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Azoospermia e reprodução assistida

Azoospermia e reprodução assistida

// Por Dra. Altina Castelo Branco

A fertilidade dos homens depende principalmente de dois aspectos: a ausência de obstruções no trajeto da ejaculação e da integridade de todos os componentes do sêmen.

O líquido ejaculado ou sêmen é formado pelos espermatozoides e os líquidos produzidos pelas glândulas anexas. Após sua formação, essas células são encaminhadas para os epidídimos, onde adquirem motilidade – com o desenvolvimento da cauda – e seguem para o encontro com os líquidos seminais.

As glândulas anexas abrem-se nos ductos deferentes, que também recebem os espermatozoides, dos epidídimos, formando o sêmen que será ejaculado.

Nesse sentido, a azoospermia – ausência de espermatozoides no ejaculado – é considerada uma das condições mais graves de infertilidade masculina.

Siga conosco a leitura do texto a seguir e entenda melhor como a reprodução assistida pode ajudar homens com azoospermia a ter filhos.

O que é azoospermia?

Por definição, a azoospermia, independentemente de suas causas, é diagnosticada quando a concentração de espermatozoides no sêmen não atinge os níveis mínimos, sendo por isso considerado um sêmen sem espermatozoides.

Os motivos pelos quais isso acontece, no entanto, podem ter diferentes naturezas – que reverberam também no grau de infertilidade masculina e nas possibilidades ou não de reversão deste quadro.

Azoospermia obstrutiva

Na azoospermia obstrutiva, a ausência de espermatozoides no sêmen deve-se a eventuais bloqueios e obstruções em uma ou mais partes do trajeto percorrido na ejaculação, desde seu início, com a espermatogênese.

Isso significa que, nestes casos, pode não haver qualquer problema na produção de espermatozoides, que apenas não alcançam os ductos deferentes para compor o sêmen em função das obstruções.

Essa forma de azoospermia pode ser provocada pela contaminação com DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), como a clamídia – que pode deixar cicatrizes nos epidídimos, mesmo após o tratamento antibiótico e a erradicação dos microrganismos envolvidos na infecção.

Mesmo nos casos em que a infecção – e o processo inflamatório decorrente dela – não atinge o cordão espermático, a uretrite masculina também pode afetar a presença de espermatozoides no sêmen – embora nesses casos seja mais comum que o sêmen apresente uma grande concentração de espermatozoides mortos do que um diagnóstico clássico de azoospermia.

A vasectomia – cirurgia de esterilização voluntária masculina – é também uma forma de criar um quadro de azoospermia obstrutiva, ainda que artificial, com a interrupção dos epidídimos, impedindo que os espermatozoides se unam aos líquidos glandulares.

Azoospermia não obstrutiva

Quando, após o espermograma e a constatação da azoospermia, não são identificados quaisquer obstruções no trajeto do sêmen, a suspeita de azoospermia não obstrutiva deve ser considerada.

Nestes casos, é comum que existam problemas na própria espermatogênese, de origem genética ou adquirida, que prejudicam a formação das células reprodutivas masculinas, resultando na sua ausência no líquido ejaculado.

A varicocele é uma das condições mais frequentes nos diagnósticos de azoospermia não obstrutiva: os defeitos valvulares que originam as veias varicosas da varicocele aumentam a temperatura interna da bolsa escrotal, que normalmente é mantida abaixo da temperatura média corporal para que a espermatogênese aconteça.

Como a varicocele é uma doença progressiva, o comprometimento testicular pode variar de acordo com a rapidez em que se busca tratamento.

Reprodução assistida para azoospermia

É importante lembrar que, na azoospermia, a ausência de espermatozoides no ejaculado não somente impede a fecundação por vias naturais, mas também restringe o tratamento com a reprodução assistida, já que as técnicas de baixa complexidade – IA (inseminação artificial) e RSP (relação sexual programada) não podem ser indicadas para todos os casos.

A FIV é a técnica de reprodução assistida mais indicada

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A FIV (fertilização in vitro), considerada uma técnica de alta complexidade, é a única técnica em que é possível realizar formas diversas de coleta e seleção dos espermatozoides – o que a torna o conjunto de procedimentos mais indicado para a maior parte dos casos de infertilidade masculina por azoospermia.

Embora em alguns casos a IA possa ser uma técnica indicada para infertilidade por alterações seminais, o preparo seminal possível nesta técnica e na FIV pode ser insuficiente, principalmente porque utiliza amostras de sêmen obtido por masturbação – e nos quadros de azoospermia só é possível obter espermatozoides por recuperação espermática.

A FIV oferece ainda mais vantagens para os casos de infertilidade por azoospermia, como o PGT (teste genético pré-implantacional) – indicado para os casos de azoospermia genética, já que rastreia os embriões evitando a transmissão hereditária da infertilidade – e a fecundação por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide) – que melhora as chances de sucesso da fecundação na FIV.

Recuperação espermática para os casos mais graves de azoospermia

Além da presença ou ausência de obstruções no trajeto ejaculatório, as azoospermias obstrutiva e não obstrutiva apresentam outra grande diferença: enquanto na primeira é comum que a produção de espermatozoides esteja íntegra, na segunda esta chance é relevantemente menor.

Essa diferença é determinante na escolha pelas diversas formas de recuperação espermática disponíveis, que possibilitam a coleta de células reprodutivas masculinas diretamente dos testículos (TESE e Micro-TESE) e cordão espermático (PESA e MESA).

Nas técnicas complementares PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) e MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration), indicadas para azoospermia obstrutiva, os espermatozoides são coletados diretamente dos epidídimos, antes das obstruções.

Na PESA essa coleta é menos invasiva, realizada pela inserção de uma agulha específica através da bolsa escrotal, até os epidídimos, para aspiração dos espermatozoides, com anestesia local.

A MESA, técnica mais complexa, invasiva, os testículos são expostos e o epidídimo é analisado por um microscópio cirúrgico, que ajuda na busca por espermatozoides, nos casos mais severos.

Para azoospermia não obstrutiva, as técnicas indicadas são a TESE (testicular sperm extraction) e a micro-TESE (microsurgical testicular sperm extraction), que buscam espermatozoides diretamente nos túbulos seminíferos, onde a espermatogênese acontece.

Ambas são procedimentos cirúrgicos abertos, em que uma biópsia do tecido testicular é realizada para obtenção dos espermatozoides. A diferença entre essas técnicas é também a utilização do microscópio cirúrgico, presente na micro-TESE.

FIV com doação de sêmen: entenda melhor

A FIV com doação de sêmen também é uma possibilidade para que o casal com infertilidade conjugal por azoospermia possa engravidar, indicada normalmente após tentativas anteriores que não resultaram em gestação.

Nestes casos, os procedimentos são idênticos aos da FIV tradicional, com a diferença de que sêmen utilizado deve ser descongelado antes da fecundação. É importante lembrar que na FIV com doação de sêmen as identidades do doador e do casal é mantida em absoluto sigilo.

Entenda melhor outros aspectos da azoospermia tocando neste link.

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