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O que é miométrio?

O que é miométrio?

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A maior parte dos problemas relacionados à infertilidade feminina é consequência do funcionamento inadequado dos ovários e da obstrução das tubas uterinas, que inviabilizam a fecundação.

Contudo, algumas condições podem alterar o funcionamento de estruturas, como o miométrio, envolvidas na manutenção da gestação até o parto e, no próprio parto, afetando, dessa forma, a fertilidade feminina.

Quer saber o que é o miométrio e qual seu papel nos processos necessários para o sucesso da gestação? Então, acompanhe a leitura do texto a seguir e saiba mais!

O miométrio é parte do útero

O útero é um dos órgãos mais importantes para a fertilidade feminina:

Cada uma dessas funções está relacionada ao trabalho combinado dos diferentes tecidos que compõem a parede uterina: endométrio, perimétrio e miométrio.

O tecido que primeiro recebe a gestação é o endométrio, formado por células glandulares e estromáticas, que se modificam com a dinâmica hormonal do ciclo reprodutivo. A nidação acontece somente quando o endométrio está receptivo, o que é resultado da ação dos principais hormônios ovarianos: o estrogênio e a progesterona.

Enquanto o endométrio é o tecido mais próximo da placenta, na gestação, o perimétrio é a camada serosa do útero, ou seja, o conjunto de células epiteliais que revestem o órgão e mantêm contato com as outras estruturas da cavidade pélvica.

As células epiteliais têm alto poder de regeneração, o que permite ao útero acompanhar a distensão necessária para acomodar as diversas etapas da gestação.

O miométrio é o tecido situado entre o endométrio e o perimétrio.

Entenda mais sobre o miométrio

Durante algum tempo, os primeiros estudos histológicos sobre o útero, o tecido muscular deste órgão já foi considerado sinônimo do próprio órgão, pela dificuldade em identificar as camadas mais extremas. Nessa época, o miométrio foi sinônimo do próprio útero.

Hoje, sabe-se que a composição celular desses três tecidos é bastante diversa, e o miométrio foi identificado como a camada muscular do útero, formada por células de musculatura lisa. A musculatura lisa, também presente em outros órgãos do corpo humano, é involuntária, mas assim como a musculatura esquelética, tem duas principais capacidades: elástica e contrátil.

Esse movimento, possível pelas capacidades elástica e contrátil do miométrio, é coordenado pela dinâmica hormonal do ciclo reprodutivo quando não há fecundação e pela produção hormonal da placenta quando a mulher engravida.

O miométrio é fundamental para a fertilidade feminina

Uma das principais funções do miométrio é possibilitar o crescimento do útero na medida em que o feto se desenvolve. Para isso, as células musculares se distendem e aumentam a capacidade interna da cavidade uterina sem, no entanto, danificar o útero.

Além da capacidade elástica, a contratilidade uterina é peça fundamental para o parto, auxiliando a descida do feto para o colo do útero e empurrando-o para fora do canal vaginal.

Quando não há fecundação e gestação, durante os ciclos reprodutivos da mulher, a contratilidade uterina também ajuda na expulsão do sangue menstrual, resultado da descamação do endométrio.

O que pode afetar o miométrio?

As DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) que podem provocar endometrite (inflamação do endométrio), também oferecem risco ao miométrio resultado em miometrite, especialmente quando são assintomáticas e, por isso, de tratamento tardio.

Contudo, as doenças mais comuns do miométrio são os miomas intramurais e a adenomiose.

Miomas uterinos

Miomas uterinos são formações tumorais benignas formadas por tecido semelhante ao miométrio, porém bastante fibroso, que crescem e se desenvolvem no útero sob ação do estrogênio.

A classificação dos miomas uterinos depende do tecido mais afetado por eles. Embora todos os miomas se desenvolvam em contato com o miométrio, são chamados submucosos os que se projetam em direção ao endométrio e subserosos, para o perimétrio.

Os miomas intramurais estão localizados inteiramente no miométrio e afetam diretamente as funções elástica e contrátil do útero, provocando mais frequentemente sintomas como dor abdominal e dismenorreia severa, ou seja, cólicas muito intensas antes e durante o período menstrual.

Adenomiose

A adenomiose é uma doença também estrogênio-dependente, como os miomas uterinos, porém, tem como característica o crescimento anormal de um tecido semelhante ao endométrio no miométrio, cujo desenvolvimento é estimulado pela ação do hormônio, levando a um processo inflamatório.

Isso significa que parte das células endometriais se infiltram no miométrio e passam a se desenvolver nessa camada sob a ação do estrogênio.

A adenomiose é classificada segundo a distribuição do tecido ectópico no miométrio, chamada focal quando os focos estão concentrados em um único ponto e difusa quando existem diversos focos espalhados.

Os sintomas mais comuns da adenomiose são reflexo da inflamação do miométrio, resultado da presença do tecido anormal: aumento no fluxo menstrual, sangramento uterino anormal e dismenorreia severa.

Miométrio, infertilidade e reprodução assistida

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Miomas submucosos, embora se projetem em direção ao endométrio, mantêm contato direto com o miométrio e, assim, também podem afetá-lo.

Os problemas específicos no miométrio, como adenomiose, miometrite e os miomas intramurais, interferem na fertilidade feminina dificultando o desenvolvimento e sustentação da gestação, o que pode provocar aborto de repetição, parto prematuro ou gestação de risco, por comprometerem sua capacidade elástica e contrátil e, em tamanhos maiores, a anatomia do útero.

Muitas vezes, a mulher pode receber indicação para histerectomia, a cirurgia para retirada do útero, como em casos graves de miomas e adenomiose. No entanto, mesmo nesses casos, a reprodução assistida pode proporcionar a gravidez com a cessão temporária de útero.

A cessão temporária de útero, técnica complementar à FIV (fertilização in vitro), é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e permite que mulheres com até 4 graus de parentesco dos pacientes em tratamento cedam o útero para o desenvolvimento da gestação, recebendo embriões formados com as células reprodutivas dos pais.

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