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Ultrassonografia na investigação da infertilidade

Ultrassonografia na investigação da infertilidade

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A infertilidade conjugal é definida como a não ocorrência de gravidez após 12 meses de tentativas, porém a confirmação diagnóstica dos motivos pelos quais um casal não consegue ter filhos deve sempre ser feita por exames laboratoriais e de imagem, como a ultrassonografia.

A ultrassonografia é uma tecnologia que utiliza ondas sonoras para obter imagens, em tempo real, das estruturas internas do corpo. Essas ondas sonoras são disparadas por um emissor em direção às estruturas que se pretende observar, e essas variações no formato das ondas são então registradas por um aparelho e traduzidas em imagens.

A ultrassonografia é o exame de imagem mais realizado no mundo e tem aplicações em diversas áreas da medicina para observar as estruturas da cavidade abdominal e pélvica, testículos, ligamentos, tendões e a musculatura esquelética.

Além de ser um exame de imagem bem abrangente, a ultrassonografia também é segura, pois não utiliza radiação, simples e acessível, por não demandar obrigatoriamente preparo prévio para sua realização, exceto em casos específicos, como o diagnóstico da endometriose.

No texto a seguir abordaremos o papel da ultrassonografia na investigação da infertilidade de homens e mulheres.

Ultrassonografia na investigação da infertilidade feminina

A infertilidade feminina pode ser causada por desequilíbrios hormonais e malformações anatômicas, que afetam os três principais órgãos do sistema reprodutor feminino: ovários, tubas uterinas e útero.

A infertilidade por fator ovariano pode ser consequência da SOP (síndrome dos ovários policísticos), uma síndrome metabólica que provoca alterações hormonais resultando em anovulação.

Um dos sintomas que determinam o diagnóstico da SOP é a presença de cistos nos ovários, identificados pela ultrassonografia transvaginal, assim como os cistos da endometriose ovariana, chamados endometriomas, que também interferem na ovulação, levando à infertilidade.

A função principal das tubas é permitir o trânsito de gametas que resulta na fecundação. Se essas estruturas estão obstruídas, o encontro entre óvulo e espermatozoide pode não acontecer. Além disso, a mulher tem mais chance de desenvolver uma gestação tubária, que pode danificar ainda mais essas estruturas e é potencialmente perigosa.

Os casos de infertilidade por fator tubário também podem ser diagnosticados com o auxílio da ultrassonografia. A mulher pode, também, apresentar obstrução tubária por endometriose, ou distorção da anatomia desta estrutura, comprometendo sua funcionalidade.

Além disso, a contaminação por DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) pode gerar cicatrizes, que podem oferecer obstáculos no trânsito tubário, mesmo após o tratamento.

A infertilidade por fator uterino, comumente causada pela presença de miomas uterinos, pólipos endometriais e adenomiose, está relacionada principalmente a problemas com a receptividade endometrial, período mais favorável para o embrião implantar. Nesses casos, a mulher pode apresentar perda gestacional por falha na implantação e abortamento de repetição.

Ultrassonografia pélvica

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A ultrassonografia pélvica é o exame mais solicitado para a investigação da infertilidade feminina, já que a maior parte das estruturas reprodutivas da mulher se encontra na cavidade pélvica. Pode ser feita em duas modalidades principais: transvaginal e suprapúbica.

Na ultrassonografia suprapúbica, a mulher deve deitar e expor o abdômen pélvico, em cuja superfície é aplicado um gel para facilitar o deslizamento do transdutor e melhorar a nitidez das imagens.

Este exame normalmente é indicado para uma visão mais geral da cavidade pélvica, porém oferece imagens menos detalhadas que a modalidade transvaginal.

Na ultrassonografia transvaginal, o transdutor tem um formato anatômico para ser introduzido pelo canal vaginal até o colo do útero. Essa modalidade consegue imagens menos amplas, mas fornece mais detalhes, principalmente sobre o interior da cavidade uterina e as tubas.

A histerossonografia é um exame específico, em que o ultrassom transvaginal é feito após a distensão uterina com soro fisiológico para a obtenção de imagens ainda mais detalhadas.

Outra forma de ultrassonografia é indicada para o diagnóstico da endometriose, e exige preparo intestinal antes do procedimento, já que a doença também pode se instalar no reto, intestinos ou bexiga, e o esvaziamento dos intestinos melhora a visão dessas estruturas.

Ultrassonografia na investigação da infertilidade masculina

A infertilidade masculina normalmente ocorre por problemas na espermatogênese, processo de formação dos espermatozoides nos testículos, ou por obstruções no trajeto percorrido durante a ejaculação, que impedem os espermatozoides de atingir percorrer o caminho até a saída por meio do sêmen.

As obstruções e alterações na espermatogênese podem levar a quadros de azoospermia obstrutiva e não obstrutiva, oligozoospermia e outras alterações nos parâmetros seminais, como astenozoospermia e teratozoospermia, problemas na motilidade espermática e na morfologia dos espermatozoides, respectivamente.

Ultrassonografia testicular com Doppler

A varicocele é uma doença genética em que estruturas que irrigam o cordão espermático são defeituosas resultando em acúmulo de sangue, aumento de temperatura e pressão no interior da bolsa escrotal, que armazena os testículos, prejudicando severamente a espermatogênese.

Além do espermograma, a varicocele também pode ser diagnosticada pela ultrassonografia testicular, uma modalidade que utiliza a tecnologia Doppler para avaliar o fluxo sanguíneo em movimento, e assim identificar as veias varicosas típicas da doença.

Quer conhecer outras aplicações da ultrassonografia pélvica? Toque o link e leia mais.

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