Art Fértil
Infertilidade feminina: como é feita a investigação?

Infertilidade feminina: como é feita a investigação?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O sonho da maternidade é comum a grande parte das mulheres, mas realizá-lo pode não ser tão fácil quanto parece. A infertilidade atinge cerca de 30% dos casais em idade fértil e pode ser causada por fatores femininos e masculinos. Por infertilidade entende-se a impossibilidade de engravidar após 12 meses de relações sexuais sem proteção, conforme definição da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em aproximadamente 35% desses casos, o problema se deve a questões relacionadas ao sistema reprodutor da mulher, o que se conhece por infertilidade feminina. Dentro desse universo, as causas também podem ser muito variadas. Entre as mais comuns estão a anovulação (ausência da ovulação), causada por distúrbios hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP); obstruções nas tubas uterinas, frequentes em doenças como endometriose; e condições que podem interferir no processo de implantação do embrião no útero, como é o caso de pólipos e miomas.

Saber qual é a causa da infertilidade é fundamental para tratá-la adequadamente e aumentar as chances de que a mulher engravide. Por isso, é essencial fazer uma investigação detalhada do problema. Neste artigo vamos abordar o passo a passo do diagnóstico da infertilidade feminina. Saiba mais a seguir.

A primeira consulta com um especialista

Se um casal está há mais de um ano (ou seis meses se a mulher tiver mais de 35 anos de idade) tentando engravidar de maneira natural e não consegue, é hora de procurar um especialista para entender o porquê da dificuldade. Por muito tempo, as mulheres foram consideradas as grandes culpadas pela impossibilidade de engravidar, porém hoje já se sabe que os percentuais de casos de infertilidade feminina e masculina são iguais.

A infertilidade, portanto, é vista como um problema do casal, e deve ser tratada como tal desde a primeira consulta. Nesse momento, o médico avaliará o histórico do homem e da mulher e alguns sinais clínicos. Entre os indicativos de infertilidade feminina que podem ser analisados nessa etapa estão idade avançada (acima de 35 anos), irregularidade dos ciclos menstruais, dores na pelve e cólicas intensas, dor ou desconforto durante as relações sexuais e hiperandrogenismo (pelos no rosto, calvície e outras características que podem ser causadas por altas taxas de hormônios masculinos).

Exames para a investigação da infertilidade feminina

Com base nos sinais clínicos observados, o médico poderá levantar algumas suspeitas sobre a causa da infertilidade. Ele então pedirá exames iniciais e, se necessário, outros mais detalhados, até chegar a um diagnóstico preciso para indicar o tratamento mais adequado. Entre os principais exames realizados para identificar as causas da infertilidade feminina estão:

Exames hormonais: indicam se há alguma disfunção hormonal que possa afetar a ovulação, como a SOP. Alguns hormônios avaliados são testosterona, globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), prolactina, estradiol, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);

Exames de sangue: podem identificar a presença de infecções, incluindo as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), capazes também de afetar a fertilidade, como a clamídia;

Ultrassonografia transvaginal: permite avaliar o interior do útero e a reserva ovariana, ou seja, a quantidade de folículos presentes nos ovários, um importante indicativo da fertilidade feminina;

Histerossalpingografia: por meio deste exame de raio-X com contraste iodado, é possível visualizar as condições uterinas e tubárias, identificando obstruções, malformações e outras condições que possam interferir na fertilidade da mulher.

Tratamentos para a infertilidade feminina

O tratamento da infertilidade feminina dependerá da causa que for diagnosticada, da idade e de outras questões ligadas à saúde da mulher. Algumas doenças, como endometriose, miomas e pólipos, são passíveis de serem resolvidas com cirurgia. Nesses casos, é possível que a paciente consiga engravidar de maneira natural após a correção do problema. Outras condições, como a SOP, requerem um tratamento medicamentoso à base de hormônios, que também pode restaurar a fertilidade da mulher.

Reprodução assistida

Em alguns casos, porém, a indicação para que a mulher consiga engravidar pode ser utilizar técnicas de reprodução assistida. Quando houver danos irreversíveis às tubas uterinas, por exemplo, uma possibilidade é a realização de uma fertilização in vitro (FIV), pois como nessa técnica a fertilização é realizada em laboratório, as tubas não são necessárias para que a fecundação ocorra.

Em vez disso, os óvulos são coletados em um procedimento de aspiração folicular e, após a fertilização e um período de cultura em laboratório, os embriões são transferidos para o útero da paciente.

A FIV pode também ser indicada para mulheres com baixa reserva ovariana, pois, para maximizar as chances de sucesso do procedimento, antes da aspiração dos folículos a paciente passa por um tratamento de estimulação ovariana, com o objetivo de produzir o máximo de óvulos possível.

A infertilidade feminina, portanto, é um problema mais comum do que se imagina, e seu tratamento dependerá da causa identificada. Para que se chegue ao diagnóstico correto, é fundamental fazer uma investigação detalhada, com a orientação de um especialista. Se você quiser saber mais sobre infertilidade feminina, suas causas e diferentes abordagens para tratá-la, clique aqui.

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