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Pólipo endometrial: saiba mais sobre o tratamento

Pólipo endometrial: saiba mais sobre o tratamento

// Por Dra. Altina Castelo Branco

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A infertilidade feminina por fator uterino está entre as causas mais comuns de perdas gestacionais e das dificuldades gerais que as mulheres e casais em idade reprodutiva podem encontrar para engravidar.

Isso acontece porque o útero sedia toda a gravidez, da nidação ao parto, fazendo com que as alterações nesse órgão possam não somente prejudicar a gestação, como também impedir que a mulher engravide.

Dos tecidos que compõem o útero – endométrio, miométrio e perimétrio –, o endométrio é o mais envolvido com as fases iniciais da gravidez, especialmente a fixação do embrião no útero logo após a fecundação nas tubas uterinas.

Ou seja, alterações endometriais, como aquelas apresentadas pelas mulheres que desenvolvem o pólipo endometrial, estão entre as causas mais frequentes de aborto de repetição e problemas para conseguir ao menos chegar à gestação.

A condição, no entanto, tem tratamento e a mulher pode receber inclusive indicação para reprodução assistida, caso exista desejo de engravidar.

Acompanhe a leitura do texto a seguir e conheça as formas de tratamento para o pólipo endometrial.

O que é pólipo endometrial?

O pólipo endometrial é uma formação tumoral benigna, constituída por células semelhantes às encontradas no endométrio original que, no entanto, respondem à ação estrogênica crescendo, em direção à cavidade uterina, como uma projeção do endométrio, e aderindo à camada basal desse tecido.

Além do crescimento do pólipo, os estrogênios também provocam a inflamação do endométrio, ao qual está aderido o pólipo endometrial, prejudicando as funções desempenhadas por esse tecido para a fertilidade da mulher.

Sintomas do pólipo endometrial

Os sintomas que a mulher com pólipo endometrial pode apresentar são derivados do processo inflamatório, provocado também pela ação estrogênica sobre o pólipo endometrial:

Nem todas as mulheres com pólipo endometrial apresentam todos os sintomas descritos e existem casos em que não apresentam qualquer sintoma perceptível, sendo como a identificação da doença somente nos exames de rotina, que devem ser mantidos mesmo no período pós-menopausa.

Diagnóstico do pólipo endometrial

Assim como as demais doenças estrogênio dependentes – como miomas uterinos e endometriose –, o pólipo endometrial é diagnosticado pela avaliação de exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a histerossonografia, uma modalidade ultrassonográfica em que a mulher tem seu útero preenchido por soro fisiológico, melhorando a qualidade das imagens.

Em algumas situações, pode ser necessária uma biópsia do pólipo para avaliação do potencial de malignização, que é baixo, mas pode ocorrer. Por isso, é importante que o acompanhamento e o tratamento sejam feitos de forma individualizada, respeitando as especificidades de cada caso.

Pólipo endometrial tem tratamento?

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A escolha da abordagem terapêutica mais adequada para cada mulher que apresenta pólipo endometrial depende de alguns aspectos principais, que incluem seus desejos reprodutivos, o estágio de desenvolvimento da doença e a intensidade dos sintomas.

Abordagem medicamentosa

O pólipo endometrial que não provoca sintomas visíveis e se manifesta nas mulheres após a menopausa, ou seja, fora da idade reprodutiva, pode ser apenas acompanhado nos exames de rotina da mulher, demandando intervenção somente diante de alterações nesse monitoramento.

Já os casos em que a mulher apresenta os sintomas dolorosos e sangramentos típicos do pólipo endometrial, mas em baixa intensidade, medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos podem controlar a dor e o sangramento, enquanto o ciclo reprodutivo é regulado por medicação hormonal.

Essa medicação, no entanto, não é aconselhada para a mulher que deseja engravidar por seus efeitos contraceptivos, a abordagem cirúrgica é mais indicada.

Abordagem cirúrgica

A retirada do pólipo endometrial é a forma mais adequada de lidar com a doença e pode ser feita por procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, como a histeroscopia cirúrgica e a videolaparoscopia.

Se os exames de imagem indicarem um único pólipo pequeno ou poucos, a ressecção pode ser feita por histeroscopia, que é menos invasiva.

Enquanto nos casos mais graves, ou quando a localização do pólipo não permite a histeroscopia, é indicada a videolaparoscopia, que embora seja minimamente invasiva, demanda ambiente hospitalar e anestesia.

Se a mulher já passou pela menopausa no momento em que o pólipo endometrial foi diagnosticado, e nos casos em que o sintomas são muito intensos e não podem ser controlados pela medicação, nem cessam com a ressecção do pólipo, pode ser necessário realizar a retiradado útero.

Essa abordagem é mais radical, indicada apenas após as alternativas se esgotarem ou se existir risco hereditário para o desenvolvimento de câncer de endométrio. Essa é, além disso, a única abordagem que permite o fim dos sintomas decorrentes do pólipo endometrial.

Reprodução assistida

Além do controle dos sintomas dolorosos e dos sangramentos, a mulher também pode receber indicação para reprodução assistida quando apresenta dificuldade para engravidar em função do pólipo endometrial, mais especificamente para FIV (fertilização in vitro).

Mesmo nesses casos, é importante que a ressecção do pólipo e a recuperação do útero aconteçam antes do início dos tratamentos com a reprodução assistida, já que o quadro favorece falhas na receptividade endometrial e diminui as taxas de gravidez da FIV.

A FIV é a técnica mais indicada para os casos de infertilidade por fator uterino, como acontece à mulher com pólipo endometrial, por permitir uma avaliação mais rigorosa da receptividade desse tecido antes de transferir os embriões obtidos em laboratório.

Nos casos mais extremos, em que o endométrio não consegue estabelecer uma receptividade adequada, normalmente após falhas em outros ciclos de FIV, o casal pode optar pela cessão temporária de útero, em que outra mulher passa pela gestação, embora os embriões sejam formados com as células dos pais.

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