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Por que as técnicas de reprodução assistida podem falhar?

Por que as técnicas de reprodução assistida podem falhar?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A reprodução assistida é uma especialidade da medicina reprodutiva, que reúne técnicas importantes para aumentar as chances de gravidez de pessoas diagnosticadas com infertilidade, e para casais homoafetivos ou pessoas solteiras terem filhos biológicos.

São utilizadas também para a preservação oncológica da fertilidade, prevenção de doenças hereditárias e preservação social da fertilidade.

A reprodução assistida conta hoje com três técnicas principais – RSP (relação sexual programada), IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro) –, além de procedimentos complementares, que aumentam as chances de gestação, quando bem indicados.

Neste texto falaremos sobre os motivos pelos quais as técnicas de reprodução assistida podem falhar, aproveite a leitura!

Conheça melhor cada técnica

A RSP é uma técnica de reprodução assistida de baixa complexidade, indicada principalmente para casos de infertilidade feminina leve e por fatores ovarianos, já que auxilia na ovulação.

A estimulação ovariana é a primeira etapa da técnica e deve ser monitorada por ultrassonografia, exame que identifica o melhor momento para induzir a ovulação com a administração de uma dose única de hCG (gonadotrofina coriônica humana). A partir do momento em que a ovulação foi induzida, o casal tem aproximadamente 36h para manter relações sexuais com mais chances de gestação.

A IA é uma técnica também de baixa complexidade, em que amostras do sêmen contendo uma concentração maior de espermatozoides saudáveis, é depositada na cavidade uterina durante o período fértil da mulher, normalmente após a indução da ovulação, de forma semelhante ao que acontece na RSP.

A FIV é considerada uma técnica de alta complexidade, pois permite a fecundação em ambiente laboratorial controlado. Na FIV, a primeira etapa também é a estimulação ovariana e os folículos são coletados por aspiração folicular, na segunda etapa, durante o período previsto para ovulação. Os óvulos são extraídos em laboratório e selecionados para a ovulação.

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Os gametas masculinos também são selecionados pelo preparo seminal nessa etapa. Os homens coletam amostras de sêmen, por masturbação, na própria clínica, que são encaminhadas ao laboratório e submetidas à técnica.

Se os espermatozoides não estiverem presentes no sêmen, condição chamada azoospermia, podem ser coletados por recuperação espermática.

Após a fecundação, realizada geralmente por FIV com ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), os embriões são cultivados de 3 a 6 dias, quando são transferidos para o útero e espera-se que a implantação embrionária aconteça sem maiores problemas.

Embora as taxas de sucesso das técnicas de reprodução assistida sejam relativamente altas, nem sempre o tratamento consegue chegar à gestação.

Qual a proposta de cada técnica de reprodução assistida no combate à infertilidade conjugal?

Todas as técnicas de reprodução assistida têm como objetivo aumentar as chances de gravidez de um casal infértil. Além disso, a FIV e, em alguns casos, a IA, podem atender outras demandas reprodutivas, como casais homoafetivos que desejam ter filhos.

Indicações de cada técnica

A infertilidade pode ter origem em diversas doenças, como as listadas a seguir:

A RSP é indicada para infertilidade feminina leve, especificamente por oligovulação – como na SOP e nos endometriomas – já que, nesses casos, somente pela estimulação ovariana, acompanhada por ultrassonografia é possível contornar as causas da infertilidade e aumentar as chances de obter uma gestação.

A IA é indicada para os mesmos casos que a RSP, mas também para infertilidade masculina leve, quando o espermograma aponta pequenas alterações espermáticas. Isso porque a técnica também possibilita a seleção pelo preparo seminal.

Diferente da RSP e da IA, que têm indicações restritas, a FIV pode ser indicada para praticamente todas as demandas reprodutivas, incluindo os casos mais severos de infertilidade masculina e feminina, que não são atendidos pelas outras técnicas.

Por que as técnicas de reprodução assistida podem falhar?

Existem fatores no processo de reprodução humana que ainda não podem ser controlados pela medicina até o momento, como acontece no período após a transferência embrionária, quando a gestação passa a depender do sucesso na implantação do embrião no útero.

Além disso, alguns diagnósticos – ou sua ausência – por trás da indicação para reprodução assistida, podem oferecer obstáculos maiores para o sucesso das técnicas, como nos casos de ISCA (infertilidade sem causa aparente), em que o ciclo de tratamento pode falhar especialmente porque os motivos pelos quais o casal é infértil são desconhecidos.

Por outro lado, as chances são progressivamente menores com o avanço da idade, como acontece na gestação natural. Níveis mais baixos de reserva ovariana, por exemplo, proporcionam uma quantidade menor de óvulos para a fecundação, mesmo com a estimulação ovariana.

A perda de qualidade dos óvulos, comum ao envelhecimento, afeta, da mesma forma, a qualidade do embrião, o que pode resultar em falhas no tratamento.

Por isso, quando há intenção de adiar a gravidez, é indicada a preservação dos óvulos, preferencialmente antes dos 35 anos, garantindo, dessa forma, a manutenção da qualidade deles para uso no futuro.

Devido a esses fatores, é impossível afirmar que qualquer técnica de reprodução assistida garanta 100% de sucesso na gestação.

Contudo, quanto mais complexa a técnica, mais avançada ela é, o que faz com que as possibilidades de controle nas diferentes etapas do processo reprodutivo sejam maiores, diminuindo as chances de falhas.

Na FIV, ainda, os tratamentos costumam deixar embriões excedentes, que podem ser congelados e armazenados, possibilitando seu uso em novas tentativas. Assim, a falha de um ciclo de tratamento não representa o insucesso total do procedimento.

Quais são as taxas de sucesso para cada uma das técnicas de reprodução assistida?

As taxas de sucesso da RSP, costumam ser de 20% por ciclo de tratamento, semelhantes às taxas de gestação por vias naturais em pessoas que não possuem a fertilidade comprometida, que também são de 20% por ciclo reprodutivo.

A IA possui uma taxa de sucesso de gestação aproximadamente entre 20% e 25% por ciclo de tratamento, quando indicadas para casos leves de infertilidade, masculina ou feminina.

Como é uma técnica mais avançada, que permite maior participação e controle de quase todas etapas do processo reprodutivo, incluindo a manipulação em laboratório dos gametas e embriões, a FIV alcança uma taxa de sucesso na gravidez bem maior, de em média 40% a cada ciclo.

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