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Inseminação artificial: veja se é indicada para você

Inseminação artificial: veja se é indicada para você

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A reprodução assistida é definida hoje como o conjunto das técnicas desenvolvidas pela medicina para auxiliar casais com as mais diversas demandas reprodutivas a terem filhos biológicos – a despeito dos obstáculos que possam existir na trajetória em direção à realização do desejo de ter filhos.

Atualmente, a medicina reprodutiva oferece três principais técnicas de reprodução assistida – RSP (relação sexual programada), a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro) –, cujas indicações dependem primariamente dos motivos pelos quais o casal buscou auxílio médico para ter filhos biológicos.

Conhecer as razões que motivam a dificuldade para engravidar é tão importante quanto observar as metodologias de cada uma das técnicas de reprodução assistida, já que as indicações são resultado da interação desses dois fatores.

Por isso convidamos você para a leitura deste texto, que apresenta a inseminação artificial em todas as suas especificidades, para que você possa saber se ela é ou não indicada para sua situação.

O que é IA (inseminação artificial)?

A inseminação artificial é uma técnica de reprodução medicamente assistida, considerada de baixa complexidade e em que uma amostra de sêmen, previamente coletada, é depositada na cavidade uterina, durante o período fértil da mulher.

Esta foi a técnica mais utilizada durante a primeira metade do século XX, e suas indicações eram feitas principalmente para casos de infertilidade masculina leve e para mulheres com distúrbios oligovulatórios, com dificuldade para engravidar.

Atualmente, no Brasil, a IA também é indicada para casais homoafetivos femininos que desejam ter filhos biológicos, principalmente pelo desenvolvimento das técnicas complementares de criopreservação, já que nestes casos é preciso utilizar sêmen de doador.

Indicações

As principais situações em que a IA pode ser indicada estão listadas a seguir:

Infertilidade masculina leve

A infertilidade masculina leve é compreendida de forma geral, quando o espermograma revela alterações seminais relacionadas à baixa concentração de espermatozoides (oligozoospermia) e a problemas na motilidade (astenozoospermia) e morfologia (teratozoospermia) dessas células.

Essas alterações não impedem, mas dificultam a fecundação e têm origem na espermatogênese, podendo inclusive ser causadas por desequilíbrios hormonais ou fatores genéticos.

Infertilidade feminina leve

A IA também pode ser indicada para casos de infertilidade feminina, em que a mulher com menos de 35 anos, apresenta problemas ovulatórios leves, que não chegam a configurar um quadro de anovulação.

A IA pode ser adequada também para mulheres com endometriose leve, cujos focos são pequenos, pouco numeroso e estão fixados em locais afastados das tubas uterinas. Quando a endometriose afeta as tubas, pode dificultar a passagem dos gametas, caracterizando um problema obstrutivo, o que prejudica os resultados da IA e por isso, impede a indicação desta técnica.

ISCA (infertilidade sem causa aparente)

Nos casos em que o casal já passou pelos exames que realizam a investigação pelas causas da infertilidade conjugal, e nenhum motivo relevante foi revelado, fazendo com que a infertilidade permaneça aparentemente sem uma causa fundamental, a IA também pode ser uma saída.

Casais homoafetivos femininos

Os casais homoafetivos femininos, diferente do que acontece com os homens, podem ser atendidos tanto pela IA quanto pela FIV, realizando a fecundação a partir de espermatozoides obtidos por meio de doação anônima.

A principal diferença entre estas técnicas, para casais homoafetivos femininos, é que na IA a mulher que fornece o oócito é a mesma que gesta o bebê, enquanto na FIV é possível realizar a gestação compartilhada, em que uma das mulheres fornece os oócitos, e a gestação acontece no corpo de sua companheira.

O que pode restringir a IA?

É importante lembrar que as indicações e restrições do tratamento com inseminação artificial dependem do diagnóstico que motivou a infertilidade ou das especificidades das demandas reprodutivas, em cada caso.

A principal restrição da inseminação artificial é a realização da fecundação no interior do corpo da mulher. Como a fecundação ocorre naturalmente no interior das tubas uterinas, mulheres que apresentam obstruções nesse ducto podem não obter sucesso com a IA.

As obstruções tubárias normalmente são causadas pela endometriose mais severa, miomas e pólipos, nas proximidades da desembocadura das tubas no útero, e infecções tubárias, ativas ou não, decorrentes de DTS (doenças sexualmente transmissíveis).

As mulheres com distúrbios anovulatórios, que podem estar relacionados a diagnósticos de SOP (síndrome dos ovários policísticos) e endometriomas, também não costumam ter indicação para IA.

Também por prever a fecundação no interior do corpo da mulher, a IA não é indicada para homens que manifestem infertilidade por azoospermia, seja ela obstrutiva ou não.

Como é feita a inseminação artificial?

A IA é dividida em 4 etapas: estimulação ovariana, indução da ovulação, coleta e preparo do sêmen e a inseminação em si.

blankNa primeira etapa, a estimulação ovariana é feita com a administração de medicamentos hormonais que disparam os processos de recrutamento e amadurecimento folicular.

Na IA, esses protocolos utilizam dosagens hormonais menores do que na FIV, para prevenir o amadurecimento de muito folículos e assim diminuir as chances de gestação múltipla, já que nesta técnica a fecundação não é feita de forma controlada.

A indução da ovulação é feita com indutores a base de hCG (gonadotrofina coriônica humana), quando o monitoramento ultrassonográfico da etapa anterior indica o auge do processo de amadurecimento folicular, e a coleta de sêmen – ou o descongelamento do sêmen de doador, no caso dos casais homoafetivos femininos – deve ser realizada também nesse momento.

Como a amostra de sêmen para IA é conseguida por masturbação, nos casos de infertilidade masculina leve esta amostra é submetida ao preparo seminal, que é capaz de selecionar subamostras com um percentual maior de espermatozoides saudáveis, do que o observado na amostra original.

A FIV também pode utilizar o preparo seminal, mas esta técnica conta com procedimentos complementares mais precisos para recuperação espermática, especialmente para os casos de azoospermia, obstrutiva ou não – são eles PESA, MESA, TESE e micro–TESE.

Finalmente, após o preparo seminal, a amostra selecionada é depositada no útero, com auxílio de uma agulha especial, conectada a uma seringa.

Justamente por não realizar a fecundação de forma controlada, as chances de gestação oferecidas pela IA são semelhantes àquelas encontradas nos processos de gestação por vias naturais, cerca de 20% a cada ciclo de tratamento.

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