Art Fértil
Ciclo menstrual irregular: é possível engravidar?

Entenda o que é um ciclo menstrual irregular e como ele influencia na fertilidade feminina

O ciclo menstrual é um processo contínuo do organismo feminino e um importante indicativo da saúde reprodutiva da mulher. As menstruações começam na puberdade e continuam até a menopausa, por volta dos 50 anos de idade. Esse período é considerado a vida fértil da mulher, quando ela tem a possibilidade de engravidar.

Quando as menstruações são regulares significa que a mulher está ovulando normalmente e preparando o seu útero para receber um embrião, criando as condições necessárias para uma gravidez. E nos casos em que ocorre o ciclo menstrual irregular, você sabe como isso pode afetar a fertilidade?

Neste artigo vamos falar sobre os ciclos menstruais irregulares, suas implicações na saúde reprodutiva e como é possível engravidar. Siga a leitura para saber mais.

Como funcionam os ciclos menstruais

Todo início de ciclo é marcado pelo primeiro dia da menstruação. Nesse momento, o corpo feminino começa a eliminar a superfície do endométrio, mucosa que reveste o útero e havia se preparado para receber um embrião. Na primeira fase do ciclo, o corpo produz hormônios que estimulam o crescimento dos folículos ovarianos, pequenas bolsas com líquido presentes nos ovários e dentro das quais se desenvolvem os óvulos.

Essa etapa dura cerca de 14 dias, quando um desses folículos se rompe e libera um óvulo, fenômeno que conhecemos como ovulação. O óvulo se desloca pela tuba uterina, onde poderá vir a ser fecundado por um espermatozoide. Nesse período, a mulher está no chamado período fértil, quando as chances de engravidar são maiores.

Depois da ovulação, o endométrio começa a engrossar, preparando o útero para receber o embrião. Se a fecundação não ocorrer, a superfície dessa camada mucosa começa a se descamar e é eliminada na forma de sangramento, dando início a um novo ciclo menstrual.

O que é o ciclo menstrual irregular

A duração média de um ciclo menstrual é de 28 dias, mas é normal que esse tempo varie de 21 a 35 dias. Um ciclo menstrual irregular é caracterizado por períodos fora desse intervalo. É mais comum que esse quadro ocorra no início e no fim da vida fértil da mulher, ou seja, na adolescência (cerca de 20% dos casos) e dos 40 aos 50 anos (aproximadamente 50% das pacientes).

Como saber o período fértil

As mulheres com ciclos menstruais regulares podem facilmente identificar o seu período fértil. Considerando a duração média de 28 dias, a data provável da ovulação será o 14º dia após o início da menstruação – exatamente na metade do ciclo. É recomendado pensar no período fértil como o intervalo três dias antes e três dias depois da ovulação, portanto deve-se intensificar a prática de relações sexuais do 11º ao 17º dia do ciclo.

No entanto, quando a mulher tem ciclos irregulares, é mais difícil fazer essa conta, uma vez que não se sabe quando ocorrerá a ovulação. Se tiver a intenção de engravidar, a mulher com ciclo menstrual irregular pode ficar atenta a alguns sinais do corpo que comumente indicam que a ovulação está ocorrendo. Alguns deles são: dor em um dos lados no baixo ventre (próximo aos ovários), sensibilidade nos seios, aumento da libido e muco cervical transparente e espesso, semelhante à clara de ovo.

É importante ressaltar que nem todas as mulheres percebem esses sintomas, mas observar os sinais do próprio corpo podem ajudar a identificar o período em que as chances de concepção são maiores.

Causas do ciclo menstrual irregular

Um ciclo menstrual irregular pode ser sinal de que a mulher não ovulou. Esse quadro, chamado de anovulação, acontece com mais frequência em adolescentes e mulheres próximas à menopausa, porém pode ocorrer também em pacientes que estão em plena idade fértil. Quando isso acontece, a causa mais comum são disfunções hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), causada pela maior presença de hormônios masculinos no corpo da mulher.

Outras condições que podem levar à não ovulação são hipo ou hipertireoidismo, obesidade, baixo peso ou tumores, principalmente localizados perto da hipófise, glândula localizada próxima ao cérebro e que controla a atividade de outras glândulas do corpo.

Reprodução assistida

De acordo com a causa do ciclo menstrual irregular, o tratamento indicado pelo médico pode ser a utilização de técnicas de reprodução assistida. Esses métodos são normalmente iniciados por um tratamento de estimulação ovariana, em que a mulher administra medicamentos à base de hormônios para fazer com que o ovário produza mais óvulos em um único ciclo.

As principais técnicas de reprodução assistida disponíveis hoje são a relação sexual programada (RSP – também chamada de coito programado), a inseminação intrauterina (IIU, mais conhecida como inseminação artificial) e a fertilização in vitro (FIV). A indicação de cada uma delas depende de fatores como a causa da infertilidade do casal e a idade da mulher.

Se você quer saber mais sobre a importância do ciclo menstrual para a fertilidade feminina e como calcular o seu período fértil, clique aqui para ler outro conteúdo do nosso site.

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O que é endometriose e como ela pode afetar a fertilidade?

Entenda o que é a endometriose, sua influência sobre a fertilidade feminina, sintomas e tratamentos

O útero, órgão do sistema reprodutor feminino em formato de pera, tem uma função fundamental para a reprodução humana: ele é responsável por abrigar o embrião – futuramente feto – do início ao fim da gestação. Para isso, o útero é coberto internamente por uma mucosa chamada de endométrio. Esse tecido sofre alterações ao longo do ciclo menstrual da mulher, de acordo com a ação dos hormônios.

No início do ciclo, entendido como o começo da menstruação, o endométrio se descama e sua superfície é eliminada na forma de sangramento. Depois, essa camada mucosa começa a engrossar, com o objetivo de preparar o útero para receber um embrião, formado a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide.

Caso a fecundação ocorra, o embrião encontrará as condições adequadas para se implantar no endométrio, dando início a uma gestação. Se isso não acontecer, o endométrio começa a se descamar novamente, dando início a um novo ciclo menstrual.

