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Obstrução das tubas uterinas e infertilidade feminina

Obstrução das tubas uterinas e infertilidade feminina

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A fertilidade é um tema presente na vida da maioria das pessoas. Assim, a infertilidade feminina costuma ser um problema que causa bastante ansiedade e sofrimento para as mulheres.

A capacidade reprodutiva da mulher, ou seja, sua fertilidade, depende de uma série de fatores. O principal é a idade, pois a mulher possui uma reserva de gametas limitada, formada ainda no período pré-natal e consumida durante a fase fértil até acabar na menopausa.

Além da idade, fatores genéticos, doenças, desequilíbrios hormonais e sequelas de intervenções cirúrgicas em estruturas importantes para o sistema reprodutivo, também podem aumentar os riscos de infertilidade feminina.

A obstrução das tubas uterinas, comumente causadas por sequelas da endometriose e contaminação com DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), é um dos principais fatores de infertilidade feminina.

É interessante lembrar que atualmente 15% da população mundial apresenta infertilidade, entre homens e mulheres, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Cerca de 30% dos casos são de infertilidade feminina.

Acompanhe a leitura do texto para saber como a obstrução das tubas uterinas está relacionada com a infertilidade feminina. Aproveite a leitura!

O que são as tubas uterinas e qual a sua importância para a fertilidade da mulher?

As tubas uterinas são estruturas musculares em forma de tubo, que possuem cerca de 10cm de comprimento cada e se localizam bilateralmente na pelve. Possuem uma das extremidades ligadas ao útero e a outra aos ovários.

Na extremidade conectada aos ovários, as tubas possuem estruturas em forma de tentáculos chamadas de fímbrias. Quando o folículo dominante amadurece, o óvulo é liberado com o seu rompimento e são as fímbrias que o capta direcionando-o para as tubas uterinas.

É nas tubas uterinas que os gametas femininos aguardam para serem fecundados por um espermatozoide. Quando isso acontece, essa estrutura é responsável pelo transporte do embrião formado, processo que acontece com o auxílio da mucosa ciliar existente nas paredes internas do canal tubário. Além disso, as tubas uterinas são capazes de executar movimentos peristálticos para levar o embrião até a cavidade uterina.

A integridade das tubas uterinas, portanto, é fundamental para a fertilidade da mulher e condições que provocam obstruções nessas estruturas podem levar à infertilidade feminina.

O que é a obstrução das tubas uterinas?

Muitos casos de obstrução das tubas uterinas são causados por sequelas da endometriose, doença que se caracteriza pela formação de focos endometrióticos, ou seja, massas compostas por células do endométrio que se multiplicam fora do útero.

Quando localizados nas tubas, os implantes endometrióticos podem obstruí-las à medida que desenvolvem. Quando isso acontece, a passagem dos espermatozoides até o óvulo fica interrompida, impossibilitando a fecundação. Mesmo que um espermatozoide consiga ultrapassar a obstrução, o embrião formado após a fecundação também não pode ser transportado para a cavidade uterina, o que também impede a gravidez.

Esse é um problema que pode se tornar grave, pois a obstrução das tubas uterinas, ao impedir o transporte do embrião, pode motivar a ocorrência de uma gravidez ectópica, quando ele se implanta na parede das tubas uterinas em vez do endométrio.

Nessa situação, a intervenção médica urgente é necessária, já que o desenvolvimento do embrião nas tubas é um risco grave para a vida da mulher.

Quais são as causas da obstrução das tubas uterinas?

A endometriose é uma das principais causas da obstrução das tubas uterinas, embora não seja a única.

Algumas DSTs, como a clamídia e a gonorreia também podem, ao alcançar as tubas uterinas, causar obstruções. Isso acontece quando os microrganismos são detectados e o sistema imunológico reage, enviando células de defesa para atacar a infecção, inclusive as células NK (natural killers), que são inespecíficas.

A ação das células NK causa inflamação, e, consequentemente, o inchaço dessas estruturas. Num primeiro momento o inchaço causado pela inflamação, chamada salpingite, pode obstruir as tubas uterinas.

Além disso, as bactérias causam lesões nos tecidos internos das tubas, formando cicatrizes que podem permanecer após o tratamento e obstruem as tubas.

A formação de tecido cicatricial que leva à obstrução das tubas uterinas também pode ser resultado de procedimentos cirúrgicos, incluindo a laqueadura, cirurgia de esterilização feminina, já que mesmo a reversão pode não ser suficiente para devolver a fertilidade à mulher.

Como a obstrução das tubas uterinas pode ser tratada?

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Quando a obstrução das tubas uterinas é causada por DSTs, como nos casos de clamídia e gonorreia, a mulher pode ser tratada com antibióticos de largo espectro para a erradicação das bactérias e o fim da inflamação.

Contudo, é muito comum que a infecção deixe cicatrizes mesmo após o tratamento e sua eliminação. Assim, as sequelas causadas pela ação das bactérias sobre os tecidos das tubas uterinas permanecem obstruindo-as.

Nos casos de endometriose, o tratamento é na maioria das vezes cirúrgico, com a remoção dos implantes por videolaparoscopia. Nos mais graves, a remoção das tubas pode ser necessária, o que provoca infertilidade feminina permanente quando a obstrução é bilateral.

Obstrução das tubas uterinas, infertilidade e reprodução assistida

Em todos estes casos, quando a mulher ainda deseja ter filhos e está em idade fértil, a reprodução assistida pode auxiliar para possibilitar a realização da maternidade.

A FIV (fertilização in vitro), é uma das técnicas de reprodução assistida mais abrangente e, por isso, pode atender a esses casos.

Como permite a coleta dos óvulos diretamente dos ovários e a fecundação acontece em ambiente laboratorial, a FIV consegue ultrapassar os obstáculos que causam a infertilidade feminina pela obstrução das tubas uterinas, possibilitando a gravidez dessas mulheres.

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