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Clamídia: exames e diagnóstico

Clamídia: exames e diagnóstico

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Uma das principais formas de contaminação das diversas estruturas que compõem o sistema reprodutivo de homens e mulheres é a via sexual, quando as relações sexuais acontecem sem o uso dos preservativos de barreira – as camisinhas masculina e feminina.

As DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) são provocadas pelo contato com microrganismos como bactérias, fungos, vírus e protozoários. As infecções podem ou não manifestar sintomas, mas oferecem sempre riscos de comprometimento das funções e da anatomia dos órgãos e estruturas acometidas, provocando inclusive infertilidade.

A clamídia, umas das DSTs mais prevalentes em homens e mulheres sexualmente ativos no mundo, é um exemplo de infecção majoritariamente assintomática. A ausência de sintomas facilita a transmissão da doença, já que nem sempre o portador tem consciência de sua condição, além de dificultar o diagnóstico precoce pela demora em buscar atendimento médico.

O texto a seguir mostra como é feito o diagnóstico de clamídia e os principais exames envolvidos nesse processo.

Boa leitura!

O que é clamídia?

A clamídia é uma das DSTs mais prevalentes na população em idade reprodutiva, especialmente entre homens e mulheres sexualmente ativos, de 15 a 44 anos.

A doença é consequência do contato com a bactéria Chlamydia trachomatis, que pode acontecer por vias sexuais, embora a transmissão vertical, durante o parto, também seja possível.

Além da clamídia, a contaminação por outras bactérias pode provocar DTS, como:

A maior parte das DSTs bacterianas pode exibir sintomas semelhantes, como veremos a seguir.

Como identificar a infecção por clamídia?

Sintomas da clamídia

Assim como a maioria das doenças, o diagnóstico para clamídia começa com a abordagem dos sintomas relatados, embora a suspeita possa surgir somente quando homens e mulheres encontram dificuldades para ter filhos, já que a clamídia geralmente é assintomática.

Se manifestar sintomas, os principais em homens e mulheres são:

Quando homens e mulheres buscam atendimento médico em função de qualquer um dos sintomas mencionados, a primeira consulta inclui também a abordagem do histórico de saúde individual, em busca de outros casos de DSTs anteriores, além do exame físico.

No exame físico masculino observa-se alterações nos órgãos genitais, tais como aumento do volume e da sensibilidade testicular, alterações visíveis na superfície da glande e a presença de secreção saindo pela uretra.

No caso das mulheres, é realizada a palpação interna e externa do abdômen pélvico e, com auxílio do espéculo, avaliado o canal vaginal e o colo do útero em busca de secreções e mesmo lesões mais visíveis.

O diagnóstico, porém, só é confirmado por exames laboratoriais, especialmente porque a maior parte das DSTs manifesta sintomas semelhantes aos provocados pela clamídia, e a determinação precisa do agente microbiano responsável pelas alterações encontradas no exame físico é fundamental para a definição do tratamento mais adequado.

Diagnóstico da clamídia

De forma geral, o diagnóstico da clamídia pode ser feito por três tipos de exames laboratoriais: cultura de material biológico, exame de sangue e por PCR (reação em cadeia da polimerase). Durante o exame físico na primeira consulta pode ser realizada uma raspagem do canal vaginal e colo do útero ou a coleta da secreção expelida pela uretra, no caso dos homens, este material é enviado para o laboratório.

A cultura desse material biológico passa por diversos testes que identificam os microrganismos presentes na secreção e, consequentemente, no trato reprodutivo.

O exame de sangue busca avaliar a presença de anticorpos específicos para clamídia. Quando esses anticorpos são encontrados, isso significa que a pessoa teve contato com a doença, mesmo que não exista qualquer manifestação evidente de sintomas.

Já o PCR, considerado hoje uma metodologia mais precisa e acessível, pode ser realizado com uma amostra de urina, sem dispensar o primeiro jato, embora também seja possível fazer o PCR com uma amostra de material biológico, semelhante ao mencionado no exame de cultura.

Neste, há verificação de material genético da própria bactéria no material coletado, confirmando a infecção.

Uma das vantagens do PCR é que ele pode constatar a presença da clamídia mesmo em casos assintomáticos e com mais precisão que os demais procedimentos.

Quais as consequências de não tratar a clamídia?

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A clamídia é uma doença infecciosa e, como tal, um dos maiores perigos da ausência de tratamento é a expansão da infecção, que pode atingir outros órgãos e estruturas da cavidade pélvica e do corpo como um todo.

As principais consequências da clamídia, na ausência ou atraso do tratamento, são:

Em alguns casos, as regiões afetadas pela bactéria podem exibir lesões em forma de cicatrizes, as chamadas aderências, mesmo após a erradicação. Dependendo das estruturas envolvidas, a fertilidade de homens e mulheres pode ser severamente prejudicada.

Como é feito o tratamento para clamídia?

Por ser uma infecção bacteriana, o tratamento é feito exclusivamente com antibióticos específicos, que podem ser administrados por via oral ou intravenosa (nos casos mais graves), em dose única ou no tratamento continuado, durante alguns dias.

É importante que as parcerias sexuais sejam também testadas e tratadas de forma preventiva e que o casal se abstenha de relações sexuais durante o tratamento.

O último passo é a realização de novos exames para confirmar a erradicação da bactéria.

Reprodução assistida e clamídia

A reprodução assistida é recomendada quando homens e mulheres continuam apresentando dificuldades para engravidar, mesmo após o fim dos tratamentos antibióticos e a confirmação da cura.

Nesses casos, a infertilidade normalmente é provocada por obstruções nos epidídimos, que geram um quadro de azoospermia obstrutiva, e nas mulheres, como consequência de cicatrizes, que bloqueiam as tubas uterinas ou alteram a receptividade endometrial.

Entre as técnicas de reprodução assistida disponíveis, a FIV (fertilização in vitro) é a mais indicada. Na FIV é possível conseguir espermatozoides por recuperação espermática, quando são coletados diretamente dos testículos e epidídimos. Enquanto a coleta de folículos é feita por aspiração folicular, diretamente nos ovários.

Encontre mais informações sobre clamídia tocando no link.

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