Para que a fertilidade feminina esteja normal, ou seja, para que a mulher tenha condições de conceber e gestar sem problemas, é fundamental que não só o útero e o endométrio estejam saudáveis, mas também outros órgãos do sistema reprodutor, como as tubas uterinas e os ovários.

Neste artigo, vamos falar sobre a endometriose, doença relacionada ao endométrio e que pode afetar a fertilidade feminina e a qualidade de vida da mulher. Saiba mais a seguir.

O que é endometriose?

Estudos apontam que cerca de 20% das mulheres em idade fértil tenham endometriose. Nessa doença ocorre o desenvolvimento de células endometriais fora do útero. É mais comum que elas sejam encontradas nas tubas uterinas ou nos ovários, mas também podem se desenvolver em outros órgãos, com intestino e bexiga.

Esse tecido endometrial alojado em outros órgãos também sofre a ação dos hormônios ao longo do ciclo menstrual. Ou seja: ele cresce e descama, o que pode gerar um processo inflamatório e causar dores na região pélvica, fortes cólicas menstruais, dor durante relações sexuais e dor ou sangramento ao urinar e evacuar.

Outro sintoma comum da endometriose é a infertilidade. A dificuldade para engravidar pode ocorrer em qualquer estágio da doença e depende sobretudo do local afetado. Lesões de endometriose nas trompas, por exemplo, podem causar aderências ou obstruções, dificultando a fecundação. Já quando a doença afeta os ovários, podem ocorrer distúrbios ovulatórios.

É importante ressaltar, porém, que, embora seja uma queixa comum, a infertilidade não acomete necessariamente todas as mulheres com endometriose. Estudos apontam que de 30% a 50% das mulheres com a doença apresentam dificuldade para engravidar naturalmente.

Diagnóstico da endometriose

O diagnóstico da endometriose costuma ser difícil e pode levar anos. Isso porque a condição é muitas vezes silenciosa, ou seja, a mulher não apresenta sintomas. Além disso, os sintomas, quando ocorrem, são semelhantes aos de outras doenças, como como doença inflamatória pélvica e síndrome do cólon irritável. Normalmente o diagnóstico definitivo da endometriose é realizado por meio de um procedimento cirúrgico de videolaparoscopia.

Opções de tratamento para endometriose

A partir do diagnóstico, é possível tratar a endometriose, seja para diminuir os sintomas, seja para aumentar as chances da paciente de engravidar naturalmente ou via técnicas de reprodução assistida. Veja abaixo as principais opções de tratamento.

Cirurgia

A cirurgia para corrigir lesões causadas pela endometriose pode ter graus de complexidade distintos de acordo com o estágio da doença. Em alguns casos basta uma cauterização de focos de tecido endometrial ou liberação de aderências e obstruções nas tubas uterinas.

Medicamentos

O uso de anticoncepcionais orais também pode ser uma opção de tratamento para casos de endometriose leve. É possível ainda administrar o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRHa), caso os anticoncepcionais não ajudem a diminuir os sintomas.

Reprodução assistida

Tanto o tratamento cirúrgico quanto o medicamentoso podem ajudar a diminuir os sintomas de endometriose e facilitar uma gravidez natural. No entanto, caso a paciente não tenha outras queixas relacionadas à doença além da infertilidade, é possível utilizar técnicas de reprodução assistida. Entre as opções estão:

  • Inseminação intrauterina (IIU): conhecida popularmente como inseminação artificial, essa técnica costuma ser indicada para mulheres mais jovens, de até 37 anos, sem obstrução tubária e que tenham apenas endometriose leve. Na IIU, a paciente passa por um tratamento de estimulação ovariana para produzir mais do que um óvulo naquele ciclo menstrual. Quando ocorre a ovulação, é colhido o sêmen do parceiro, que é então inserido no útero da mulher para que a fertilização ocorra como em uma gravidez natural.
  • Fertilização in vitro (FIV): é a técnica de reprodução assistida mais complexa existente hoje. Na FIV, após a estimulação ovariana, os gametas femininos e masculinos (respectivamente óvulos e espermatozoides) são coletados para fertilização em laboratório e, posteriormente, os embriões são transferidos ao útero da mulher. Ela pode ser indicada para mulheres acima de 35 anos, em casos mais graves de endometriose e quando as tubas uterinas estão comprometidas.

Se você quer saber mais sobre a endometriose, os diferentes tipos da doença, seus sintomas e tratamentos, clique aqui.

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Endometriose: é possível engravidar com a doença?

Entenda por que a endometriose pode causar infertilidade feminina e se há a possibilidade de engravidar mesmo com a doença

Presente em até 50% das mulheres com infertilidade, a endometriose tem diferentes graus e formas de se manifestar. Isso significa que, apesar de ser uma importante causa de infertilidade feminina, a doença não é necessariamente um motivo para que a mulher tenha dificuldade de engravidar.

Dependendo do local onde as lesões de endometriose estão presentes, sua profundidade e o quanto os órgãos são afetados, a doença tem maior ou menor possibilidade de dificultar uma gravidez ou, ainda, de causar sintomas que afetem a qualidade de vida da mulher, como cólicas menstruais intensas, dor ou incômodo durante as relações sexuais e dor pélvica crônica.

Neste artigo vamos falar um pouco mais sobre a endometriose e seus efeitos sobre a fertilidade feminina. Confira.

O que é endometriose?

O útero da mulher é revestido internamente por uma camada mucosa chamada de endométrio. Ao longo do ciclo menstrual, com a oscilação dos hormônios femininos, esse tecido cresce e descama, conforme o corpo se prepara para receber um embrião ou inicia um novo ciclo.

Eventualmente são encontrados focos de tecido endometrial em outros locais do corpo, que não o útero — normalmente nas tubas uterinas ou ovários, mas pode acometer também outros órgãos próximos, a exemplo da bexiga e do intestino. Essa condição é chamada de endometriose.

