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Clivagem: o que é na FIV

Clivagem: o que é na FIV

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A FIV (fertilização in vitro) é uma técnica de reprodução assistida que atende a um amplo leque de demandas reprodutivas. Principalmente porque praticamente todas as etapas para se conseguir uma gestação – coleta de gametas, fecundação, desenvolvimento embrionário e a chegada do embrião ao útero – são feitas de forma altamente controlada, em laboratório.

A técnica torna-se ainda mais abrangente por contar com técnicas complementares, como o PGT (teste genético pré-implantacional) – procedimento que pode ser feito durante o cultivo embrionário –, com função de rastrear o embrião em busca de anomalias genéticas, que possam prejudicar a gestação ou a vida do futuro bebê.

Inclusive, uma das etapas mais importantes da FIV é o cultivo embrionário, que acontece durante os 3 a 5 dias após a fecundação. Nesse tempo, se observam aspectos ligados à integridade genética do embrião e também o bom andamento das primeiras clivagens: divisões celulares que o zigoto – célula primordial do ser humano – realiza para formar o embrião

Acompanhe a leitura do texto a seguir e entenda melhor o que são as clivagens que originam o embrião.

O que é clivagem?

Para compreender melhor o que são as clivagens que a célula primordial do ser humano sofre para gerar o que chamamos embrião, é preciso acompanhar os antecedentes desse evento, desde a fecundação.

A fecundação é um processo que pode acontecer de forma natural, nas tubas uterinas, ou em ambiente laboratorial, nos casos de tratamento com a FIV. Embora sejam processos bastante diferentes, em ambos deve acontecer o encontro entre óvulo e espermatozoide e o pareamento de seus materiais genéticos – na realidade, a definição mais exata do que é fecundação.

Quando o espermatozoide rompe a zona pelúcida do óvulo, essa membrana garante que mais nenhum espermatozoide penetre seu meio intracelular. O espermatozoide então libera o material genético contido em seu interior, que deve encontrar o do óvulo e formar o núcleo da primeira célula humana, o zigoto.

Algumas horas após a formação do zigoto, essa célula dá início a uma sequência de clivagens, ou seja, divisões celulares, que multiplicam o material genético do zigoto de modo que todas as células derivadas das clivagens sejam idênticas – contenham o mesmo DNA.

Assim que o zigoto inicia as clivagens, pode então ser chamado embrião e começa a ser transportado, pelos movimentos peristálticos das tubas uterinas, até o útero, onde deve realizar a implantação no endométrio, processo que dá início à gestação.

Entenda melhor a clivagem dentro dos procedimentos da FIV

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De forma geral, as primeiras clivagens do zigoto devem acontecer nos tratamentos com a FIV da mesma forma que aconteceriam caso a fecundação se desse por vias naturais, mais especificamente durante o período de cultivo embrionário.

Vamos compreender melhor como a FIV é feita, para localizar essa importante etapa do processo de formação do embrião na técnica.

A FIV começa, assim como as demais técnicas de reprodução assistida, IA (inseminação artificial) e RSP (relação sexual programada), pela estimulação ovariana. Nessa etapa, a mulher recebe doses diárias de uma medicação hormonal – normalmente à base de análogos do GnRH ou das próprias gonadotrofinas – com objetivo de induzir o recrutamento e amadurecimento de um número específico de folículos ovarianos.

Esse processo tem início nos primeiros dias do ciclo reprodutivo e é acompanhado por ultrassonografia pélvica transvaginal, que indica o momento ideal para a segunda etapa do tratamento: a coleta de gametas.

Enquanto os gametas femininos são coletados por aspiração folicular, os gametas masculinos podem ser obtidos de uma amostra de sêmen ou por recuperação espermática, quando os espermatozoides são coletados diretamente dos testículos ou dos epidídimos nos casos em que não estão presentes no sêmen (azoospermia).

Após a coleta de gametas, a fecundação na FIV pode ser feita da forma tradicional, com a colocação do óvulo no mesmo recipiente que os espermatozoides, ou por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Assim que a fecundação é realizada, o zigoto entra em processo de cultivo embrionário, em recipiente adequado, com meio de cultura nutritivo e protetivo.

As primeiras clivagens que geram o embrião acontecem no início do cultivo embrionário, e devem ser observadas quanto à normalidade de seus processos. Dessa forma, o cultivo embrionário é importante por permitir que aspectos impossíveis de acompanhar na gestação por vias naturais, possam ser monitorados com precisão pela FIV.

O cultivo embrionário dura de 3 a 6 dias, período em que o embrião atinge estágios de desenvolvimento suficientes para que possam ser transferidos para o útero.

A transferência embrionária é um procedimento simples, em que os embriões são aspirados por uma agulha especial e depositados no útero, onde espera-se que possa se fixar e a implantação embrionária aconteça, dando início à gestação.

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