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Pólipos endometriais: você sabe o que são e seus riscos?

Pólipos endometriais: você sabe o que são e seus riscos?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A infertilidade feminina é um dos maiores problemas daquelas que desejam engravidar e suas causas são decorrentes de doenças que afetam o sistema reprodutivo das mulheres, como miomas uterinos, endometriose, ISTs (infecções sexualmente transmissíveis) não tratadas e pólipos endometriais.

As condições que determinam o desenvolvimento dessas doenças podem estar envolvidas com fatores genéticos, alterações hormonais, diabetes, hipertensão e obesidade, além das relações sexuais sem proteção.

Neste texto focaremos no que são os pólipos endometriais e quais os seus riscos, especialmente na ausência de tratamento.

O que são pólipos endometriais?

Os pólipos endometriais são formações tumorais, em sua grande maioria benignas. Se desenvolvem pelo crescimento anormal das células do endométrio, formando corpos celulares que se fixam ao endométrio e crescem em direção à cavidade uterina.

Uma das consequências dos pólipos é a possibilidade de infertilidade por falha na receptividade endometrial, que dificulta a implantação do embrião e pode levar a perdas gestacionais.

Por ter sintomas similares a outras doenças ginecológicas, como miomas uterinos e endometriose, é necessário descartá-las.

Para isso, são realizados exames de imagem como a ultrassonografia pélvica transvaginal, histerossonografia – modalidade da ultrassonografia que utiliza soro fisiológico para expandir a cavidade uterina, obtendo imagens mais detalhadas –, ou até mesmo a ressonância magnética.

O desenvolvimento dos pólipos endometriais é mais comum em mulheres no climatério, porém pode ocorrer em mulheres na idade reprodutiva, especialmente aquelas que fazem uso de medicamentos para o câncer de mama e que já apresentaram outros distúrbios estrogênio-dependentes.

O endométrio é estimulado pela ação dos estrogênios, que aumenta a espessura do tecido preparando-o para o recebimento do embrião a cada ciclo menstrual. Na segunda metade do ciclo, a progesterona é produzida, e sua ação no endométrio controla a estrogênica, interrompendo a multiplicação celular e estratificando esse tecido.

Somente nesse momento o endométrio está completamente pronto para receber o embrião. Caso a fecundação não ocorra, descama, e isso provoca a menstruação.

O tecido que compõe os pólipos apresenta uma concentração muito baixa de receptores para progesterona, o que faz a ação do hormônio sobre os tumores ser bastante baixa. Assim, a estrogênica se torna predominante, levando ao crescimento dos pólipos.

Quais são os riscos se não houver tratamento?

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Por serem pequenos tumores benignos, na maioria das vezes, conforme se desenvolvem podem causar incômodos, cólicas fortes e até mesmo sangramento uterino anormal (SUA). Em alguns casos a mulher pode ser assintomática e de forma bastante rara pode haver malignização.

O objetivo dos tratamentos varia desde o controle hormonal dos sintomas até a cirurgia – polipectomia. Caso não recebam o tratamento adequado, os pólipos endometriais podem levar à infertilidade.

A infertilidade em decorrência dos pólipos acomete mulheres em idade fértil, prejudica a implantação do embrião e pode levar a um quadro de aborto de repetição. Além disso, os pólipos também disparam processos inflamatórios no útero, que dificultam o transporte dos espermatozoides até as tubas uterinas para fecundar o óvulo.

Quais são os tratamentos para os pólipos endometriais?

Os tratamentos são variados de acordo com a gravidade do quadro e as características da mulher.

As que se encontram em idade reprodutiva e com pequenos pólipos benignos, podem apenas fazer o acompanhamento e, se necessário, utilizar medicação para o controle hormonal. Caso seja constatada a presença de pólipos maiores que 15mm, recomenda-se a cirurgia para a retirada e avaliação do tumor.

As mulheres que desejam engravidar também podem receber indicação para o procedimento cirúrgico.

Aquelas que já passaram pela menopausa necessitam de atenção especial, pois a chance de malignização dos pólipos nesses casos é maior. O tamanho, sintomas e a quantidade de massas tumorais são determinantes para a escolha do tratamento.

Às mulheres que pertencem ao grupo de risco – especialmente aquelas diagnosticadas com obesidade e câncer de mama – também se recomenda a cirurgia para evitar o agravamento do quadro.

A cirurgia de retirada dos pólipos é conhecida como polipectomia, um procedimento de baixa complexidade realizado por histeroscopia cirúrgica, técnica que utiliza um histeroscópio com uma câmera acoplada, o que permite a transmissão em tempo real e um acompanhamento mais detalhado.

Após a remoção, na maioria das vezes a fertilidade é restaurada e são altos os índices de mulheres que conseguem engravidar naturalmente.

Como a reprodução assistida pode ajudar?

Embora o sucesso dos tratamentos para os pólipos endometriais seja alto, em alguns casos a mulher continua apresentando problemas para engravidar, mesmo após a remoção dos tumores.

Nesses casos, normalmente há indicação para reprodução assistida, especialmente para a FIV (fertilização in vitro), já que a técnica permite o congelamento dos embriões – freeze-all – e a realização de um preparo endometrial mais acurado, contando, inclusive, com medicação hormonal específica para isso.

Assim, os embriões somente são transferidos para o útero quando há melhor receptividade endometrial.

Às mulheres que não podem contar com seu útero para a gestação também podem optar pela cessão temporária de útero técnica complementar à FIV.

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