Não se sabe ao certo por que a doença ocorre, porém uma das explicações mais aceitas é a de que parte do tecido endometrial eliminado na menstruação subiria em direção às tubas uterinas, em um processo conhecido como menstruação retrógrada, e se alojaria em outros órgãos.

Outras teorias dizem que células do peritônio passariam por mudanças que as dariam características semelhantes às do endométrio, por ação imunológica ou hormonal, ou ainda, que a doença teria causas genéticas.

Classificação da endometriose

A endometriose é classificada em quatro estágios, de acordo com o local e profundidade dos focos de tecido endometrial, o quanto os órgãos são afetados e a presença de endometriomas (cistos nos ovários causados pela doença):

  • Estágio I: endometriose mínima, com focos isolados de tecido endometrial, sem lesões significativas;
  • Estágio II: endometriose leve, com lesões superficiais de até 5 mm, porém ainda sem aderências importantes;
  • Estágio III: endometriose moderada, quando há diversos implantes e aderências mais significativas nos ovários e tubas uterinas;
  • Estágio IV: endometriose grave, também com múltiplos implantes, endometriomas (cistos nos ovários) e aderências já bastante densas. Nesse estágio é mais provável que a doença cause infertilidade.

Já de acordo com critérios morfológicos, a doença pode ser categorizada em três tipos:

  • Peritoneal superficial: as lesões estão presentes somente no peritônio e são rasas, sem ultrapassar 5 mm de profundidade.
  • Ovariana: a endometriose provoca a formação de cistos nos ovários, de tamanhos variáveis, conhecidos como endometriomas ovarianos;
  • Infiltrativa profunda: há a presença de lesões profundas, como mais de 5 mm, no peritônio e outros órgãos, como intestino, bexiga e ureteres. Esse é o tipo mais grave da doença, que tende a causar sintomas como dores pélvicas e dispareunia (dor durante as relações sexuais).

Por que a endometriose pode causar infertilidade

Nos casos de endometriose moderada ou grave, a fertilidade pode ser comprometida sobretudo por dois fatores:

  • Aderências nas tubas uterinas: podem bloquear a passagem, dificultando ou impedindo o encontro dos espermatozoides com o óvulo;
  • Endometriomas ovarianos: tendem a levar a distúrbios ovulatórios e alterar a função dos ovários.

Quando não há aderências ou endometriomas e o caso é de infertilidade mínima ou leve, não se sabe ao certo como ela pode interferir na fertilidade da mulher.

Há hipóteses relacionadas ao fato de que a doença afeta o ambiente pélvico, causando inflamações e alterações no sistema imunológico, na produção de hormônios e função das tubas uterinas e em processos importantes para a fertilidade, como a fertilização e a implantação embrionária.

Como a reprodução assistida pode ajudar

Em alguns casos, os focos de endometriose podem ser corrigidos por meio de uma cirurgia de laparoscopia, capaz de restaurar a fertilidade da paciente, que se torna apta a engravidar naturalmente.

No entanto, quando a cirurgia não é indicada, ou quando a dificuldade de engravidar persiste mesmo após o procedimento e já passados uns 6 meses da cirurgia, podem ser indicadas técnicas de reprodução assistida.

As técnicas de baixa complexidade — relação sexual programada (RSP) e inseminação artificial ou intrauterina (IIU) — costumam ser recomendadas para mulheres de até 37 anos de idade e casos de endometriose leve e devem ser indicadas logo após a cirurgia, visando aumentar as taxas de gravidez nesses primeiros 6 meses que a paciente encontra-se tratada pelo menos temporariamente da endometriose.

Já a fertilização in vitro (FIV), técnica mais complexa e sofisticada, pode ser o tratamento indicado para mulheres acima de 37 anos, quadros mais graves e quando há também algum fator de infertilidade masculina envolvido.

Como a fertilização é realizada em laboratório, as tubas uterinas não são necessárias nesse processo, por isso as chances de sucesso são maiores em uma FIV mesmo que a doença tenha causado aderências.

Apesar de ser considerada uma das principais causas de infertilidade feminina, portanto, a endometriose não é um fator determinante para a dificuldade de engravidar.

Para mulheres com a doença, é possível conseguir uma gravidez até mesmo naturalmente. Quando isso não é possível, o casal tem a opção de recorrer a técnicas de reprodução assistida.

Para saber mais sobre endometriose, toque aqui.

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Aspiração folicular na FIV: como é feita?

Entenda o que é e como ocorre a aspiração folicular, procedimento de retirada dos óvulos para fertilização in vitro

Principal e mais complexa técnica de reprodução assistida existente hoje, a fertilização in vitro (FIV) tem ótimas taxas de sucesso. De acordo com a Sociedade de Tecnologia de Reprodução Assistida dos Estados Unidos (SART), o índice de nascimentos após esse tipo de tratamento hoje ultrapassa os 30%.

A principal característica da FIV é o fato de a fertilização ser feita em laboratório, ou seja, fora do corpo da mulher. Para que isso ocorra, evidentemente, é necessário que os gametas femininos e masculinos (óvulos e espermatozoides, respectivamente) estejam disponíveis no ambiente laboratorial.

No caso dos espermatozoides, a coleta é simples: ocorre normalmente por meio da masturbação ou, em alguns casos, usando técnicas específicas.

Mas e os óvulos: você sabe como eles são retirados dos ovários da mulher? Para isso existe um procedimento chamado de aspiração folicular, em que os gametas femininos são “sugados” para fora do corpo.

Apesar de parecer complexo, o procedimento é bastante simples e rápido. Neste artigo vamos explicar como ocorre a aspiração folicular e o que você deve esperar caso esteja se preparando para ele. Confira.

Como é realizada a FIV

A FIV é considerada a técnica de reprodução assistida mais complexa – e a mais eficaz – existente hoje. Isso porque parte dos seus processos, incluindo a própria fertilização do óvulo pelo espermatozoide, é realizada em laboratório, fora do corpo feminino.

