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Miomas: saiba identificar os sintomas

Miomas: saiba identificar os sintomas

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O útero é um dos órgãos muito dinâmico do corpo humano. Forma-se no período intrauterino, modifica-se em tamanho e composição celular com a puberdade, chega a aumentar muitas vezes seu tamanho original durante a gestação e atrofia com a menopausa.

Durante a gravidez, o útero se transforma significativamente para proteger e sustentar o feto em desenvolvimento, e atua diretamente no processo do parto, contraindo-se para dar à luz o bebê.

A saúde uterina é, por isso, fundamental para que a mulher exerça sua fertilidade com plenitude, por isso é preciso acompanhar o aparecimento de sinais e sintomas que indiquem problemas com esse órgão para que a fertilidade e a saúde como um todo não sejam prejudicadas.

Dores durante as relações sexuais, cólicas intensas, sangramento excessivo, ausente ou fora do período menstrual, presença de coágulos grandes na menstruação, além de dor e sensação de peso abdominais podem indicar que o bom funcionamento desse órgão esteja prejudicado.

Doenças como câncer de colo de útero, endometriose, adenomiose, pólipos e miomas uterinos costumam estar por trás desses sintomas e podem levar a mulher a um quadro grave de infertilidade. Quando os tratamentos para essas doenças não se mostra efetivo à recuperação da infertilidade, a mulher pode recorrer às técnicas de reprodução assistida, como a FIV (fertilização in vitro).

Confira o textoentenda melhor como identificar os miomas uterinos! e

O que são miomas?

Os miomas são formações tumorais benignas, normalmente compostas por tecido muscular ou fibroso, que surgem nas diferentes camadas do útero (miométrio, perimétrio e endométrio). O crescimento dos miomas é estimulado por estrogênios, sendo, por isso, uma das doenças chamadas hormônio-dependentes.

Por isso, a maior parte dos miomas tende a regredir durante a menopausa, quando as concentrações séricas desses hormônios caem de forma significativa.

Os miomas são classificados segundo o local em que aparecem, e os sintomas dependem de uma série de fatores, como localização, quantidade e tamanho.

O que leva ao surgimento dos miomas ainda é incerto para a medicina, especialmente porque, apesar de atingir cerca de 80% das mulheres em idade fértil, cerca de 75% dessas mulheres são assintomáticas e podem passar a vida sem ter ciência dessa condição.

Tipos de miomas

Como dissemos, a classificação dos miomas é feita a partir da sua localização no útero, assumindo uma composição celular e comportamento específicos que resultam em sintomas também específicos.

Ainda morfologicamente, o nível de aderência do mioma ao substrato uterino em que está apoiado (pediculado ou completamente aderido) também influencia na ocorrência de alguns sintomas.

Miomas subserosos

Desenvolvem-se próximos à camada mais externa do útero, o perimétrio, e podem projetar-se em direção ao interior da cavidade abdominal, comprimindo outros órgãos. Apresenta baixo risco de infertilidade.

Miomas intramurais

Quando surgem no interior do miométrio, podem ser múltiplos e microscópicos ou macroscópicos, chegando a atingir o tamanho de uma laranja. Também apresentam baixo risco de infertilidade, exceto quando o tamanho excede 5 cm.

Miomas submucosos

Projetam-se para o interior da cavidade uterina, atingindo inclusive o endométrio e ocupando espaço na cavidade uterina. Esse tipo de formação tumoral é mais raro, porém também é o que mais está relacionado à infertilidade e hipermenorragia.

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Conheça melhor os sintomas

A sintomatologia associada aos miomas uterinos está diretamente relacionada com o tipo de aderência do mioma, a sua localização, número e tamanho. Quanto mais numerosos e maiores, mais intensos são os sintomas e mais drásticas as consequências da falta de tratamento dos miomas uterinos. Já os aspectos ligados a possíveis alterações degenerativas desses miomas são resultado do tipo de aderência desse mioma.

Os miomas que surgem no perimétrio são chamados subserosos, e exatamente por se encontrarem mais próximos aos outros órgãos da cavidade abdominal produzem sintomas muitas vezes relacionados a esses órgãos. É comum que haja sensação de pressão abdominal generalizada e, já que podem projetar-se para dentro da cavidade abdominal, diminuem o espaço disponível para esses órgãos, especialmente os intestinos e todo o sistema urinário.

