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Blastocisto e FIV: conheça a relação

Blastocisto e FIV: conheça a relação

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Os processos envolvidos na gravidez e concepção são complexos, independentemente da forma como a gestação é conseguida: natural e com auxílio da reprodução assistida.

Após a fecundação, que ocorre nas tubas uterinas, a união dos gametas feminino e masculino origina uma célula primordial, que entra em processo de desenvolvimento formando o embrião, assim chamado durante as primeiras nove semanas de gestação.

O desenvolvimento inicial do futuro bebê acontece durante esse período até a nona semana da gravidez, quando são formadas as primeiras células, tecidos, órgãos e sistemas que crescem e se especializam durante o desenvolvimento fetal.

Algumas técnicas de reprodução assistida, como a RSP (relação sexual programada) e a IA (inseminação artificial), esperam que a fecundação também ocorra nas tubas uterinas, potencializando outras etapas do processo reprodutivo, diferente do que acontece na FIV (fertilização in vitro), em que é realizada em ambiente laboratorial totalmente controlado.

Ainda assim, o desenvolvimento embrionário na FIV e nas gestações naturais é o mesmo, com a diferença de que na FIV é possível observar com detalhes esse processo, inclusive para determinar o melhor momento para a transferência do embrião.

Leia o texto a seguir e entenda melhor como isso acontece!

O que é o blastocisto?

O blastocisto é, por definição, um estágio do desenvolvimento embrionário, que tem início aproximadamente no 5º dia após a fecundação. Nesse momento, se caracteriza principalmente pelo surgimento da blastocele e a separação das células embrionárias propriamente ditas, daquelas que formam os anexos embrionários, placenta, cordão umbilical e líquido amniótico.

Esse processo, no entanto, tem início na própria fecundação. Com a entrada do espermatozoide que consegue romper a zona pelúcida no interior do óvulo, e a subsequente fusão dos materiais genéticos do homem e da mulher, forma-se o zigoto, célula primordial do desenvolvimento humano.

Nas primeiras horas após a fecundação, o zigoto inicia uma série de clivagens, divisões celulares com a conservação do material genético completo nas células resultantes, que originam as primeiras células do agora chamado embrião.

O primeiro estágio do desenvolvimento embrionário é a mórula, em que as células resultantes das clivagens se organizam em um maciço, semelhante a uma amora, ainda envolto pela zona pelúcida que resta do óvulo. O embrião atinge o estágio de mórula ainda nas tubas uterinas, aproximadamente no 3º dia após a fecundação e, nesse momento, todas as suas células são idênticas e indiferenciadas.

Durante a condução do embrião para o útero, tem início a formação da blastocele, uma cavidade central que polariza dois grupos de células que exibem a primeira forma de diferenciação celular do desenvolvimento humano: as que vão dar origem ao embrião, daquelas que formam os anexos embrionários.

A nidação, que inicia a gestação propriamente dita e consiste na fixação do embrião no endométrio, acontece normalmente durante a etapa de blastocisto. Nesse momento, há o rompimento da zona pelúcida embrionária, chamado hatching, para que as células do blastocisto invadam o endométrio permitindo a fixação do embrião no tecido.

Conheça melhor a fertilização in vitro

A FIV é uma técnica de reprodução assistida de alta complexidade, indicada para as mais variadas demandas reprodutivas da atualidade, incluindo infertilidade, preservação da fertilidade, casais homoafetivos e pessoas solteiras que desejam ter filhos.

Assim como a maior parte das técnicas de reprodução assistida, a FIV também tem a estimulação ovariana como etapa inicial, embora nesse caso os protocolos de medicação hormonal para induzir o recrutamento e amadurecimento de mais folículos seja mais robusto, específico para a obtenção de um número maior de gametas femininos.

A coleta de gametas femininos é feita por aspiração folicular, enquanto os espermatozoides podem ser obtidos em amostras de sêmen e por recuperação espermática.

Após a seleção das melhores células reprodutivas, a fecundação acontece por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) ou da forma tradicional e tem início o desenvolvimento embrionário.

Desenvolvimento embrionário na FIV

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A etapa seguinte à fecundação na FIV, é chamada cultivo embrionário e tem como principal objetivo acompanhar detalhadamente as primeiras clivagens do zigoto, observando se a integridade das células embrionárias resultantes é mantida, tanto do ponto de vista morfológico como genético.

O cultivo embrionário é realizado em um período de no mínimo 3 dias – quando o embrião alcança o estágio de mórula – e no máximo 6 dias, etapa em que é chamado blastocisto, que possibilita a seleção dos melhores embriões para a transferência embrionária ao final do tratamento com a FIV.

Aos casais com histórico pessoal e familiar de doenças hereditárias e àqueles que buscam a FIV para ter filhos após os 35 anos da mulher, pode ser indicado o PGT (teste genético pré-implantacional).

O PGT rastreia os embriões em busca de anomalias genéticas e é realizado com uma biópsia embrionária, cujo material é coletado durante a etapa de mórula ou blastocisto.

Transferência de blastocisto na FIV

O tempo destinado ao cultivo embrionário pode variar de 3 a 6 dias, dependendo de diversas fatores, que devem sempre ser analisadas individualmente, embora na maior parte dos tratamentos com a FIV a transferência embrionária seja feita quando o embrião atinge o estágio de blastocisto.

Nos casos em que a fecundação não resulta em um número consistente de embriões, situações em que a infertilidade pode ser consequência da idade da mulher ou baixa concentração de espermatozoides viáveis no sêmen, a transferência de blastocisto pode ser feita no 3º dia de cultivo.

A transferência de blastocisto também pode ser feita com embriões congelados em ciclos anteriores de tratamento com a FIV.

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