Essa técnica de reprodução assistida, que vem se popularizando cada vez mais, é composta de cinco etapas: estimulação ovariana e indução da ovulação, aspiração folicular e coleta dos espermatozoides, fertilização, cultivo embrionário e transferência dos embriões. Entenda o passo a passo:

Estimulação ovariana e indução da ovulação

Para maximizar as chances de sucesso da FIV, é necessário ter o maior número possível de óvulos. Dessa forma, é mais provável que haja gametas de boa qualidade, capazes de gerar bons embriões. Por isso, o tratamento começa com um processo de estimulação ovariana, em que a mulher administra hormônios injetáveis para produzir mais de um óvulo naquele ciclo.

Durante esse período, o médico faz um acompanhamento por meio de ultrassonografias, avaliando o crescimento dos folículos. Não há um limite para o número de óvulos produzidos, pois os que não forem utilizados podem ser congelados para futuras tentativas ou para doação.

Uma vez que os folículos ovarianos chegam ao tamanho ideal, a paciente será orientada a aplicar outro tipo de hormônio a gonadotrofina coriônica humana (hCG), responsável por desencadear a ovulação.

Nos casos em que as pacientes não irão transferir os embriões de imediato (a fresco) e/ou tenham tido uma resposta excessiva, com grande quantidade de folículos e consequentemente risco de ter uma complicação da hiperestimulação ovariana controlada, que se chama síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), administra-se um análogo de GnRH em vez do hCG para induzir a ovulação, uma vez que ele diminui o risco da SHO para menos de 1%.

Aspiração folicular e coleta dos espermatozoides

Aproximadamente 36 horas depois da administração do hCG, deve ser feito o procedimento de punção ou aspiração folicular, para retirada dos óvulos maduros.

No mesmo dia, o parceiro vai até a clínica para realizar a coleta dos espermatozoides, geralmente por meio da masturbação. Em alguns casos, como quando o homem tem baixa concentração de espermatozoides, é possível utilizar as chamadas técnicas de recuperação espermática, nas quais os espermatozoides são retirados a partir dos testículos ou epidídimos.

Fertilização

Depois de coletados os gametas do casal, o sêmen passa por um preparo em laboratório e são colocados junto dos óvulos, para que ocorra a fertilização. Nessa etapa, pode ser utilizada também a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), em que um espermatozoide é introduzido dentro de um óvulo. Atualmente, essa técnica é feita de rotina, mesmo quando o sêmen está bom, visando aumentar as taxas de fertilização dos óvulos

Cultivo embrionário

Os embriões ficam então em cultivo, também em laboratório. Esse período pode ser de dois a cinco dias, de acordo com a estratégia médica definida.

Transferência embrionária

Depois do cultivo in vitro, os embriões estarão prontos para serem transferidos para o útero da mulher, na esperança de que se implantem na parede do útero para iniciar uma gravidez.

O que esperar da aspiração folicular

A aspiração folicular consiste em um procedimento simples, realizado em ambiente ambulatorial, no qual os óvulos são retirados dos ovários para que seja realizada a fertilização em laboratório. A paciente será orientada a ficar em jejum por oito horas antes do procedimento, uma vez que ele é realizado sob sedação para evitar qualquer dor ou desconforto.

Para que seja feita a aspiração folicular, a paciente fica em uma mesa ginecológica e é então sedada para que seja introduzida, via vaginal, uma sonda com uma agulha extremamente fina. É por meio dessa agulha que serão aspirados os óvulos que estiverem dentro dos folículos ovarianos, mas apenas os óvulos maduros estão aptos a serem fecundados.

Para poder se guiar durante a aspiração folicular, o médico conta com um aparelho de ultrassom. Após se recuperar da sedação, que leva aproximadamente 30 minutos, a paciente é liberada e pode ir para casa. Nesse dia, a mulher deve ficar de repouso e poderá sentir um pouco de cólica e/ou ter sangramento leve.

A aspiração folicular, portanto, é uma etapa fundamental de uma FIV, uma vez que é nesse momento que são coletados os gametas femininos para viabilizar a fecundação e gerar os embriões. Ela é um procedimento simples, rápido, e a paciente tem alta no mesmo dia. Para saber mais sobre a FIV, suas etapas, indicações e técnicas complementares, toque aqui e confira este outro conteúdo do nosso site.

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Endometriose: tratamento e reprodução assistida

A endometriose é uma das principais doenças que afetam o sistema reprodutor feminino. Além dos incômodos causados, como dores e sangramento intenso, pacientes com esse quadro também podem apresentar infertilidade. Assim, quando a mulher recebe a confirmação diagnóstica existe uma grande preocupação em relação às […]

A endometriose é uma das principais doenças que afetam o sistema reprodutor feminino. Além dos incômodos causados, como dores e sangramento intenso, pacientes com esse quadro também podem apresentar infertilidade.

Assim, quando a mulher recebe a confirmação diagnóstica existe uma grande preocupação em relação às suas possibilidades de engravidar. Mas, apesar da forte relação entre endometriose e infertilidade, a doença pode e deve ser tratada para reduzir a dor pélvica e aumentar as chances de concepção.

Acompanhe este post com atenção e entenda o que é endometriose, quais os sintomas e formas de tratamento — a reprodução assistida ocupa um papel central entre os métodos de intervenção.

O que é endometriose?

A endometriose é uma condição complexa e que pode demorar a ser identificada, uma vez que apresenta sintomas em comum com outros quadros que afetam a saúde da mulher. A doença se caracteriza pela migração de fragmentos do endométrio para outras partes do organismo feminino, isto é, fora da cavidade uterina.

O endométrio é a camada que reveste a parede do útero e sua função principal é acolher o embrião quando ocorre a gestação. Na ausência de gravidez, o tecido endometrial passa por um processo de descamação e o corpo feminino o expele juntamente com a menstruação.

