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SOP: quais são os sintomas?

SOP: quais são os sintomas?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Os ovários são duas glândulas do sistema reprodutor feminino, com formato semelhante ao de uma amêndoa, localizadas a cada lado do útero. São responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos: progesterona e estrogênio e pelo armazenamento dos folículos, bolsas que contêm os óvulos ou células reprodutivas da mulher.

A cada ciclo menstrual os ovários liberam um óvulo para ser fecundado e originar um embrião. O processo acontece durante toda a vida reprodutiva.

O desenvolvimento e amadurecimento do óvulo dura cerca de 13 dias e é estimulado pelo hormônio FSH. No 14º dia o hormônio LH funciona como um gatilho para induzi-lo à ruptura e liberação do óvulo, ou ovulação.

A ovulação marca o momento mais fértil da mulher, quando as chances de gravidez são maiores.

Qualquer alteração nesse processo, portanto, pode resultar em infertilidade feminina. A síndrome dos ovários policísticos (SOP), está entre as patologias femininas que provocam maior interferência. É considerada a principal causa de anovulação (ausência de ovulação) ou disovulia (distúrbio ovulatório).

Continue a leitura, conheça mais sobre a SOP e saiba identificar os sintomas que alertam para a necessidade de procurar um especialista.

O que é SOP?

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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais causas de infertilidade feminina no Brasil e a endocrinopatia mais comum na mulher, ocorrendo entre 5% e 10% das pacientes. Essa síndrome não é atual e foi descrita inicialmente, em 1935, por Stein-Leventhal, como uma associação entre amenorreia (ausência de menstruação) com ovários policísticos.

A condição é, portanto, caracterizada clinicamente e, não apenas, pela presença de cistos ovarianos, apesar de eles serem frequentes. Assim, a SOP é um conjunto de sinais e sintomas que incluem alterações reprodutivas, endócrinas e metabólicas, cuja expressão clínica é variável.

Começa, usualmente, durante a puberdade e pode melhorar na vida adulta com a maturação do sistema reprodutor. A SOP surge motivada por um controle inadequado do eixo hipotálamo-hipofisário-gonodal, com todas glândulas funcionantes.

Sua etiologia específica não está bem elucidada, entretanto, diversas hipóteses já demonstram que pacientes portadoras tem alterações na liberação hipotalâmica de gonadotrofinas (GnRH), na liberação hipofisária dos hormônios luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH), além de alterações ovarianas e de suprarrenais.

Recentemente, estudos demostram que a resistência periférica a insulina também é um fator preponderante no desenvolvimento e manutenção da SOP.

Todos esses fatores somados levam a um microambiente androgênico nas células foliculares imaturas, ou seja, elas aumentam a secreção de testosterona, principal hormônio masculino também produzido em pequenas quantidades pelos ovários.

Esse microambiente impede o crescimento do folículo e a formação do corpo lúteo (formado a partir do folículo que rompe), responsável pela manutenção da produção de progesterona: consequentemente, não acontece a ovulação.

Por isso, a SOP é a principal razão de hiperandrogenismo feminino, hirsutismo, disovulia ou anovulação crônica e infertilidade pelo distúrbio da ovulação. Ela é, ainda, associada a fatores de risco como genética familiar positiva para síndrome e obesidade com resistência à insulina. Quanto antes for diagnosticada, maior a possibilidade de se evitar suas consequências.

Conheça os sintomas de SOP

As manifestações clínicas resultam, entre outras causas, do hiperandrogenismo gerado pelo processo fisiopatológico da doença: desenvolvimento anormal de pelos (hirsutismo) – em excesso, com características masculinas e em locais, geralmente, pouco comuns, como seios ou face, acnes e alopecia (perda temporária de cabelo).

A ausência de ovulação, ainda, causa distúrbios menstruais, devido a não formação do corpo lúteo, produção de bons níveis de progesterona, hormônio essencial para manutenção do endométrio.

Além disso, a resistência periférica à insulina, comum em mulheres obesas, além de interferir no desenvolvimento folicular, pode causar acantose nigricans, caracterizada pelo espessamento e escurecimento da pele, nas axilas, base do pescoço e nas dobras dos dedos e cotovelos.

Outros sintomas podem incluir ganho de peso, com dificuldade de controlá-lo, depressão, ansiedade, alterações do humor, problemas relacionados ao sono e cefaleia.

SOP e autoestima

A produção excessiva de andrógenos causa modificações no corpo da mulher. Muitas são estéticas, como o hirsutismo, a acne e a alopecia, tendo como consequência alterações no completo estado de bem-estar da paciente e sua autoestima pode ser, então, afetada negativamente. Como consequência, a saúde mental da paciente também, levando ao afastamento social e interferindo nas relações pessoais.

SOP e infertilidade

A infertilidade está também presente nas pacientes que tem SOP e é causada pela anovulação ou disovulia: uma vez que, se não há óvulo maduro, não há como engravidar. As portadoras têm, ao mesmo tempo, maiores chances de abortamentos precoces, muito provavelmente devido ao desequilíbrio hormonal e baixos níveis de progesterona na fase lútea.

Além disso, durante a gravidez o risco de diabetes gestacional é aumentado e as chances de pré-eclâmpsia também.

Como a SOP é investigada?

Vários exames são realizados para excluir a possibilidade de outras patologias com sintomas semelhantes e, ao mesmo tempo, confirmar a possibilidade de SOP.

Entre eles estão: testes hormonais, para analisar os níveis dos hormônios envolvidos no processo reprodutivo e de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética (RM).

Alguns critérios também devem ser observados:

1 – Oligo e/ou anovulação;

2 – Hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico;

3 – Ovários com morfologia policística, com presença de 12 folículos ou mais, entre 2 mm e 9 mm, e volume ovariano acima de 10 cm3.

A SOP é confirmada se houver a presença de pelo menos dois desses critérios.

Qual o melhor tratamento para SOP?

Para as mulheres que estão tentando engravidar, a principal indicação é a estimulação ovariana, procedimento que utiliza medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento e amadurecimento de um ou mais folículos.

É a primeira etapa das três principais técnicas de reprodução assistida. Relação sexual programada (RSP) e inseminação artificial (IA) são de baixa complexidade e indicadas para mulheres com SOP que tenham até 37 anos e as tubas uterinas saudáveis, pois a fecundação ocorre como em um processo natural, além de parceiro com espermograma normal.

A fertilização in vitro (FIV), por outro lado, de maior complexidade, prevê a fecundação em laboratórios e é indicada para mulheres com SOP acima de 37 anos ou caso tenham trompas muito alteradas e/ou parceiro com alteração severa no sêmen.

Todas elas aumentam as chances de gravidez de mulheres com SOP.

Alguns tipos de medicamentos também podem ser administrados para aliviar os sintomas. Anticoncepcionais orais para controlar as irregularidades menstruais, hormônios esteroides de ação antiandrogênica, para inibir os sintomas masculinos e, um agente sensibilizador, quando há resistência à insulina.

Para saber mais sobre a SOP leia o nosso conteúdo especial.

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