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ISCA (infertilidade sem causa aparente): quando ela acontece

ISCA (infertilidade sem causa aparente): quando ela acontece

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A manutenção da integridade dos órgãos e estruturas que compõem os sistemas reprodutivos de homens e mulheres é fundamental para a fertilidade de ambos, assim como o equilíbrio da dinâmica hormonal e a saúde do sistema endócrino, que coordena os processos reprodutivos, entre outras funções metabólicas.

Embora muitas doenças que provocam infertilidade masculina e infertilidade feminina – fatores que contribuem para o diagnóstico geral de infertilidade conjugal – sejam já descritas pela medicina, a grande complexidade da reprodução humana e do funcionamento das estruturas envolvidas nela faz com que alterações mínimas, muitas vezes imperceptíveis aos exames, possam prejudicar as chances de engravidar.

A esta condição chamamos ISCA (infertilidade sem causa aparente) e justamente a ausência de diagnóstico pode trazer angústia e ansiedade ao casal que busca atendimento médico, quando encontra dificuldades para engravidar.

Por isso, acompanhe a leitura do texto a seguir e entenda melhor em que situações especificamente não é possível identificar as causas da infertilidade, e como a medicina reprodutiva oferece técnicas de reprodução assistida, com grande potencial para ajudar mesmo casais sem diagnóstico preciso, a ter filhos.

Boa leitura!

O que é ISCA?

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A condição de ISCA, ou infertilidade sem causa aparente, não é exatamente um diagnóstico, mas justamente a ausência dele. Ou seja, ISCA não é uma doença, mas sim uma condição, que pode inclusive ser reversível.

Em linhas gerais, podemos dizer que a ISCA é determinada quando, mesmo após uma intensa investigação diagnóstica em busca das causas da infertilidade conjugal, os motivos pelos quais um casal não consegue ter filhos por vias naturais não são determináveis.

Como é o processo para determinar a condição de ISCA?

A própria definição desta condição nos indica que a determinação dos casos de ISCA só pode ser feita na ausência de resultados determinantes nos exames que avaliam a saúde do sistema reprodutivo de homens e mulheres.

Entre os principais exames utilizados para avaliação da integridade da fertilidade em homens e mulheres são:

No que tange a identificação dos casos em que a infertilidade conjugal é causada por fatores masculinos, o espermograma é um dos exames mais importantes, por indicar em que condições estão os parâmetros seminais.

Algumas das alterações mais relevantes nos parâmetros seminais, como azoospermia, podem ser assintomáticas e por isso precisam ser especialmente investigadas nos casais que apresentam infertilidade, mas sem outros sintomas relevantes.

Os exames de imagem – como as ultrassonografias, histerossalpingografia, histeroscopia e a ressonância magnética – são importantes para a identificação de doenças como a varicocele, miomas uterinos, pólipos endometriais e endometriose, em alguns casos até mesmo em estágios iniciais e assintomáticos.

Estes exames também podem fornecer imagens das tubas uterinas e epidídimos, observando se existem aderências nessas estruturas, provocadas pela cicatrização de tecidos possivelmente acometidos por infecções, como a clamídia, que podem estar presentes de forma silenciosa, mesmo após o tratamento da infecção.

Alterações hormonais que afetam a ovulação, como acontece na SOP (síndrome dos ovários policísticos), também podem ser assintomáticas e em muitos casos a mulher só descobre que é portadora quando apresenta dificuldades para engravidar.

Por isso é importante que também dosagens hormonais sejam realizadas, para descartar não somente a possibilidade de SOP, como também de outras alterações do sistema endócrino que prejudicam a fertilidade de forma geral.

O que fazer em caso de ISCA?

A determinação da condição de ISCA, como observamos melhor até aqui, só pode ser feita após a realização da bateria de exames mencionados anteriormente e em face do resultado negativo para alterações que justifiquem a dificuldade do casal em ter filhos.

Na ausência de um diagnóstico específico, o casal normalmente recebe indicação direta para reversão da infertilidade com auxílio das diversas técnicas de reprodução assistida, disponíveis atualmente.

Como a reprodução assistida é indicada para casais com ISCA?

A reprodução assistida é comumente a primeira abordagem para os casos de ISCA, justamente porque não existe um diagnóstico que possa direcionar outros tipos de tratamento – embora a idade da mulher possa ser um fator limitante na escolha da técnica mais adequada para cada caso.

Isso porque a reserva ovariana, e consequentemente a fertilidade da mulher, tende a diminuir naturalmente com a passagem do tempo, fazendo com que as técnicas de baixa complexidade – RSP (relação sexual programada) e IA (inseminação artificial) – somente sejam boas indicações para mulheres com menos de 37 anos, mesmo aquelas sem qualquer diagnóstico que aponte infertilidade.

Assim, para a maior parte dos casos de ISCA, a indicação com maiores chances de resultar em gravidez é a FIV (fertilização in vitro).

Nesta técnica, as células reprodutivas femininas e masculinas são obtidas, respectivamente, por punção folicular (após a estimulação ovariana) e por masturbação ou recuperação espermática – e todas passam por alguma forma de seleção, com objetivo de obter os melhores gametas e, assim, mais chances de sucesso na promoção da gestação.

A fecundação é então realizada fora do corpo da mulher e os embriões são cultivados entre 3 e 5 dias, para que se desenvolvam até a fase de blastocisto e para que seu crescimento seja observado, com objetivo de selecionar somente os melhores para a transferência embrionária.

É possível, com a FIV, realizar também o preparo endometrial de forma controlada, com medicamentos hormonais, e em um ciclo diferente daquele em que se obteve os gametas e os embriões.

Em todo caso, o monitoramento desta etapa é feito com ultrassonografia transvaginal e indica o momento ideal para a transferência dos embriões para o útero, o que deve acontecer somente quando o endométrio se mostra realmente adequado para auxiliar a implantação embrionária.

Como podemos ver, justamente porque as alterações responsáveis pela infertilidade não são conhecidas, a FIV oferece maiores chances de gravidez aos casais com ISCA, por realizar praticamente todos os passos para a gestação de forma controlada, em laboratório, diminuindo as chances de falha em cada etapa.

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