Na endometriose, existe uma inflamação crônica, visto que as células endometriais se dispersam por outros órgãos, como ovários, tubas uterinas, peritônio, bexiga e intestino. De acordo com a intensidade dos sintomas, o quadro pode prejudicar a qualidade de vida da paciente e causar infertilidade. Portanto, é imprescindível a procura por acompanhamento médico.

Quais os sintomas da doença?

Os sintomas podem variar conforme o nível e o tipo da doença. A patologia é classificada como mínima, leve, moderada ou grave. Da mesma forma, o quadro é identificado segundo a localização e a profundidade dos implantes de tecido endometrial, resultando em endometriose peritoneal superficial, endometriomas ou endometriose infiltrativa profunda.

O sintoma mais relatado pelas pacientes é a dismenorreia — cólica menstrual intensa. Contudo, as dores menstruais nem sempre motivam as mulheres a buscar avaliação médica. A infertilidade é outro possível efeito da endometriose, principalmente nos estágios graves da doença, quando o tecido endometrial ectópico chega a modificar a anatomia dos órgãos e até a bloquear a passagem dos gametas pela obstrução das trompas.

Além das cólicas intensas e da infertilidade, outros sintomas da endometriose são:

  • dor na região pélvica crônica;
  • sangramento aumentado;
  • inchaço abdominal;
  • alterações intestinais ou urinárias;
  • dor no ato sexual (dispareunia).

Como é feita a investigação diagnóstica?

Na maioria dos casos de endometriose, não há um diagnóstico precoce. Isso pode ocorrer porque muitas mulheres demoram a identificar os sintomas como parte de um problema de saúde. Sendo assim, a busca por ajuda especializada acontece com mais frequência em níveis avançados da doença — quando a manifestação sintomática passa a afetar o bem-estar da paciente ou interferir em seus planos de concepção.

A investigação diagnóstica é feita a partir dos relatos da paciente. Exames de imagem são solicitados para identificar a localização e a profundidade dos implantes endometriais, além de verificar o nível de comprometimento da região pélvica e abdominal. As principais técnicas utilizadas são a ultrassonografia transvaginal com preparo digestivo, a ressonância magnética e a videolaparoscopia entre outros.

Ao verificar as condições dos órgãos reprodutores afetados pela endometriose, os exames ajudam a avaliar a infertilidade feminina. Assim, conforme a gravidade do quadro e os planos de reprodução da paciente, são definidas as alternativas mais apropriadas de tratamento.

Quais as opções de tratamento?

O tratamento da endometriose é estabelecido preservando o desejo de concepção da mulher. Ou seja, quando a paciente não tem intenção de engravidar por enquanto, é possível propor intervenção contraceptiva — medicamentos hormonais orais ou injetáveis, assim como dispositivos intrauterinos (DIU) associado a progesterona, podem amenizar as dores e o sangramento menstrual.

Em casos mais severos, é preciso recorrer a procedimentos cirúrgicos. As cirurgias são indicadas quando há necessidade de remover os implantes endometriais, em razão do prejuízo causado aos órgãos atingidos. Esse tipo de intervenção também é válido nos casos de infertilidade causada pela endometriose, sendo que após a retirada dos tecidos ectópicos, as taxas de gravidez tendem a aumentar, principalmente nos primeiros 6 meses após o ato cirúrgico.

Como a reprodução assistida pode ajudar?

O melhor para a paciente é acompanhar a endometriose sem se submeter a cirurgias invasivas. Entretanto, cada caso necessita de avaliação individual para definir o tratamento mais efetivo.

Para as mulheres que querem engravidar no momento, as técnicas de reprodução assistida são bastante eficazes — tanto nos casos de endometriose quanto em diversos outros quadros de infertilidade feminina ou masculina.

Pacientes com endometriose mínima ou leve podem tentar a gravidez com as técnicas de baixa complexidade — relação sexual programada (RSP) e inseminação intrauterina (IIU). Para obter resultados positivos, as tubas uterinas devem estar em boas condições, assim como os gametas masculinos precisam apresentar características dentro dos padrões de normalidade.

Por sua vez, a fertilização in vitro (FIV) é considerada uma técnica mais complexa, mas que também apresenta as maiores taxas de sucesso no tratamento de endometriose em estágio grave.

Seja para aumentar as chances de gravidez, seja somente para atenuar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, é importante observar os sinais da endometriose e fazer um bom acompanhamento médico.

Aproveite e leia também nosso texto institucional para conhecer um pouco mais sobre as características da endometriose.

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SOP: quais são os sintomas?

Os ovários são duas glândulas do sistema reprodutor feminino, com formato semelhante ao de uma amêndoa, localizadas a cada lado do útero. São responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos: progesterona e estrogênio e pelo armazenamento dos folículos, bolsas que contêm os óvulos ou células […]

Os ovários são duas glândulas do sistema reprodutor feminino, com formato semelhante ao de uma amêndoa, localizadas a cada lado do útero. São responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos: progesterona e estrogênio e pelo armazenamento dos folículos, bolsas que contêm os óvulos ou células reprodutivas da mulher.

A cada ciclo menstrual os ovários liberam um óvulo para ser fecundado e originar um embrião. O processo acontece durante toda a vida reprodutiva.

O desenvolvimento e amadurecimento do óvulo dura cerca de 13 dias e é estimulado pelo hormônio FSH. No 14º dia o hormônio LH funciona como um gatilho para induzi-lo à ruptura e liberação do óvulo, ou ovulação.

A ovulação marca o momento mais fértil da mulher, quando as chances de gravidez são maiores.

Qualquer alteração nesse processo, portanto, pode resultar em infertilidade feminina. A síndrome dos ovários policísticos (SOP), está entre as patologias femininas que provocam maior interferência. É considerada a principal causa de anovulação (ausência de ovulação) ou disovulia (distúrbio ovulatório).

Continue a leitura, conheça mais sobre a SOP e saiba identificar os sintomas que alertam para a necessidade de procurar um especialista.

O que é SOP?

