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Ovodoação: quando posso solicitar óvulos de doadora?

Ovodoação: quando posso solicitar óvulos de doadora?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A ovodoação é uma técnica complementar ao tratamento por fertilização in vitro (FIV). Importante no contexto da reprodução assistida, possibilita a gravidez de mulheres que não podem ter filhos com óvulos próprios e de casais homoafetivos masculinos.

No entanto, embora a técnica já tenha beneficiado milhares de casais no mundo todo, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que orienta a reprodução assistida no país, estabeleceu algumas regras para utilização da técnica.

A doação, por exemplo, deve ser voluntária e anônima. Ou seja, não pode ter caráter comercial e lucrativo, assim como as doadoras não devem conhecer a identidade da família receptora e vice-versa.

Continue a leitura até o final e entenda como é feita a doação de óvulos, quando é possível solicitar óvulos de doadora e como a técnica funciona no tratamento por FIV.

Como é feita a ovodoação?

Qualquer mulher saudável, com até 35 anos, quando os níveis de reserva ovariana ainda estão altos, pode doar seus óvulos. O limite de idade também é determinado pelo CFM, justificado pela redução natural da reserva ovariana provocada pelo envelhecimento, que afeta, ao mesmo tempo, a qualidade dos óvulos.

Para confirmar a saúde a doadora é submetida a diferentes exames, incluindo:

Os óvulos doados são ainda previamente selecionados em laboratório, antes de serem congelados e armazenados. Dessa forma, apenas os saudáveis são disponibilizados para doação.

A doação é feita para clínicas de reprodução assistida, muitas vezes por mulheres que já estão em tratamento. Em algumas situações esse processo pode ser, inclusive, compartilhado: mulheres em tratamento podem doar seus óvulos para outra paciente que, nesse caso, se responsabiliza pelos custos de parte do tratamento da doadora. Porém, sempre anônimo.

De um modo geral, entretanto, as doadoras são selecionadas na própria clínica de reprodução assistida, de acordo com as características biológicas do casal. O Conselho Federal de Medina desde 2017 flexibilizou a possibilidade de escolha, estabelecendo uma semelhança de forma mais genérica com a receptora, anteriormente determinada enquanto compatibilidade máxima.

Quando solicitar óvulos de doadoras?

O tratamento com a doação de óvulos é indicado particularmente nas seguintes situações:

Com a tendência, comum ao mundo contemporâneo, de adiar os planos de gravidez, a ovodoação tem se tornado um recurso cada vez mais utilizado no mundo todo, principalmente por mulheres que não preservaram previamente a fertilidade.

O procedimento, conhecido como preservação social da fertilidade, prevê a coleta e congelamento dos óvulos ainda durante a fase fértil, enquanto há altos níveis de reserva ovariana, posteriormente utilizados no tratamento por FIV.

Como é feita a recepção de óvulos no contexto da FIV?

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Da mesma forma que a doadora, a mulher receptora também é submetida a diferentes exames para confirmar a saúde e a capacidade de sustentar a gestação.

Após a análise dos óvulos da doadora, são coletadas as amostras de sêmen do parceiro, e os espermatozoides capacitados por técnicas de preparo seminal, que possibilitam a seleção dos que possuem melhor morfologia (forma) e movimento (motilidade) para a fecundação.

Os óvulos são, então, descongelados e fecundados em laboratório. Atualmente, o método mais utilizado pelas clínicas de reprodução assistida é a FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides.

Na FIV com ICSI, cada espermatozoide é novamente avaliado individualmente, em movimento, por um microscópio potente e, depois de ter a saúde confirmada, é injetado diretamente no citoplasma do óvulo com o auxílio de um micromanipulador de gametas, aparelho de alta precisão acoplado ao microscópio. Assim, as chances de fecundação são maiores.

Os embriões são posteriormente cultivados por até seis dias em laboratório e podem ser transferidos para útero para que ocorra a implantação (nidação) iniciando a gestação.

Nos primeiros dois ou três dias, quando inicia a divisão celular, fase conhecida como clivagem ou D3, ou entre o quinto e sexto dia, no blastocisto, fase em que as células já estão formadas e divididas por função.

O processo é acompanhado diariamente por um embriologista e a mais adequada para cada paciente, é definida pelo especialista.

A transferência é um procedimento bem simples, realizado na clínica de reprodução assistida e, em aproximadamente 15 dias já é possível confirmar a gravidez.

Os casais homoafetivos masculinos que vão recorrer a ovodoação, contam, ainda, com outra técnica complementar à FIV: o útero de substituição ou cessão temporária do útero. O CFM permite que o útero seja cedido por parentes dos pacientes em tratamento como mães, irmãs, tias, sobrinhas e primas.

A taxas de gravidez proporcionadas pela FIV são bastantes expressivas, as mais altas entre as técnicas de reprodução assistida, independentemente de serem utilizados óvulos próprios ou doados: em média 40% por ciclo.

Clique aqui e entende detalhadamente o funcionamento da ovodoação.

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