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Motilidade espermática: o que é e qual a relação com a fertilidade?

Motilidade espermática: o que é e qual a relação com a fertilidade?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

Chamamos sêmen o material expelido na ejaculação, formado por líquidos glandulares e células reprodutivas – e por isso fundamental para a fertilidade masculina.

Enquanto os líquidos do sêmen são compostos pelas secreções das três glândulas anexas ao aparelho reprodutor masculino – vesículas seminais, glândulas bulbouretrais e próstata –, os espermatozoides são células únicas, com a função exclusiva de fecundar o óvulo.

Estruturalmente, o espermatozoide é formado por cabeça, contendo núcleo e acrossomo, peça intermediária, com uma grande quantidade de mitocôndrias, e cauda, responsável pela motilidade desta célula. A integridade de todas essas estruturas é fundamental para que o espermatozoide consiga desempenhar seu papel no processo reprodutivo.

A motilidade espermática é um dos aspectos funcionais do espermatozoide e, justamente por atuar na locomoção destas células dentro do aparelho reprodutivo feminino, é fundamental para o encontro com o gameta feminino.

Problemas na motilidade espermática podem se refletir em dificuldades para engravidar a parceira e podem estar associadas a outras doenças, que provocam sintomas diversos, além da infertilidade.

Neste texto vamos abordar a motilidade espermática e sua relação com a fertilidade masculina, além das possibilidades de tratamento – incluindo a reprodução assistida.

Boa leitura!

Entenda o que é a motilidade espermática

Em linhas gerais, a motilidade espermática é a capacidade de o espermatozoide locomover-se pela propulsão da cauda mantendo o controle da direção de seu nado, após a liquefação do sêmen.

Este aspeto espermático pode ser avaliado sob dois pontos de vista: a capacidade de vibração da cauda e se este movimento leva o espermatozoide a se locomover “para frente”.

Ou seja, a motilidade espermática deve ser progressiva para a maior parte dos espermatozoides contidos no sêmen de uma ejaculação, para que este aspecto seja considerado normal na avaliação da fertilidade masculina.

Além da motilidade espermática, diversos outros fatores do sêmen podem ser analisados e todos são comparados com os parâmetros de normalidade espermática estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo a OMS, os parâmetros de normalidade da motilidade espermática são estes:

Fertilidade masculina e motilidade espermática

Na fecundação por vias naturais – ou seja, em que não há participação das técnicas de reprodução assistida –, o encontro entre o óvulo e os espermatozoides acontece normalmente com as relações sexuais durante o período fértil da mulher, nas tubas uterinas.

Para alcançar o óvulo, os espermatozoides são lançados no interior do corpo da mulher com a ejaculação, junto aos líquidos do sêmen, que nutrem os espermatozoides e protegem estas células da acidez típica do canal vaginal.

Pouco tempo após a ejaculação, o sêmen perde viscosidade e torna-se mais liquefeito, facilitando a propulsão dos espermatozoides pelos movimentos da cauda. Neste momento, os espermatozoides que conseguem nadar de forma mais veloz e direcionada (progressiva) têm mais chance de chegar ao encontro do óvulo e disputar a fecundação desta célula.

A motilidade espermática, portanto, é um aspecto fundamental para a fertilidade masculina, sendo por isso um aspecto seminal importante na avaliação da capacidade reprodutiva do homem.

Alterações seminais relacionadas à baixa motilidade espermática

Astenozoospermia é o nome técnico para a condição em que o homem apresenta problemas seminais relacionados à diminuição da motilidade espermática. Identificada pelo espermograma, a astenozoospermia pode ser uma consequência de diversas doenças e condições, diagnosticadas por outros exames.

Os problemas na motilidade espermática podem ter origem em alterações genéticas que prejudicam a espermatogênese (formação dos espermatozoides), mas também por doenças infecciosas, especialmente DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e outros microrganismos envolvidos com quadros de uretrite, epididimite, orquite e prostatite.

A varicocele, uma doença genética que prejudica o fluxo sanguíneo no cordão espermático, também pode provocar problemas na motilidade espermática, embora a azoospermia seja uma consequência mais comum da doença. Nestes casos, as alterações na temperatura testicular podem afetar a formação da cauda, causando astenozoospermia.

A motilidade espermática pode ser afetada também por hábitos cotidianos pouco saudáveis, como má alimentação, uso excessivo de álcool e drogas, além do tabagismo.

Homens com mais de 50 anos têm mais chance de apresentar uma diminuição na motilidade espermática naturalmente, em função da idade.

Reprodução assistida para homens com baixa motilidade espermática

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Além dos tratamentos primários para as causas da redução na motilidade espermática, quando disponíveis, a reprodução assistida também pode ser indicada para reverter a infertilidade masculina nestes casos.

As técnicas indicadas são a IA (inseminação artificial) e a FIV (fertilização in vitro) e a escolha entre elas deve ter como base uma avaliação completa das condições reprodutivas do casal e de seu histórico reprodutivo até o momento do tratamento com a reprodução assistida.

Tanto na IA como na FIV é possível conseguir espermatozoides com uma amostra de sêmen obtida por masturbação e com auxílio das técnicas de recuperação espermática: PESA, MESA, TESE e Micro-TESE.

Com a coleta de espermatozoides, independente da metodologia empregada, esse material é submetido ao preparo seminal em laboratório, que seleciona as melhores células reprodutivas para a fecundação.

Na IA, espera-se que a fecundação aconteça nas tubas uterinas, após a inseminação dessa amostra selecionada de sêmen no útero, durante o período fértil da mulher. Já na FIV, os óvulos são coletados e a fecundação ocorre em laboratório, com a transferência dos embriões para o útero, após o cultivo e seleção embrionária.

Leia mais sobre infertilidade masculina tocando neste link.

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