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma das principais causas de infertilidade feminina no Brasil e a endocrinopatia mais comum na mulher, ocorrendo entre 5% e 10% das pacientes. Essa síndrome não é atual e foi descrita inicialmente, em 1935, por Stein-Leventhal, como uma associação entre amenorreia (ausência de menstruação) com ovários policísticos.

A condição é, portanto, caracterizada clinicamente e, não apenas, pela presença de cistos ovarianos, apesar de eles serem frequentes. Assim, a SOP é um conjunto de sinais e sintomas que incluem alterações reprodutivas, endócrinas e metabólicas, cuja expressão clínica é variável.

Começa, usualmente, durante a puberdade e pode melhorar na vida adulta com a maturação do sistema reprodutor. A SOP surge motivada por um controle inadequado do eixo hipotálamo-hipofisário-gonodal, com todas glândulas funcionantes.

Sua etiologia específica não está bem elucidada, entretanto, diversas hipóteses já demonstram que pacientes portadoras tem alterações na liberação hipotalâmica de gonadotrofinas (GnRH), na liberação hipofisária dos hormônios luteinizante (LH) e folículo-estimulante (FSH), além de alterações ovarianas e de suprarrenais.

Recentemente, estudos demostram que a resistência periférica a insulina também é um fator preponderante no desenvolvimento e manutenção da SOP.

Todos esses fatores somados levam a um microambiente androgênico nas células foliculares imaturas, ou seja, elas aumentam a secreção de testosterona, principal hormônio masculino também produzido em pequenas quantidades pelos ovários.

Esse microambiente impede o crescimento do folículo e a formação do corpo lúteo (formado a partir do folículo que rompe), responsável pela manutenção da produção de progesterona: consequentemente, não acontece a ovulação.

Por isso, a SOP é a principal razão de hiperandrogenismo feminino, hirsutismo, disovulia ou anovulação crônica e infertilidade pelo distúrbio da ovulação. Ela é, ainda, associada a fatores de risco como genética familiar positiva para síndrome e obesidade com resistência à insulina. Quanto antes for diagnosticada, maior a possibilidade de se evitar suas consequências.

Conheça os sintomas de SOP

As manifestações clínicas resultam, entre outras causas, do hiperandrogenismo gerado pelo processo fisiopatológico da doença: desenvolvimento anormal de pelos (hirsutismo) – em excesso, com características masculinas e em locais, geralmente, pouco comuns, como seios ou face, acnes e alopecia (perda temporária de cabelo).

A ausência de ovulação, ainda, causa distúrbios menstruais, devido a não formação do corpo lúteo, produção de bons níveis de progesterona, hormônio essencial para manutenção do endométrio.

Além disso, a resistência periférica à insulina, comum em mulheres obesas, além de interferir no desenvolvimento folicular, pode causar acantose nigricans, caracterizada pelo espessamento e escurecimento da pele, nas axilas, base do pescoço e nas dobras dos dedos e cotovelos.

Outros sintomas podem incluir ganho de peso, com dificuldade de controlá-lo, depressão, ansiedade, alterações do humor, problemas relacionados ao sono e cefaleia.

SOP e autoestima

A produção excessiva de andrógenos causa modificações no corpo da mulher. Muitas são estéticas, como o hirsutismo, a acne e a alopecia, tendo como consequência alterações no completo estado de bem-estar da paciente e sua autoestima pode ser, então, afetada negativamente. Como consequência, a saúde mental da paciente também, levando ao afastamento social e interferindo nas relações pessoais.

SOP e infertilidade

A infertilidade está também presente nas pacientes que tem SOP e é causada pela anovulação ou disovulia: uma vez que, se não há óvulo maduro, não há como engravidar. As portadoras têm, ao mesmo tempo, maiores chances de abortamentos precoces, muito provavelmente devido ao desequilíbrio hormonal e baixos níveis de progesterona na fase lútea.

Além disso, durante a gravidez o risco de diabetes gestacional é aumentado e as chances de pré-eclâmpsia também.

Como a SOP é investigada?

Vários exames são realizados para excluir a possibilidade de outras patologias com sintomas semelhantes e, ao mesmo tempo, confirmar a possibilidade de SOP.

Entre eles estão: testes hormonais, para analisar os níveis dos hormônios envolvidos no processo reprodutivo e de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética (RM).

Alguns critérios também devem ser observados:

1 – Oligo e/ou anovulação;

2 – Hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico;

3 – Ovários com morfologia policística, com presença de 12 folículos ou mais, entre 2 mm e 9 mm, e volume ovariano acima de 10 cm3.

A SOP é confirmada se houver a presença de pelo menos dois desses critérios.

Qual o melhor tratamento para SOP?

Para as mulheres que estão tentando engravidar, a principal indicação é a estimulação ovariana, procedimento que utiliza medicamentos hormonais para estimular o desenvolvimento e amadurecimento de um ou mais folículos.

É a primeira etapa das três principais técnicas de reprodução assistida. Relação sexual programada (RSP) e inseminação artificial (IA) são de baixa complexidade e indicadas para mulheres com SOP que tenham até 37 anos e as tubas uterinas saudáveis, pois a fecundação ocorre como em um processo natural, além de parceiro com espermograma normal.

A fertilização in vitro (FIV), por outro lado, de maior complexidade, prevê a fecundação em laboratórios e é indicada para mulheres com SOP acima de 37 anos ou caso tenham trompas muito alteradas e/ou parceiro com alteração severa no sêmen.

Todas elas aumentam as chances de gravidez de mulheres com SOP.

Alguns tipos de medicamentos também podem ser administrados para aliviar os sintomas. Anticoncepcionais orais para controlar as irregularidades menstruais, hormônios esteroides de ação antiandrogênica, para inibir os sintomas masculinos e, um agente sensibilizador, quando há resistência à insulina.

Para saber mais sobre a SOP leia o nosso conteúdo especial.

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Endometriose: como é classificada?

O útero é um órgão de grande importância para a reprodução. Formado por três camadas, endométrio, miométrio e perimétrio, é nele que o embrião implanta e se desenvolve até o nascimento. Endométrio é a camada mais interna, que reveste toda a cavidade uterina, formada por […]

O útero é um órgão de grande importância para a reprodução. Formado por três camadas, endométrio, miométrio e perimétrio, é nele que o embrião implanta e se desenvolve até o nascimento.

