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Quando buscar um especialista em reprodução assistida?

Quando buscar um especialista em reprodução assistida?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

É muito comum, quando o casal está tentando engravidar, encontrar dificuldades nesse processo que podem levantar a possibilidade de infertilidade conjugal – o que costuma trazer angústia e apreensão, especialmente sobre o futuro do planejamento familiar.

Os casais diagnosticados com infertilidade conjugal podem apresentar problemas relacionados à infertilidade masculina, infertilidade feminina ou na associação desses dois aspectos.

Em alguns casos, mesmo após a investigação para as causas da infertilidade é impossível determinar precisamente os motivos pelos quais o casal não consegue ter filhos – que correspondem a cerca de 10% a 15% dos casos de infertilidade e são chamados ISCA (infertilidade sem causa aparente).

Os casais que buscam auxílio da medicina reprodutiva para ter filhos biológicos, costumam recorrer a um especialista principalmente quando há suspeita de infertilidade ou para prevenção na transmissão de doenças hereditárias.

Para compreender melhor essas condições e também o melhor momento para procurar apoio médico, nos acompanhe na leitura do texto a seguir.

O que determina que um casal é infértil?

A Organização Mundial da saúde define infertilidade conjugal como a inabilidade de um casal, em idade reprodutiva, sexualmente ativo e que não usa contraceptivos, em conseguir uma gestação que chegue a termo, mesmo após 1 ano de tentativas.

Isso significa que não somente aqueles que não conseguem chegar à gestação são considerados inférteis, mas também os casais que passam por situação de perdas gestacionais sequenciais, como o aborto de repetição.

A infertilidade pode ter origem em anomalias genéticas – que resultam tanto em órgãos e estruturas com problemas anatômicos e funcionais, como em doenças que prejudicam a formação de gametas ou estão por trás de desequilíbrios hormonais – e em doenças adquiridas ao longo da vida.

Chamamos infertilidade primária, aquela que se manifesta normalmente de forma precoce e antes que qualquer gestação aconteça – e, na maior parte das vezes, de origem congênita.

Quando este quadro se apresenta para casais em que um ou ambos já tiveram filhos, chamamos infertilidade secundária, mais comum em casos em que a infertilidade é resultado de doenças adquiridas, como a contaminação com DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), e cirurgias como a vasectomia e a laqueadura tubária.

Quando procurar um especialista em reprodução assistida?

Normalmente os casais que encontram dificuldades quando decidem engravidar, pela primeira vez ou após outras gestações, podem ter dúvidas quanto ao melhor momento para buscar auxílio de um especialista em medicina reprodutiva.

De forma geral, além dos casais que já estão tentando engravidar sem sucesso, é imprescindível buscar ajuda quando o casal observa as seguintes situações:

Abortamento de repetição

Define-se aborto de repetição como duas ou mais perdas gestacionais, que tenham acontecido antes da 22ª semana de gestação, e das quais a mulher tenha tomado conhecimento por meio de exames laboratoriais ou de imagem.

Nesses casos, é necessário investigar se as perdas gestacionais estão conectadas entre si por fatores genéticos, imunológico ou a ação de agentes microbianos, que alteram a receptividade endometrial, um fator importante na fertilidade das mulheres.

Presença de sintomas dolorosos, infecciosos ou de alterações visíveis

Alterações na funcionalidade e anatomia do sistema reprodutivo, de origens genéticas ou adquiridas, podem resultar em infertilidade.

Os sintomas dolorosos estão presentes em diversas doenças que disparam processos inflamatórios, como a endometriose, adenomiose, alguns casos de miomas uterinos e pólipos endometriais – e também as DSTs, em que se observa inflamação acompanhada de infecção.

Em alguns casos, as doenças que provocam infertilidade também apresentam outras alterações, muitas vezes identificadas visualmente, como o hiperandrogenismo da SOP (síndrome dos ovários policísticos), ou a presença de secreção e pus vaginal e peniana, típico das infecções, o aumento no volume de estruturas como a bolsa escrotal ou a presença de massas na cavidade pélvica.

Na presença de quaisquer desses sintomas é imprescindível que se busque atendimento médico de forma rápida.

Histórico de doenças genéticas na família

Um dos principais motivos pelos quais casais buscam auxílio da medicina reprodutiva é a apreensão quanto à possibilidade de transmitir doenças genéticas hereditárias, das quais o casal normalmente já tem conhecimento, ou o receio de gerar crianças com problemas genéticos, o que é mais comum em mulheres que decidem adiar a maternidade.

Nestes casos, muitas vezes o casal busca o especialista em reprodução assistida antes mesmo de dar início às tentativas, diferente do que acontece com aqueles que suspeitam de infertilidade conjugal.

A idade da mulher

É durante o período de desenvolvimento embrionário, que as mulheres produzem todas as células reprodutivas com as quais poderão contar ao longo de sua vida, até a menopausa. Estas células dão origem aos folículos ovarianos que armazenam os oócitos e estão dispostos nos ovários, em um estoque limitado, chamado reserva ovariana.

Após a puberdade, a cada ciclo reprodutivo um número específico de folículos é recrutado para o amadurecimento e, destes, apenas um concluiu esse processo, rompendo-se e liberando o ovócito contido em seu interior para a ovulação.

Dessa forma, ao longo de sua vida reprodutiva, a mulher consome a reserva ovariana a cada ciclo, até que essa reserva se esgote gradualmente. A partir dos 35 anos, em média, já é possível observar um declínio sensível na quantidade de folículos antrais e, consequentemente, no potencial da fertilidade feminina.

Quando a mulher se aproxima da menopausa, seus ciclos reprodutivos podem apresentar menos ciclos ovulatórios do que o normal, diminuindo as chances de conseguir uma gestação nesse período.

Além disso, assim como acontece com os homens, a estabilidade genética das células reprodutivas femininas pode também sofrer um declínio com o passar do tempo, o que também diminui as chances de engravidar e aumentar as taxas de bebês com problemas genéticos.

Quais as possibilidades de tratamento?

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As principais técnicas disponíveis atualmente são a RSP (relação sexual programada), a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro) – as duas primeiras consideradas de baixa complexidade, indicadas para casos leves de infertilidade.

A FIV é hoje a técnica mais complexa, abrangente e com as melhores taxas de gestação, indicada para os mais diversos casos de infertilidade, para realizar a preservação social e oncológica da fertilidade e também no atendimento de casais homoafetivos que desejam ter filhos.

A FIV permite ainda a aplicação do PGT (teste genético pré-implantacional), que rastreia as células embrionárias em busca de anomalias genéticas, hereditárias ou não, para melhorar a seleção embrionárias, antes da transferência dos embriões para o útero, e assim potencializar as taxas de gestação além de prevenir a transmissão de doenças hereditárias.

Chances de sucesso

As chances de sucesso variam de acordo com a técnica escolhida, os motivos da busca pela reprodução assistida e com a idade da mulher.

As técnicas de baixa complexidade – IA e RSP – têm taxas mais baixas e indicações mais restritas que a FIV, normalmente a técnica mais bem-sucedida.

De qualquer forma, qualquer que seja a técnica utilizada, a chance de gestação decresce conforme aumenta a idade da mulher, assim como acontece nas gestações conseguidas por vias naturais.

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