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Endometriomas e reserva ovariana

Endometriomas e reserva ovariana

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A endometriose é considerada uma das doenças ginecológicas mais comuns e pode causar infertilidade, especialmente quando afeta os ovários e pode levar a uma diminuição da reserva ovariana.

A endometriose ovariana normalmente leva à formação de endometriomas, que são cistos avermelhados aderidos ao córtex do ovário, no qual estão localizadas as células reprodutivas femininas (oócitos).

A presença dos endometriomas pode aumentar a pressão sobre as glândulas sexuais femininas e alterar o equilíbrio do estrogênio, prejudicando a maturação folicular e danificando os oócitos, o que pode provocar infertilidade.

A reserva ovariana é a quantidade de folículos presentes nos ovários e pode ser avaliada por uma série de exames, que incluem dosagens hormonais, como o hormônio antimülleriano (HAM) e a inibina B, e por meio de exames de imagem, como a ultrassom endovaginal para contagem de folículos antrais (CFA).

O prejuízo causado pelos endometriomas ao amadurecimento folicular, além de gerar anovulação e/ou disovulia, também leva a uma diminuição da reserva ovariana e, consequentemente, das possibilidades de engravidar.

Este texto explica melhor como é a relação entre os endometriomas e a diminuição da reserva ovariana, apresentando tratamentos e a reprodução assistida como saída para os casos mais graves.

O que é a reserva ovariana?

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A reserva ovariana é a quantidade de folículos com potencial para ovulação, contidos nos ovários de uma mulher. A reserva ovariana surge ainda no período embrionário e até a 8ª semana de gestação já está completa; após o nascimento, no entanto, não é possível produzir mais nenhum folículo, apenas recrutar e amadurecer aqueles formados durante o desenvolvimento fetal.

Isso significa que, ao longo da vida, a reserva ovariana diminui sistematicamente e, em alguns momentos específicos, como a puberdade e o climatério, adquirem velocidades diferentes nessa diminuição.

A ovulação é um processo cíclico, por meio do qual os folículos ovarianos são recrutados, amadurecidos e rompidos para a liberação do oócito contido nele. A cada ciclo, cerca de 1000 folículos são recrutados, porém apenas um completa o processo de amadurecimento e rompimento para a liberação do óvulo, fazendo da ovulação o principal mecanismo de depleção da reserva ovariana ao longo da vida.

A partir dos 35-40 anos, a reserva ovariana apresenta um declínio mais intenso, e a fertilidade da mulher passa a declinar. Aproximadamente na 5ª década de vida, a reserva ovariana – e a função reprodutiva das mulheres – termina, o que caracteriza a menopausa.

Algumas doenças, como a endometriose ovariana, afetam a reserva ovariana, levando a uma diminuição precoce do potencial de fertilidade das mulheres.

O que são endometriomas?

A endometriose é uma doença crônica inflamatória de difícil diagnóstico, prevalente em até 10% da população mundial de mulheres, que pode ter consequências indesejadas para a fertilidade feminina.

Existem 3 tipos de endometriose, de acordo com a localização dos focos de endométrio ectópico, e os diferentes graus de infiltração desses focos (superficiais ou profundos) também revelam muito sobre a intensidade dos sintomas e as possibilidades de tratamento.

Os endometriomas são cistos avermelhados, formados de tecido endometrial ectópico, que se desenvolvem nos ovários, sendo estrogênio-dependentes, ou seja, seu surgimento e desenvolvimento depende da ação desse hormônio sexual, produzido durante o ciclo reprodutivo pelos ovários.

A origem da endometriose e dos endometriomas, no entanto, ainda é obscura para a medicina reprodutiva. Uma das principais teorias aceitas hoje é a teoria de Sampson ou teoria da menstruação retrógrada, que explica o surgimento de endométrio ectópico.

Essa teoria aponta o refluxo menstrual como agente disseminador do crescimento de endométrio fora do útero: por uma dificuldade de esvaziamento uterino durante a menstruação, esse tecido subiria para as tubas uterinas, caindo na cavidade abdominal, onde se implantaria e desenvolveria nos vários órgãos ali presentes, como intestino, bexiga, ovário e tubas uterinas entre outros.

No entanto, existem muitas outras teorias que buscam explicar as causas da endometriose, uma vez que ela se manifesta de formas muito variadas.

Os principais fatores de risco para endometriomas são nunca ter engravidado (nuliparidade), ter parentes próximas que já sofreram da doença, presença de malformações genitais.

Tratamentos e a reprodução assistida

O tratamento para os endometriomas deve ser indicado quando observa-se a presença de sintomas ou quando a mulher deseja engravidar.

Os principais sintomas da endometriose ovariana são irregularidades menstruais, dismenorreia, dores pélvicas e infertilidade por anovulação e/ou disovulia.

A indicação de tratamento medicamentoso é feita para as mulheres com sintomas leves e que não desejam engravidar, já que é feito com base na administração de anticoncepcionais orais combinados ou com progestagênios isolados.

Para as mulheres que desejam engravidar, o mais recomendado é a reprodução assistida, como a FIV (fertilização in vitro), porque a retirada dos endometriomas por intervenção cirúrgica tem grandes chances de prejudicar a reserva ovariana.

Quer saber mais sobre a endometriose? Toque no link!

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