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O que é cultivo embrionário e como é feito na FIV?

O que é cultivo embrionário e como é feito na FIV?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Reconhecida como um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade afeta homens e mulheres no mundo todo, em igual proporção. A incapacidade de ter um bebê resulta em diferentes problemas: interfere nos relacionamentos afetivos e leva ao desenvolvimento de transtornos emocionais, como por exemplo depressão e ansiedade.

No entanto, desde a década de 1970 a maioria dos problemas de infertilidade feminina pode ser solucionada pela fertilização in vitro (FIV), considerada, atualmente, a principal técnica de reprodução assistida. Em 1992, com a incorporação da injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), os fatores masculinos de maior gravidade também passaram a ter tratamento.

A FIV é realizada em cinco diferentes etapas. O cultivo embrionário é uma delas e é fundamental para o sucesso da gravidez.

Continue a leitura e saiba como o cultivo embrionário é realizado na FIV e a importância desta etapa.

O que é o cultivo embrionário e como ele é feito na FIV?

Cultivo embrionário é o termo utilizado para descrever o tempo de desenvolvimento do embrião no tratamento por FIV, antes de eles serem transferidos para o útero materno ou serem congelados, a depender do protocolo de tratamento.

No entanto, para que os embriões sejam formados, três etapas são fundamentais. A primeira é a estimulação ovariana e indução da ovulação. O procedimento utiliza medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento e amadurecimento de mais folículos, obtendo, assim, mais óvulos para a fecundação: aproximadamente 10.

A segunda etapa do tratamento prevê a coleta dos folículos dominantes chamada punção folicular, nos quais, em sua maioria, têm óvulos maduros. Simultaneamente o sêmen também é coletado e os espermatozoides de melhor motilidade e morfologia são selecionados por técnicas de preparo seminal.

Logo após ocorre a fecundação, na terceira etapa. A injeção intracitoplasmática tem sido o método mais utilizado para realizar a fecundação dos gametas. Os espermatozoides têm sua qualidade avaliada individualmente por um microscópio potente de alta magnificação e, posteriormente, são injetados diretamente no citoplasma do óvulo pelo embriologista, com a utilização de um aparelho bastante preciso, o micromanipulador de gametas.

O cultivo embrionário, é a etapa seguinte. Classicamente, os embriões eram cultivados até o segundo ou terceiro dia de desenvolvimento, fase conhecida como D3 ou clivagem, quando inicia a divisão celular e o embrião possui entre quatro e oito células.

No entanto, o avanço dos meios de cultura e tecnologia laboratorial, tornou possível o cultivo por mais tempo, até seis dias. Nessa fase o embrião é chamado blastocisto, possui centenas de células e são divididas por função. O processo se tornou conhecido como cultura estendida (ou prolongada) de embriões.

Para serem cultivados os embriões são inseridos em placas contendo meio de cultura e colocados em uma incubadora. Os meios de cultura, hoje, proporcionam um ambiente semelhante ao do organismo feminino. Assim, as técnicas laboratoriais consideram diferentes aspectos, incluindo, por exemplo, fatores ambientais como controle da qualidade do ar, pH dos meios e temperatura, entre outros.

O desenvolvimento do embrião é acompanhado diariamente por um embriologista. A cultura estendida até o estágio de blastocisto pode fornecer condições mais precisas para seleção embrionária no momento da transferência, sendo uma estratégia excelente quando a paciente possui uma boa quantidade e qualidade de embriões para selecionar ou em casos específicos em que se deseja realmente saber sobre a qualidade morfológica dos seus embriões.

Os embriões selecionados nesse estágio de blastocisto proporcionam maior taxa de implantação, aumentando, ao mesmo tempo, os percentuais de sucesso gestacional.

O embrião em blastocisto também permite maior sincronização fisiológica, uma vez que é durante essa etapa que a implantação (nidação) acontece na gravidez natural.

Assim como proporcionou o desenvolvimento de diferentes técnicas complementares ao tratamento e, consequentemente, a solução de diversos problemas.

Saiba o que pode ser analisado na fase de blastocisto

Uma das principais conquistas da cultura estendida foi a possibilidade de analisar as células do embrião e detectar doenças genéticas ou anormalidades cromossômicas, evitando, dessa forma, a transmissão para as futuras gerações.

A análise é realizada por meio do teste genético pré-implantacional, o PGT, uma das técnicas complementares à FIV.

Entenda como o PGT é realizado e o que ele pode evitar

O PGT é uma ferramenta molecular que utiliza a tecnologia NGS, next generation sequencing, ou sequenciamento de nova geração, que possibilita analisar simultaneamente milhares de fragmentos de DNA.

Para isso, utiliza três métodos diferentes: PGT-M, PGT-A e PGT-SR. O PGT-M identifica doenças genéticas presentes na família, geralmente causadas por um único gene (monogênicas), que pode ser dominante ou recessivo. Enquanto PGT-A e o PGT-SR, as anormalidades cromossômicas, que podem ser numéricas ou estruturais.

Entre as doenças que o PGT-M pode evitar a transmissão estão, por exemplo a Acondroplasia, cujo gene é dominante, na qual o desenvolvimento anormal dos ossos resulta em nanismo, a fibrose cística (gene recessivo), um distúrbio bastante comum caracterizado pelo excesso de muco nos pulmões.

Além de distúrbios relacionados ao cromossomo X, consequência de genes dominantes ou recessivos, como a hemofilia, em que há problemas de coagulação sanguínea e a Síndrome do cromossomo X frágil, que causa deficiência intelectual e problemas cognitivos.

Já as anormalidades cromossômicas numéricas são identificadas pelo PGT-A. São chamadas aneuploidia, caracterizadas pela presença ou ausência de mais cromossomos do que o normal. Elas estão associadas a falhas na implantação do embrião e abortamento nos tratamentos por fertilização in vitro e, quando transmitidas, podem resultar no desenvolvimento de condições como a síndrome de Down, em que o cromossomo 21 tem três cópias (trissomia 21).

As estruturais, analisadas pelo PGT-SR, por outro lado, são consequência da quebra simultânea de segmentos cromossômicos. Indica-se quando há alguma alteração no cariótipo do casal.

O teste genético pré-implantacional, portanto, é uma solução importante para evitar a transmissão de doenças genéticas e pode, inclusive, ser realizado por qualquer pessoa, com suspeita ou histórico familiar, independentemente de ser ou não infértil.

Quando a biópsia é realizada no 3º dia de desenvolvimento, os embriões podem ser transferidos no mesmo ciclo de tratamento. Se for realizada no 5º dia desenvolvimento, os embriões são congelados até a obtenção do resultado e, apenas os saudáveis, transferidos no ciclo seguinte de tratamento.

Conheça detalhadamente o funcionamento da FIV aqui.

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