Como consequências sobre a bexiga e vias urinárias a mulher pode apresentar aumento na frequência urinária e até mesmo incontinência, disúria (dor ao urinar) e, mais raramente, hidronefrose (dilatação da pelve e dos cálices do rim, como consequência da obstrução do trato urinário).

Quando afeta o funcionamento dos intestinos, pode ser comum o aparecimento de quadros como prisão de ventre ou constipação rebelde, tenesmo (vontade constante de evacuar, mesmo sem necessidade real), sensação de pressão no reto e ânus, bem como oclusão intestinal (obstrução mecânica significativa ou bloqueio completo da passagem das fezes pelo intestino).

Os miomas intramurais são assim chamados por estarem entre duas camadas distintas de tecido: estão no miométrio, entre o perimétrio e o endométrio, a camada mais interna. Seja quando aparecem em grande número, seja quando crescem muito, esses miomas podem comprometer a capacidade elástica do útero e levar a abortos de repetição ou partos pré-termo.

Além disso, costumam apresentar sintomas como aumento do fluxo menstrual e dismenorreia (menstruação dolorosa). Ainda que a razão pela qual estes miomas causam hemorragia uterina anormal não seja clara, sabe-se que seu crescimento pode obstruir os vasos uterinos, o que resulta na sua dilatação e consequente rompimento.

Além disso, aumentam a área de superfície do endométrio, elevando o volume de sangue aportado ali na fase proliferativa do ciclo menstrual, já que o tamanho do útero como um todo acaba maior.

Quando pensamos em infertilidade, porém, os miomas submucosos são os que mais podem levar a esse tipo de condição. Os sintomas mais comuns nesse caso são os sangramentos irregulares e com maior frequência.

Por mais que a relação direta entre infertilidade e a presença desses miomas ainda esteja sendo elucidada pela medicina, estudos apontam vários mecanismos pelos quais esses tumores podem reduzir a fertilidade, como a distorção ou obstrução das tubas uterinas, a alteração do contorno endometrial, ocupação da cavidade uterina por um corpo estranho e persistência de sangue ou coágulos intrauterinos, que interferem na implantação do embrião.

Da mesma forma, o aumento e deformação do útero, bem como alteração da contratilidade uterina, podem influenciar tanto no transporte e no acesso dos espermatozoides ao oócito, quanto na permanência do feto durante a gestação (abortos de repetição e gestações pré-termo).

Dependendo do tipo de aderência dos miomas, no entanto, episódios de dor aguda podem ocorrer em casos de miomas pediculados que sofrem qualquer tipo de torção, que leva a um processo de degeneração.

Esse processo ocorre quando o crescimento do mioma supera o seu aporte vascular ou quando as células são substituídas por tecido fibroso denso, chegando a constituir um componente cístico. Outra consequência disso é a possibilidade de enfarte da rede venosa local que alimenta o mioma, causando dor aguda e febre.

Reprodução assistida

A infertilidade é comum nas mulheres portadoras de miomas e variam desde a incapacidade de engravidar, à ocorrência de partos prematuros e abortos de repetição. Estima-se que os miomas estejam associados com disfunção reprodutiva em 5% a 10% dos casos.

A terapêutica pode buscar saídas menos invasivas, como tratamento hormonal, porém em alguns casos a fertilidade só pode ser restaurada com a retirada cirúrgica dos miomas (miomectomia). Cerca de 75% das pacientes que se submetem à miomectomia conseguem engravidar no período de um ano.

Quando isso não acontece, as técnicas de reprodução assistida, como a FIV (fertilização in vitro), são a única saída para a mulher que quer engravidar.

No entanto, quando os miomas são muito numerosos ou grandes e comprometem as funções uterinas, é fundamental que o tratamento para involução ou retirada dos miomas seja feito antes da FIV, minimizando danos e melhorando a função do útero para sustentar a gestação, após o procedimento.

Quer saber mais sobre miomas uterinos? Toque aqui e leia nosso artigo principal sobre o assunto.

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