Endométrio é a camada mais interna, que reveste toda a cavidade uterina, formada por tecido epitelial altamente vascularizado. É nela que o embrião implanta. Para isso, a cada mês esse tecido se torna espesso no período fértil, ficando apto para recebê-lo. O espessamento é estimulado pelo estrogênio, um dos principais hormônios femininos.

A endometriose tem como característica o crescimento do endométrio fora da cavidade uterina. Continue a leitura e entenda mais essa patologia feminina que pode levar à infertilidade ou causar sintomas incapacitantes e saiba como ela é classificada.

O que é endometriose?

Endometriose é a presença do tecido endometrial, glândulas e estroma fora da cavidade endometrial, ou seja, fora do útero. As células endometriais são transportadas da cavidade uterina e se implantam em locais ectópicos.

A teoria mais aceita atualmente é a do fluxo retrógrado do tecido menstrual, mais alterações imunológicas e fatores ambientais, onde o tecido endometrial é transportado para as tubas uterinas e as células viáveis podem se implantar nas cavidades pélvicas e abdominais.

Além disso, o sistema linfático e circulatório próximo pode transportar tais células para diversos locais do corpo humano, como intestino e bexiga.

A teoria da metaplasia celômica, por outro lado, explica a possível causa da presença do tecido ectópico em meninas na pré-puberdade. Células que originam o endométrio durante o processo germinativo permanecem no peritônio e sob certos estímulos hormonais e imunológicos sofrem metaplasia, quando um tipo celular é substituído por outro.

A endometriose pode se manifestar de diversas formas: presença de implantes, de aderências pélvicas ou cistos ovarianos, chamados de endometriomas.

Possui uma repercussão direta no prognóstico reprodutivo das pacientes, pela distorção anatômica que pode causar. Os tecidos ectópicos produzem prostaglandinas, citocinas pró-inflamatórias que levam ao recrutamento de macrófagos e ativação da imunidade inata, gerando destruição tecidual e consequente cicatriz.

Ainda, tais citocinas diminuem as funções dos espermatozoides e óvulos e, dessa forma, quanto mais precocemente for diagnosticada e tratada menor seu dano reprodutivo.

A endometriose é uma doença estrogênio dependente, portanto, motivos que causem a exposição a estrógenos são fatores de risco, como a nuliparidade, menarca precoce, ciclos menstruais de curta duração, fluxos intensos e duradouros e envelhecimento.

Está muito bem estabelecido que ela possui componente familiar: pacientes com parentes de primeiro grau portadores da condição possuem mais de chances de desenvolver a doença.

Os sintomas variam de acordo com o local dos implantes, entretanto, dor pélvica antes ou após a menstruação e durante as relações sexuais é típica e pode ser progressiva e crônica. Cistite com dor, aumento da frequência urinária e incontinência de urgência também são comuns. Possivelmente, sangramentos intermenstruais podem ocorrer. Outros sintomas variam de acordo com a região afetada.

Como a endometriose é classificada?

É classificada de acordo com o local de implantação, quantidade, profundidade e tamanho das  lesões, comprometimento funcional de órgãos e presença de endometrioma(s), possuindo quatro estágios, do I ao IV, sendo o primeiro com implantes isolados e sem aderências significativas e o último com múltiplos implantes, superficiais e profundos, com densas aderências e firmes.

Morfologicamente é classificada em três subtipos:

Endometriose peritoneal superficial: possui apenas pequenas lesões, geralmente planas e rasas localizadas apenas no peritônio;

Endometriose ovariana: quando há presença de cisto preenchido por líquido marrom, conhecido como endometrioma ovariano;

Endometriose infiltrativa profunda: presença de lesões profundas que invadem diversos locais ao mesmo tempo.

Qual a gravidade da endometriose?

Alguns sintomas relacionados a endometriose, como cólicas severas, dor na região pélvica, dor nas relações sexuais, alterações no hábito urinário e nos hábitos intestinais são frequentes e podem influenciar diretamente na saúde mental e na qualidade de vida dessas pacientes.

Geralmente, o estado de completo bem-estar está diretamente relacionado à uma boa saúde e, então, é importante haja um diagnóstico precoce para que se evite maiores complicações.

Mulheres com endometriose também podem ter a fertilidade afetada, independentemente do estágio de desenvolvimento da doença.

Dificuldade diagnóstica

Suspeita-se de endometriose quando os sintomas típicos estiverem presentes: dismenorreia progressiva, dispareunia e infertilidade. A entrevista inicial com avaliação do histórico clínico da paciente é muito importante para o diagnóstico, mas o exame físico é imprescindível, ambos guiarão a escolha dos métodos diagnósticos.

A visualização direta é o padrão-ouro, geralmente, é feito por laparoscopia (procedimento cirúrgico feito por vídeo que irá avaliar a cavidade abdominal sob a presença ou não de implantes endometrióticos), colonoscopia (um exame médico minimamente invasivo do intestino grosso, do reto até o cólon sigmoide) ou citoscopia (um exame endoscópio das vias urinárias baixas). Exames de imagens mais eficazes são a ultrassonografia com preparo digestivo e a ressonância magnética com contraste (RM), que possibilitam a detecção em locais como ovários e tubas uterinas, por exemplo.

Como a endometriose é tratada?

O tratamento clínico da dor pélvica, principal sintoma da condição, é feito com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e com hormônios ou fármacos que levem à ausência de menstruação, como progestagênios, gestrinona e análogos de GnRH.

Não é possível curar a doença com o tratamento medicamentoso, apenas prevenir a sua progressão. A terapia indicada, ainda, não aumenta as taxas de fertilidade da paciente.

Quando há desejo de engravidar e também fortes dores pélvicas em casos moderados a graves de endometriose é indicado o tratamento cirúrgico ou a FIV, se a prioridade for o desejo de engravidar ou em casos de baixa reserva ovariana a FIV seria o tratamento mais indicado.

