamento é motivado pela ação de diferentes hormônios.

Na fase folicular vários folículos, bolsas que contém o óvulo primário, são recrutados. Um deles se torna dominante, amadurece e rompe liberando o óvulo para ser fecundado, processo conhecido como ovulação, que acontece na fase ovulatória.

Nessa fase o endométrio, tecido epitelial altamente vascularizado, que reveste a camada uterina, começa a ser preparado para receber o embrião. Para isso, torna-se cada vez mais espesso, a partir da ação do estrogênio. No final da fase ovulatória, possui entre 3 e 4 mm.

Quando ocorre a concepção, o folículo que abrigava o óvulo se transforma em corpo lúteo, estrutura responsável por secretar progesterona, responsável pelo espessamento final do endométrio em conjunto com o estrogênio. No final dessa fase, o endométrio deverá ter entre 5 e 6 mm.

Se a concepção não ocorrer após a ovulação, os níveis hormonais decrescem, o corpo lúteo degenera e a camada funcional do endométrio descama originando a menstruação. O fluxo menstrual é formado pelas células que se desprendem da camada funcional do revestimento endometrial, misturadas ao sangue dos pequenos vasos que circundam as glândulas endometriais.

Durante o ciclo endometrial há um período conhecido como janela de implantação, quando endométrio se torna mais receptivo para receber o embrião. A receptividade do endométrio é um critério fundamental para a implantação ser bem-sucedida, na gestação natural e nos tratamentos de reprodução assistida.

O que ocorre em falhas da implantação?

A principal consequência das falhas de implantação é o abortamento. Diversas condições, que afetam o embrião ou o ciclo endometrial, podem interferir no processo de nidação. Veja abaixo alguns exemplos:

Após a correção do problema a receptividade endometrial pode normalizar em alguns casos, possibilitando a gestação espontânea. Nos tratamentos de reprodução assistida, entretanto, ainda que seja possível preparar o endométrio para garantir maior receptividade endometrial, nenhuma tecnologia atual permite realizar o processo de implantação.

Porém, na fertilização in vitro (FIV), técnicas complementares ao tratamento aumentam as chances de o processo ser bem-sucedido quando há falhas repetidas de implantação, termo que descreve a perda de gravidez por mais de três ciclos consecutivos de tratamento, após a transferência de embriões de boa qualidade.

Além da preparação do endométrio o teste ERA, uma ferramenta molecular, analisa simultaneamente o sequenciamento genético de cerca de 200 genes envolvidos no ciclo endometrial, indicando, assim, o período mais receptivo para a transferência embrionária, personalizando-a.

Outra ferramenta molecular, o teste genético pré-implantacional (PGT), analisa as células do embrião durante a fase de blastocisto, detectando possíveis distúrbios genéticos. Dessa forma, apenas o mais saudáveis são transferidos para o útero, reduzindo as chances de ocorrerem falhas.

Já o hatching assistido, procedimento em que são criadas aberturas artificiais na zona pelúcida, facilita a eclosão de embriões formados por óvulos de mulheres mais velhas, que têm dificuldades para rompê-la.

Entenda melhor como funciona o tratamento por FIV tocando aqui.

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