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Óvulo e folículo: quais são as diferenças?

Óvulo e folículo: quais são as diferenças?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Quando um casal procura o auxílio da reprodução assistida, é comum buscar informações mais detalhadas sobre o que é a fertilidade. Ao começar a pesquisa sobre o sistema reprodutor feminino e como funciona a fertilidade da mulher, é comum que o óvulo e o folículo estejam entre os principais temas de interesse.

É bastante comum também que, mesmo com as leituras em busca de entender os termos, exista uma certa confusão, pois, embora sejam estruturas diferentes, às vezes são apresentados como sinônimos.

É interessante ressaltar que os gametas femininos são tecnicamente denominados oócitos e o termo “óvulo” se refere especificamente a uma fase do desenvolvimento do oócito, imediatamente após ser liberado para a fecundação.

O3. Boa leitura!

O que são os folículos ovarianos?

Os folículos são estruturas multicelulares de formato vesicular, cujo interior é preenchido por líquido e armazena os gametas femininos. São produzidos ainda no período pré-natal, ou seja, a mulher já nasce com todos os folículos formados.

Quando chega o período da puberdade, alguns desses folículos são estimulados a se desenvolver pela ação das gonadotrofinas, especialmente o FSH, hormônio folículo-estimulante produzido pela hipófise.

A cada ciclo reprodutivo, um desses folículos atinge o auge do amadurecimento e se rompe, liberando um único óvulo maduro para as tubas uterinas, o que é conhecido como ovulação.

E o óvulo, o que é?

O óvulo é o gameta feminino propriamente dito. Essas células possuem metade do código genético da mulher. Na fecundação acontece a fusão entre as células reprodutoras masculina e feminina, formando o zigoto, primeira célula do embrião, que possui o DNA completo, resultado da união do DNA dos dois gametas.

Como os folículos são formados antes do nascimento, a mulher possui uma reserva de gametas limitada, conhecida como reserva ovariana. Ou seja, diferente dos homens, já nasce com todas as células reprodutivas de que dispõe para sua vida fértil e é incapaz de produzir mais óvulos e folículos após o nascimento.

A cada ciclo menstrual, cerca de mil folículos começam seu desenvolvimento, embora apenas um deles amadureça e ovule, e, com isso, a reserva ovariana vai diminuindo até acabar na menopausa, momento em que a mulher se torna infértil naturalmente.

Além disso, a qualidade dos gametas da mulher também diminui com a idade e a partir dos 35 anos ela já pode apresentar problemas para engravidar.

Qual a diferença entre os folículos e os óvulos?

Como mostramos, os folículos são estruturas que revestem e armazenam os óvulos até que estejam maduros. Já os óvulos são os gametas femininos propriamente ditos, que são envolvidos pelos folículos ovarianos.

Os folículos ovarianos, além de armazenar e nutrir os óvulos, também exercem uma importante função na dinâmica hormonal envolvida nos ciclos reprodutivos da mulher.

Sob a ação do LH (hormônio luteinizante), secretado pela hipófise, passam a produzir testosterona. Esse hormônio, por sua vez, sob influência do FSH se transforma em estrogênio, fundamental para a ovulação e preparação do endométrio, camada de revestimento interno do útero, caso aconteça a fecundação.

Na ovulação, o folículo se rompe e libera um óvulo que pode ser fecundado, e após o rompimento forma o corpo lúteo.

O corpo lúteo passa a secretar progesterona, hormônio essencial para que o endométrio seja estratificado e consiga estar totalmente receptivo a um possível embrião.

Se a fecundação não acontecer, o óvulo é reabsorvido pelo epitélio interno das tubas uterinas e o corpo lúteo regride, interrompendo a produção de progesterona e estrogênios. Alguns dias depois, o endométrio descama e a mulher menstrua reiniciando um novo ciclo reprodutivo e a convocação de novos folículos para o desenvolvimento.

Folículos e óvulos na reprodução assistida

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Em todas as técnicas de reprodução assistida o processo que envolve o recrutamento e amadurecimento dos folículos ovarianos é de grande importância: os tratamentos utilizam a estimulação ovariana.

A estimulação ovariana aumenta as chances de sucesso dos tratamentos por reprodução assistida com o auxílio de medicamentos hormonais, que estimulam o desenvolvimento de mais folículos e os induzem ao amadurecimento final e ovulação.

Na RSP (relação sexual programada), a técnica mais simples da reprodução assistida, a estimulação ovariana é feita de maneira mais branda. O objetivo é conseguir ao menos um óvulo maduro e evitar que aconteça gravidez múltipla, de gêmeos.

Além dos medicamentos para a estimulação ovariana, a mulher recebe uma dose única de hCG (gonadotrofina coriônica humana) ao final dessa etapa, para a indução da ovulação.

Nesse momento, o casal recebe a orientação para ter relações sexuais com maiores chances de chegar a uma gravidez.

A IA (inseminação artificial), também realiza a estimulação ovariana e a indução da ovulação de forma semelhante à RSP, já que em ambas a fecundação acontece naturalmente nas tubas uterinas.

Na FIV (fertilização in vitro), por outro lado, técnica mais avançada de reprodução assistida, o objetivo da estimulação ovariana é conseguir o maior número possível de folículos maduros, já que a fecundação é feita em laboratório e uma quantidade maior de óvulos, que podem ser selecionados, aumenta as chances de sucesso.

Nesse sentido, quanto maior a quantidade de óvulos, maiores as chances de se conseguir embriões promissores. Por isso, na FIV a estimulação ovariana é feita de maneira mais intensa do que nas outras técnicas de reprodução assistida.

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