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O que é criopreservação? Como ocorre na reprodução assistida?

O que é criopreservação? Como ocorre na reprodução assistida?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

O desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas que permitem a conservação de material biológico, sem que o próprio procedimento ofereça chances de danos celulares e funcionais, tem sido um desafio importante da biotecnologia, atualmente.

Uma das principais dificuldades apresentadas pelas primeiras tentativas de criopreservação – ou a preservação de material biológico em baixíssimas temperaturas – era devida à formação de cristais de gelo no interior das células, que danificam as estruturas celulares, principalmente no momento do descongelamento.

Nesse sentido, a vitrificação é considerada uma das técnicas de criopreservação mais avançadas, e seu diferencial é unir uma dinâmica específica de redução da temperatura, ao uso de substâncias crioprotetoras, que diminuem as chances de formação de cristais de gelo.

A vitrificação trouxe a possibilidade de preservar diferentes tipos de material biológico por período de tempo indeterminado, e vem permitindo realizar a conservação de células reprodutivas, embriões, e outros tecidos envolvidos nos processos reprodutivos, com altas taxas de sobrevivência após o descongelamento – o que beneficia diversos casos de preservação da fertilidade e infertilidade conjugal.

Leia o texto e saiba mais sobre as mais atuais técnicas de criopreservação, especialmente para materiais biológicos destinados à reprodução assistida.

O que é criopreservação?

A criopreservação é literalmente a preservação de células e tecidos biológicos em temperaturas muito baixas, e normalmente acompanhados de substâncias crioprotetoras.

O congelamento leva o metabolismo celular a níveis mínimos e os crioprotetores auxiliam na inibição dos cristais de gelo, que podem resultar após o congelamento.

Essa combinação de fatores permite a restauração do metabolismo inicial das células após seu descongelamento, garantindo também sua integridade física e genética.

Quais são as principais formas de criopreservação?

Atualmente, a técnica mais utilizada para criopreservação e também mais avançada é a vitrificação.

Para a vitrificação, adicionam-se crioprotetores ao material biológico a ser congelado, é feito o congelamento direto em nitrogênio líquido a uma temperatura de 196 ºC negativos e, por fim, armazena-se esse material em tanques de nitrogênio líquido. Dessa maneira, evita-se ao máximo a formação de cristais de gelo e danos às células.

Como a criopreservação ajuda a medicina reprodutiva?

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Uma das principais e mais bem-sucedidas aplicações da criopreservação é o congelamento de células reprodutivas, que atualmente podem ser espermatozoides, oócitos, embriões e até mesmo porções de tecido ovariano (essa técnica ainda é experimental), com objetivo de uso para tratamentos com reprodução assistida, após o descongelamento.

Dependendo do material preservado e dos objetivos do tratamento, a criopreservação pode ser útil para duas técnicas de reprodução assistida: a FIV (fertilização in vitro) e a IA (inseminação artificial).

Conheça algumas das principais aplicações da criopreservação, na área da medicina reprodutiva:

Preservação social da fertilidade

Na preservação social da fertilidade o objetivo é submeter à vitrificação um número máximo possível de gametas, coletados preferencialmente antes dos 35 anos, quando estão mais íntegros, física e geneticamente.

A principal indicação é feita às mulheres, pois a fertilidade feminina tende a diminuir com o tempo, já que a reserva ovariana é limitada, chegando ao fim nas proximidades da menopausa – mas também é possível ser realizada por homens.

Após a preservação social da fertilidade, os gametas femininos podem ser descongelados assim que a mulher decide engravidar, e a fecundação acontece obrigatoriamente por FIV.

Nos casos de preservação social da fertilidade realizada por homens, a IA também é uma possibilidade de conseguir a gestação a partir de sêmen criopreservado.

Preservação oncológica da fertilidade

Os danos que os tratamentos oncológicos causam à fertilidade de homens e mulheres são bastante conhecidos, e a preservação oncológica da fertilidade busca minimizar as consequências desses efeitos colaterais, possibilitando a coleta e congelamento de gametas masculinos e femininos, antes que os tratamentos oncológicos tenham início.

De forma semelhante ao que acontece na preservação social da fertilidade, as células reprodutivas permanecem criopreservadas até que o tratamento para o câncer tenha fim, e podem ser descongeladas e utilizadas para reprodução assim que a pessoa desejar.

Outra semelhança com a preservação social da fertilidade é que a gestação após o descongelamento só pode ser conseguida por FIV, quando os gametas congelados são femininos, e para os homens, ambas as técnicas – FIV e IA – podem ser utilizadas.

Doação de gametas e embriões

A regulamentação sobre a doação de gametas e embriões é feita atualmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabelece critérios éticos e científicos para esse procedimento.

As tecnologias de criopreservação foram fundamentais para viabilizar a doação de espermatozoides, oócitos e embriões, já que esse material precisa ficar armazenado enquanto espera um receptor adequado.

Nestes casos, a doação de sêmen pode ser destinada à fecundação por IA e FIV, enquanto a FIV é a única técnica capaz de promover a gestação com óvulos e embriões de doação.

Freeze-all

Indicada especialmente para casais em que o endométrio da mulher não está preparado para receber os embriões durante o tratamento da FIV, o freeze-all é o congelamento dos embriões viáveis conseguidos após a fertilização in vitro.

Este procedimento permite a realização do preparo endometrial com auxílio de medicamentos à base de hormônios, de forma controlada, e o monitoramento deste processo mostra qual o melhor momento para realizar a transferência embrionária, diminuindo as chances de falhas na implantação. Neste momento os embriões são descongelados e transferidos para o interior da cavidade uterina.

Congelamento de embriões excedentes

Esta é provavelmente a forma mais frequente de uso da criopreservação na reprodução assistida, já que a maior parte dos tratamentos com FIV obtém mais embriões do que aqueles que serão transferidos para o útero.

Isso acontece porque durante o cultivo embrionário deve ser realizada uma seleção dos mais aptos, com objetivo de melhorar as chances de o tratamento resultar em uma gestação que chegue a termo.

Após os tratamentos com FIV todos os embriões excedentes, ou seja, que não foram transferidos, devem ser congelados e armazenados em bancos de células germinativas, podendo ser utilizados pelo casal mais tarde, doados ou descartados.

Recentemente, o CFM reduziu o tempo mínimo para o descarte desses embriões, de cinco para três anos.

Leia mais sobre criopreservação tocando nosso link.

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