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Preservação oncológica da fertilidade: conheça as possibilidades

Preservação oncológica da fertilidade: conheça as possibilidades

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Ainda hoje, receber a notícia de um diagnóstico para o câncer pode provocar fortes emoções e preocupações a respeito das possibilidades de sobrevivência, embora a taxa de sobrevivência venha aumentando muito, devido aos avanços nos tratamentos desenvolvidos durante as últimas décadas.

A radioterapia e a quimioterapia são os principais tratamentos oncológicos disponíveis atualmente. Estes tratamentos, ainda que bastante bem-sucedidos, podem ser agressivos especialmente às células reprodutivas (óvulos e espermatozoides), mesmo quando o câncer não afeta qualquer estrutura do sistema reprodutivo de homens e mulheres.

A preservação oncológica da fertilidade é, por isso, um direito da pessoa em tratamento para os diversos tipos de câncer, já que possibilita o congelamento das células reprodutivas e embriões antes do início do tratamento, aumentando as chances de que a gestação aconteça, após o final do tratamento.

A FIV (fertilização in vitro) e a IA (inseminação artificial) são as duas técnicas de reprodução assistida utilizadas para a preservação oncológica da fertilidade.

Embora a FIV apresente maiores taxas de sucesso, nos casos em que é o homem quem procura essa ferramenta – e sua companheira não apresenta qualquer fator de infertilidade –, a IA pode ser realizada e apresenta uma melhor relação custo-benefício.

Esse texto mostra como a preservação oncológica da fertilidade abre possibilidades para que homens e mulheres, em tratamento para o câncer, possam continuar caminhando em busca de realizar seus planejamentos familiares.

O que é preservação oncológica da fertilidade?

O câncer é considerado um problema de saúde pública global e configura entre os quatro principais motivos da morte de pessoas com mais de 70 anos de idade.

Esse aumento da incidência do câncer, nas últimas décadas, reflete um aumento na expectativa de vida geral da população, que hoje envelhece até mais tarde e por isso é mais diagnosticada; mas também é decorrente das mudanças no estilo de vida da sociedade contemporânea, mais acelerada e estressante.

As origens etiológicas do câncer são consideradas multifatoriais, já que apesar de existir uma forte predisposição genética (quando existem outros casos de câncer na família), fatores ambientais, como a exposição à radiação, uso de substâncias tóxicas – como o tabaco – e um estilo de vida muito estressante, também participam dos gatilhos que disparam câncer.

Nesta doença, algumas células passam a apresentar um comportamento imprevisível, resultante de alterações genéticas hereditárias ou de mutações causadas por estresse oxidativo.

Essas células passam a não desempenhar suas funções corretamente e multiplicar-se de forma desordenada. As células resultantes dessas multiplicações são igualmente imprevisíveis e, após um período de tempo – proporcional à agressividade do câncer – os tecidos e órgãos afetados podem ter suas funções severamente comprometidas.

A radioterapia e a quimioterapia são os tratamentos oncológicos disponíveis para os diversos tipos de câncer atualmente, e consistem em metodologias que buscam destruir as células doentes, sem que o tecido precise ser retirado, e evitando a continuação do processo de multiplicação.

A radioterapia utiliza a emissão de radiação controlada e direcionada à área onde localizam-se as células doentes, enquanto a quimioterapia é realizada por via medicamentosa, através de substâncias que rastreiam as células anômalas e destroem-nas.

Como as doses de radiação e medicamentos dependem do tamanho e da localização do tumor – e na maior parte das vezes precisam ser mais agressivos para buscar melhores taxas de sobrevivência –, os tratamentos podem afetar células que não estão doentes, como os gametas, provocando sua destruição.

A destruição dos gametas de homens e mulheres é grave, havendo uma queda importante da sua função reprodutiva. Por isso, a preservação oncológica da fertilidade é uma forma de abrir espaço para a possibilidade de ter filhos após o tratamento.

Por que eu não conhecia a preservação oncológica da fertilidade?

Nem sempre os homens e mulheres que recebem o diagnóstico oncológico são informados adequadamente sobre as possibilidades de preservação oncológica da fertilidade.

Por isso, é importante que essa possibilidade seja apresentada da forma mais precoce possível, para que os pacientes oncológicos possam ter a perspectiva de que ao menos seu planejamento familiar não precise ser obrigatoriamente prejudicado pela doença.

Como posso fazer a preservação oncológica da fertilidade?

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A preservação oncológica da fertilidade é feita a partir do congelamento de óvulos, espermatozoides e embriões, que podem ser preservados por tempo indeterminado, e utilizados após o tratamento oncológico.

Para o congelamento de espermatozoides, uma amostra do sêmen deve ser obtida por masturbação, numa clínica específica e imediatamente encaminhada para o processo de criopreservação.

No caso dos óvulos, a mulher deve realizar a estimulação ovariana, com administração de gonadotrofinas exógenas para indução da ovulação, e a coleta é realizada por aspiração folicular, com auxílio de uma agulha de punção.

É importante lembrar que, para o congelamento de embriões, é preciso realizar a fecundação antes do processo de vitrificação, em laboratório. Os embriões são normalmente preservados após o terceiro dia de cultivo embrionário, podendo permanecer preservados por tempo indeterminado.

Após o fim do tratamento e a constatação de cura, esses materiais biológicos podem ser descongelados e os processos envolvidos nas reprodução assistida podem ser retomados, com o objetivo de conseguir a gestação.

Para saber mais acesse o link.

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