No tratamento cirúrgico, o objetivo será a excisão ou ablação do maior número de implantes por videolaparoscopia, restaurando o máximo possível a anatomia pélvica e preservando a fertilidade.

Quando a queixa é apenas infertilidade sem manifestação de dor, as técnicas de reprodução assistida são indicadas para que a paciente possa engravidar.

As de baixa complexidade, relação sexual programada (RSP) e inseminação intrauterina (IIU), são indicadas quando a endometriose ainda está nos estágios iniciais.

Enquanto a fertilização in vitro (FIV), de maior complexidade, é indicada para os estágios mais avançados, quando há presença de aderências ou de endometriomas ovarianos, ou se os tratamentos anteriores não forem bem-sucedidos.

Toque aqui para saber mais sobre endometriose.

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Infertilidade feminina: como é feita a investigação?

Entenda os principais passos para o diagnóstico das causas da infertilidade feminina

O sonho da maternidade é comum a grande parte das mulheres, mas realizá-lo pode não ser tão fácil quanto parece. A infertilidade atinge cerca de 30% dos casais em idade fértil e pode ser causada por fatores femininos e masculinos. Por infertilidade entende-se a impossibilidade de engravidar após 12 meses de relações sexuais sem proteção, conforme definição da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em aproximadamente 35% desses casos, o problema se deve a questões relacionadas ao sistema reprodutor da mulher, o que se conhece por infertilidade feminina. Dentro desse universo, as causas também podem ser muito variadas. Entre as mais comuns estão a anovulação (ausência da ovulação), causada por distúrbios hormonais, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP); obstruções nas tubas uterinas, frequentes em doenças como endometriose; e condições que podem interferir no processo de implantação do embrião no útero, como é o caso de pólipos e miomas.

Saber qual é a causa da infertilidade é fundamental para tratá-la adequadamente e aumentar as chances de que a mulher engravide. Por isso, é essencial fazer uma investigação detalhada do problema. Neste artigo vamos abordar o passo a passo do diagnóstico da infertilidade feminina. Saiba mais a seguir.

A primeira consulta com um especialista

Se um casal está há mais de um ano (ou seis meses se a mulher tiver mais de 35 anos de idade) tentando engravidar de maneira natural e não consegue, é hora de procurar um especialista para entender o porquê da dificuldade. Por muito tempo, as mulheres foram consideradas as grandes culpadas pela impossibilidade de engravidar, porém hoje já se sabe que os percentuais de casos de infertilidade feminina e masculina são iguais.

A infertilidade, portanto, é vista como um problema do casal, e deve ser tratada como tal desde a primeira consulta. Nesse momento, o médico avaliará o histórico do homem e da mulher e alguns sinais clínicos. Entre os indicativos de infertilidade feminina que podem ser analisados nessa etapa estão idade avançada (acima de 35 anos), irregularidade dos ciclos menstruais, dores na pelve e cólicas intensas, dor ou desconforto durante as relações sexuais e hiperandrogenismo (pelos no rosto, calvície e outras características que podem ser causadas por altas taxas de hormônios masculinos).

Exames para a investigação da infertilidade feminina

Com base nos sinais clínicos observados, o médico poderá levantar algumas suspeitas sobre a causa da infertilidade. Ele então pedirá exames iniciais e, se necessário, outros mais detalhados, até chegar a um diagnóstico preciso para indicar o tratamento mais adequado. Entre os principais exames realizados para identificar as causas da infertilidade feminina estão:

Exames hormonais: indicam se há alguma disfunção hormonal que possa afetar a ovulação, como a SOP. Alguns hormônios avaliados são testosterona, globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), prolactina, estradiol, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);

Exames de sangue: podem identificar a presença de infecções, incluindo as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), capazes também de afetar a fertilidade, como a clamídia;

Ultrassonografia transvaginal: permite avaliar o interior do útero e a reserva ovariana, ou seja, a quantidade de folículos presentes nos ovários, um importante indicativo da fertilidade feminina;

Histerossalpingografia: por meio deste exame de raio-X com contraste iodado, é possível visualizar as condições uterinas e tubárias, identificando obstruções, malformações e outras condições que possam interferir na fertilidade da mulher.

Tratamentos para a infertilidade feminina

O tratamento da infertilidade feminina dependerá da causa que for diagnosticada, da idade e de outras questões ligadas à saúde da mulher. Algumas doenças, como endometriose, miomas e pólipos, são passíveis de serem resolvidas com cirurgia. Nesses casos, é possível que a paciente consiga engravidar de maneira natural após a correção do problema. Outras condições, como a SOP, requerem um tratamento medicamentoso à base de hormônios, que também pode restaurar a fertilidade da mulher.

Reprodução assistida

Em alguns casos, porém, a indicação para que a mulher consiga engravidar pode ser utilizar técnicas de reprodução assistida. Quando houver danos irreversíveis às tubas uterinas, por exemplo, uma possibilidade é a realização de uma fertilização in vitro (FIV), pois como nessa técnica a fertilização é realizada em laboratório, as tubas não são necessárias para que a fecundação ocorra.

Em vez disso, os óvulos são coletados em um procedimento de aspiração folicular e, após a fertilização e um período de cultura em laboratório, os embriões são transferidos para o útero da paciente.

A FIV pode também ser indicada para mulheres com baixa reserva ovariana, pois, para maximizar as chances de sucesso do procedimento, antes da aspiração dos folículos a paciente passa por um tratamento de estimulação ovariana, com o objetivo de produzir o máximo de óvulos possível.

A infertilidade feminina, portanto, é um problema mais comum do que se imagina, e seu tratamento dependerá da causa identificada. Para que se chegue ao diagnóstico correto, é fundamental fazer uma investigação detalhada, com a orientação de um especialista. Se você quiser saber mais sobre infertilidade feminina, suas causas e diferentes abordagens para tratá-la, clique aqui.

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