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Congelamento de óvulos: saiba quando você pode fazer e quando é mais indicado

Congelamento de óvulos: saiba quando você pode fazer e quando é mais indicado

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Com o desenvolvimento das técnicas de reprodução assistida nas últimas décadas, a abrangência dos procedimentos atende a uma quantidade cada vez maior de demandas reprodutivas.

Com esse avanço, hoje não somente os casais inférteis podem contar com a reprodução assistida, mas praticamente todas as demandas reprodutivas, incluindo casais homoafetivos, homens e mulheres que desejam ter filhos de forma independente, portadores de doenças genéticas hereditárias e a preservação da fertilidade para pessoas que desejam adiar os planos de ter filhos ou com indicação para tratamentos oncológico.

Hatching assistido, recuperação espermática, ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) e o congelamento de óvulos – ou oócitos – são algumas dessas ferramentas desenvolvidas nas últimas décadas pela medicina reprodutiva.

O congelamento de óvulos é útil para diversas formas de preservação da fertilidade, como, por exemplo, quando a mulher opta por adiar a maternidade. Também é possível fazer o congelamento do sêmen, apesar de ser um procedimento pouco usado nos processos de preservação da fertilidade.

Entenda melhor quais são os melhores momentos para recorrer ao congelamento de óvulos no decorrer deste texto. Boa leitura.

O que é congelamento de óvulos?

A nomenclatura correta para os gametas femininos é oócito, porém, como esse é um termo menos conhecido, utilizaremos a palavra óvulo, usada popularmente para se referir às células reprodutivas nesse texto.

O congelamento de óvulos envolve um conjunto de procedimentos complexos, que começa com a avaliação da fertilidade da mulher e a estimulação ovariana como preparação para coleta dos óvulos, que serão conservados por criopreservação.

O armazenamento é feito em tubos especiais, com material nutritivo e protetivo que impede a formação de cristais, submetidos a um processo de congelamento rápido em nitrogênio líquido.

Por que realizar o congelamento de óvulos?

Idade da mulher

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Diferente do que ocorre no organismo masculino, todas as células reprodutivas femininas são formadas antes do nascimento, e permanecem em estado estacionário de desenvolvimento até a puberdade. Isso faz com que a reserva ovariana seja um estoque limitado.

Entre a puberdade e a menopausa, quando a função reprodutiva da mulher termina, a cada ciclo a reserva ovariana é consumida pelos processos de recrutamento e amadurecimento dos folículos ovarianos para ovulação.

Além disso, a qualidade genética dos óvulos tende a diminuir e a espessura da zona pelúcida, que controla a entrada de espermatozoides, tende a aumentar quanto mais a menopausa se aproxima, o que pode não somente diminuir as chances de engravidar, mas também aumentar o risco para a concepção de bebês com alterações genéticas.

Preservação da fertilidade

Mulheres que recebem o diagnóstico de câncer e a indicação de tratamento oncológico podem ser beneficiadas com o congelamento de óvulos – preservação oncológica da fertilidade.

É importante ressaltar que a mulher deve ser avisada desta possibilidade antes de iniciar os tratamentos, já que a quimioterapia e a radioterapia na maior parte das vezes danificam as células reprodutivas.

A preservação da fertilidade também pode ser feita por mulheres que desejam adiar os planos de gravidez. Nesse caso é chamada preservação social da fertilidade.

Quando posso congelar meus óvulos?

De forma geral, mulheres em qualquer idade, desde que anterior à menopausa e posterior à puberdade, podem recorrer ao congelamento de óvulos, embora o mais indicado seja optar pelo congelamento dos gametas até os 25-30 anos de idade, quando a qualidade das células reprodutivas está em seu auge.

Como é feito o congelamento dos óvulos?

O congelamento dos óvulos é feito em etapas: estimulação ovariana, monitoramento ultrassonográfico do amadurecimento folicular, aspiração folicular e o armazenamento dos óvulos, criopreservados.

A fase de estimulação ovariana é realizada pela administração de medicamentos hormonais, sejam eles análogos do GnRH (hormônio liberador de gonadotrofinas) ou das próprias gonadotrofinas FSH (hormônio folículo- estimulante) e LH (hormônio luteinizante), que induzem ao recrutamento e amadurecimento dos gametas, permitindo a obtenção de mais de um óvulo maduro para coleta.

Essa etapa sempre deve ser acompanhada por exames ultrassonográficos – ultrassonografia pélvica transvaginal –, que servem para monitorar o amadurecimento dos folículos, determinando o melhor momento para a coleta.

Quando se verifica que os folículos estão maduros, é realizada a aspiração folicular. O procedimento é feito com a inserção de um cateter bem fino por via transvaginal até o útero, guiado por ultrassonografia. Esse cateter está acoplado em uma de suas extremidades à agulha que toca os folículos e a uma seringa de sucção em sua outra extremidade

Os óvulos são posteriormente extraídos em ambiente laboratorial, e passam por uma seleção para que apenas os maduros sejam congelados.

O congelamento dos gametas é realizado por vitrificação, já que o processo deve ser feito de maneira muito rápida para evitar a formação de cristais com potencial para danificar as estruturas das células reprodutivas. Esse processo é realizado por submersão do tubo em que estão depositados os óvulos diretamente em nitrogênio líquido.

Após o congelamento de óvulos a mulher só poderá engravidar com a utilização deles na FIV (fertilização in vitro), única técnica de reprodução assistida em que o processo de fecundação ocorre de forma artificial, em laboratório.

Ainda restaram dúvidas sobre o congelamento de óvulos? Toque no link para saber mais.

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