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Endometriose e reprodução assistida: qual a relação?

Endometriose e reprodução assistida: qual a relação?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Uma das principais características da endometriose é o surgimento de um tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, que é seu local de origem. Assim como o endométrio original, os focos endometrióticos também respondem à dinâmica do ciclo reprodutivo ativamente, especialmente aos estrogênios.

Os estrogênios são um conjunto de hormônios sexuais envolvidos no ciclo reprodutivo e que estimulam as células do endométrio a multiplicarem-se, entre outras funções.

Os focos de endométrio ectópico, típicos da endometriose, estão associados também a processos inflamatórios e, por isso, provocam alterações nas estruturas em que estão alojados prejudicando seu funcionamento.

Atualmente, no entanto, a endometriose é considerada uma doença de amplo espectro, ou seja, que pode apresentar uma variedade de subtipos e conjuntos de sintomas, formando quadros clínicos relativamente diversos que podem ou não incluir algumas formas de infertilidade feminina.

Este texto traz informações importantes sobre as possibilidades de infertilidade decorrente da endometriose e especialmente como a reprodução assistida pode auxiliar mulheres com esse diagnóstico a ter filhos. Boa leitura!

O que é a endometriose?

A endometriose é definida como uma doença estrogênio-dependente em que se observa a presença de quaisquer dos tipos celulares que compõem o endométrio, epitélio e estroma, isolados ou não, aderidos a estruturas fora da cavidade uterina e do miométrio, geralmente com um processo inflamatório associado.

Esse endométrio ectópico, no entanto, contém mais receptores para estrogênios se comparado ao endométrio original, fazendo com que a expressão desse hormônio nos locais em que há endometriose seja mais intensa.

Sob a ação dos estrogênios, os focos endometrióticos multiplicam suas células, como o endométrio original, porém tornam-se inflamados e aumentam de tamanho em locais inadequados, interferindo em diversos graus no funcionamento das estruturas em que estão aderidos.

A classificação da endometriose depende da localização dos focos endometrióticos e da profundidade alcançada por eles ao se infiltrarem:

Embora as mulheres com endometriose possam apresentar conjuntos de sintomas individualizados, os casos sintomáticos frequentemente manifestam dor, alterações no fluxo menstrual e no ciclo reprodutivo, além de infertilidade.

Endometriose e infertilidade

A infertilidade pode ser uma consequência da endometriose, ainda que essa relação dependa muito principalmente da localização dos focos endometrióticos.

Os endometriomas, ou seja, os cistos avermelhados que se formam nos ovários quando a endometriose afeta esse órgão, são a forma da doença que mais prejudica a fertilidade, provocando anovulação e danos à reserva ovariana.

Embora a anovulação possa ser tratada, os danos à reserva ovariana são irreversíveis e diminuem relevantemente a expectativa de vida fértil da mulher.

A infertilidade também pode estar associada à quadros de endometriose em que os implantes estão aderidos às tubas uterinas ou ao peritônio próximo a essas estruturas.

Nesses casos, o processo inflamatório desencadeado pela doença provoca o inchaço das tubas e a consequente obstrução do canal de passagem em seu interior.

A infertilidade por obstrução tubária decorrente da endometriose acontece porque o trânsito de espermatozoides e óvulo é impedido e a fecundação, que normalmente acontece nas tubas, não ocorre.

Conheça os tratamentos possíveis para endometriose

O diagnóstico da endometriose pode ser demorado e difícil, tanto porque os sintomas se confundem aos encontrados em outras doenças estrogênio-dependentes, como também porque os implantes podem ser difíceis de visualizar nos exames de imagem.

Exames como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética estão entre os mais indicados para a identificação inicial da endometriose. O diagnóstico, contudo, somente é fechado com a retirada cirúrgica de material para biópsia e identificação das características laboratoriais da endometriose.

A escolha do melhor tratamento para endometriose depende principalmente dos sintomas apresentados pela mulher e seu desejo reprodutivo.

Os casos mais leves e quando a mulher não deseja ter filhos podem ser abordados pelo tratamento medicamentoso, que usa contraceptivos para regular o ciclo menstrual e anti-inflamatórios para o controle dos sintomas dolorosos e sangramentos.

Às mulheres com infertilidade por endometriose e que desejam engravidar em um curto prazo, porém, somente pode ser indicada a reprodução assistida.

Reprodução assistida para infertilidade provocada pela endometriose

A reprodução assistida, atualmente, conta com três técnicas principais: a RSP (relação sexual programada) e a IA (inseminação artificial), de baixa complexidade, e a FIV (fertilização in vitro), de alta complexidade.

Os casos mais leves de endometriose, em que a mulher não apresenta obstrução tubária decorrente da doença e o casal não possui infertilidade conjugal por fator masculino, a RSP pode ser indicada.

Nessa técnica, a mulher passa pela estimulação ovariana, um tratamento hormonal diário, com início no segundo ou terceiro dia da menstruação, monitorada por ultrassonografia e seguida da indução da ovulação, feita com uma dose única de hCG (gonadotrofina coriônica humana).

O objetivo é determinar com mais precisão o período fértil da mulher, quando o casal é aconselhado a manter relações sexuais com mais chance de resultar em gestação.

A IA é um pouco mais complexa que a RSP, embora também seja indicada para os mesmos casos mais leves de endometriose. A principal diferença entre as indicações da IA e da RSP está no fato de que a IA também pode incluir casais com endometriose e fatores de infertilidade masculina leve associados.

Isso porque a técnica consiste essencialmente em coletar espermatozoides e selecionar subamostras de sêmen contendo uma quantidade mais relevante de gametas masculinos viáveis para serem inseminados diretamente no útero durante o período fértil da mulher, determinado de forma semelhante à RSP.

Os casos mais graves de endometriose e quando a mulher apresenta qualquer forma de obstrução tubária decorrente da doença, normalmente recebem indicação para a FIV. Nessa técnica de reprodução assistida ambos os gametas são coletados para que a fecundação seja reproduzida em laboratório.

Para isso, a estimulação ovariana na FIV é consideravelmente mais robusta, resultando no amadurecimento de diversos folículos que são aspirados após a indução da ovulação.

Nesse sentido, a FIV consegue atender aos casos mais severos de anovulação, normalmente associados à endometriose ovariana (endometriomas), pela intensidade da estimulação ovariana.

Quando a mulher apresenta obstrução das tubas pela endometriose, a única técnica viável também é a FIV.

Após a coleta de gametas, a fecundação é realizada em laboratório, ou seja, fora das tubas uterinas, dispensando a sua integridade para o processo ser bem-sucedido.

Conheça melhor a endometriose tocando neste link.

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