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Mioma: veja como é feito o diagnóstico

Mioma: veja como é feito o diagnóstico

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O desenvolvimento de miomas uterinos ocorre por diversos fatores, incluindo aspectos genéticos e quadros prévios de distúrbios hormonais. São tumores benignos, que afetam o miométrio e podem se instalar em diferentes partes do útero.

O tamanho, localização e a forma de crescimento são fatores que determinam a gravidade da doença e sua influência sobre a fertilidade, a ocorrência de partos prematuros e até mesmo abortos espontâneos.

Há diferentes tipos de miomas e cada um afeta de forma diversa a qualidade de vida da mulher, principalmente por se desenvolverem majoritariamente na fase reprodutiva.

Neste texto falaremos sobre como é feito o diagnóstico dos miomas e sua importância para o direcionamento correto do tratamento, principalmente para as mulheres que desejam engravidar e recebem indicação para reprodução assistida.

Quais são os tipos e miomas e os seus sintomas?

Os miomas são identificados de acordo com a localização nas camadas do útero, critério que também influencia nos possíveis sintomas apresentados pelas mulheres portadoras. Por ser uma doença com muitas variáveis e na maioria dos casos assintomática, o tratamento deve ser individualizado.

É necessário um bom diagnóstico para que seja possível realizar procedimentos de reprodução assistida mais adequados para cada caso. Vamos conhecer melhor os tipos de miomas.

Miomas intramurais

O crescimento ocorre no miométrio, camada intermediária do útero, e os tumores podem ter tamanhos diversos, variando de milímetro até centímetros. Os sintomas específicos desse tipo de mioma são aumento no volume do sangramento menstrual e cólicas severas.

Podem interferir na elasticidade do útero durante a gestação e levar ao parto prematuro e perda gestacional.

Miomas subserosos

São miomas que se desenvolvem na camada serosa do útero, em contato com o peritônio e demais estruturas da cavidade pélvica. Como o desenvolvimento ocorre em um espaço maior, conseguem atingir grandes dimensões causando compressões em outros órgãos como os intestinos e a bexiga.

Quando atingem dimensões aumentadas, irão apresentar sintomas como alterações intestinais, necessidade constante de urinar e o inchaço na região abdominal.

Os miomas subserosos normalmente não são causas de infertilidade.

Miomas submucosos

Os miomas submucosos se desenvolvem aderidos ao endométrio, camada que reveste a cavidade uterina. Como essa camada está em contato direto com a placenta e é onde ocorre a implantação embrionária, os miomas submucosos podem provocar falhas na implantação do embrião, levando a abortos espontâneos, ou outras complicações na gravidez, como o deslocamento da placenta, partos prematuros e até mesmo hemorragia pós-parto.

O principal sintoma são as cólicas severas e sangramentos abundantes durante a menstruação e entre os períodos menstruais.

Como é feito o diagnóstico dos miomas uterinos?

O diagnóstico de mioma passa por alguns processos até a sua confirmação e tratamento. A confirmação do diagnóstico é feita por exames de imagem, que além de descartar outras possíveis doenças com sintomas similares, como os pólipos endometriais e a endometriose, localiza e determina o tamanho do mioma. Essas informações são fundamentais para a definição do tratamento.

Os exames de imagens mais realizados são:

  1. Ultrassonografia transvaginal: permite a identificação e localização dos miomas;
  2. Histerossonografia: é uma ultrassonografia realizada com a expansão da cavidade uterina por soro fisiológico, melhorando a visualização para localizar os miomas;
  3. Ressonância magnética: permite a identificação mais detalhada da cavidade uterina, podendo auxiliar no diagnóstico de todos os tipos de miomas;
  4. Histeroscopia ambulatorial: exame minimamente invasivo, que utiliza uma câmera acoplada em um histeroscópio e transmite as imagens em tempo real para um monitor, permitindo a avaliação mais direta da cavidade uterina.

Após os resultados dos exames e do diagnóstico, é definida a abordagem terapêutica adequada para cada caso, considerando principalmente a vontade de engravidar no momento, a severidade dos sintomas, além do tamanho e localização.

Caso os miomas sejam assintomáticos e não causem infertilidade, a conduta é expectante.

Quando os sintomas são leves, o tratamento hormonal poderá ser indicado, sendo capaz de reduzir os sintomas.

Em casos mais graves e quando as mulheres apresentam dificuldades para engravidar, a intervenção cirúrgica poderá ser uma opção. A cirurgia é chamada miomectomia, realizada de forma minimamente invasiva, por videolaparoscopia ou histeroscopia cirúrgica.

Tratamentos para miomas e reprodução assistida

Como vimos, o tratamento mais adequado depende de um diagnóstico preciso, com critérios de localização, tamanho e grau de severidade dos sintomas.

O tratamento hormonal é muito utilizado para a redução do tamanho dos miomas e controle dos sintomas, porém, para mulheres que ainda pretendem engravidar é preciso ter cuidado e acompanhamento, já que após a interrupção do tratamento hormonal o mioma pode voltar a crescer.

As mulheres com sintomas graves que não desejam engravidar podem optar pela histerectomia, onde o útero é parcial ou totalmente removido, contudo, essa é a última abordagem sempre.

Para mulheres que desejam engravidar e sofrem com miomas, além da miomectomia é possível realizar outros tratamentos, como a embolização.

A embolização da artéria uterina é um procedimento não cirúrgico em que há uma injeção de substâncias que obstruem o fluxo de sangue responsável pela alimentação dos miomas e, dessa forma, levam à redução das dimensões dos tumores.

Durante o próprio diagnóstico também é possível que os miomas sejam retirados, caso sejam acessíveis e pouco numerosos. A prática, conhecida como see and treat (ver e tratar), é realizada em algumas técnicas, incluindo a histeroscopia ambulatorial.

As chances de gravidez após o tratamento são boas, porém, caso não seja possível por meios naturais, a FIV (fertilização in vitro) é a técnica mais recomendada em casos de infertilidade causada por miomas.

O processo de fecundação do óvulo e espermatozoides na FIV ocorre em laboratório e os embriões são transferidos posteriormente para o útero, contornando eventuais problemas causados por obstruções tubárias em decorrência de miomas.

Quer saber mais sobre miomas uterinos? Acesse outro texto aqui.

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